{"id":21805,"date":"2013-02-14T10:34:00","date_gmt":"2013-02-14T10:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21805"},"modified":"2013-02-14T10:34:00","modified_gmt":"2013-02-14T10:34:00","slug":"da-exortacao-ao-anuncio-direto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/da-exortacao-ao-anuncio-direto\/","title":{"rendered":"Da exorta\u00e7\u00e3o ao an\u00fancio direto"},"content":{"rendered":"<p>Num tempo em que aparece muito claro o abandono da f\u00e9 por parte de gente nova e menos nova que cresceu e viveu na comunidade crist\u00e3, sente-se a urg\u00eancia de avaliar as causas e tomar consci\u00eancia de que nem tudo \u00e9 culpa do ambiente secularizado e da falta de esfor\u00e7o de quem deixa a Igreja e a pr\u00e1tica dos atos de culto.<\/p>\n<p>Vemos, com mais frequ\u00eancia, que se exortam as pessoas para que n\u00e3o abandonem a Igreja, fortale\u00e7am e esclare\u00e7am as suas convic\u00e7\u00f5es religiosas, renovem os seus esfor\u00e7os de fidelidade, permane\u00e7am nas comunidades em que nasceram e fizeram caminhada crist\u00e3. A exorta\u00e7\u00e3o pode ser \u00fatil para fazer pensar e acordar rotinas, para se tomar consci\u00eancia do valor que cada um d\u00e1 ao dom da f\u00e9, para n\u00e3o ir na onda da facilidade ou da cr\u00edtica preconceituosa. Exortar \u00e9, de algum modo, advertir sobre o sentido que t\u00eam na vida dos que se dizem e julgam crentes o Deus \u00fanico e os outros, considerados irm\u00e3os ou simples companheiros de peregrina\u00e7\u00e3o ao longo da vida.<\/p>\n<p>As situa\u00e7\u00f5es de desinteresse e mesmo de abandono da f\u00e9 s\u00e3o as mais variadas e podem diferir de pessoa para pessoa. N\u00e3o falta gente que nunca enraizou no cora\u00e7\u00e3o a sua f\u00e9; gente para a qual acreditar foi sempre muito f\u00e1cil, como se tornou f\u00e1cil deixar de acreditar; gente que n\u00e3o fez qualquer esfor\u00e7o, nem se decidiu aproveitar as possibilidades de poder ter uma f\u00e9 adulta; gente que concebeu sempre as atitudes religiosas como coisa \u00e0 margem da vida; gente que, por falta de forma\u00e7\u00e3o e de convic\u00e7\u00e3o, se deixou enrolar ante as cr\u00edticas, as propostas, crit\u00e9rios e valores de uma sociedade indiferente e antag\u00f3nica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o. Muitos dos que abandonam a Igreja procuram, desafei\u00e7oados, outras express\u00f5es religiosas e muitos outros instalam-se numa completa indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p>O apelo \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o, ou seja, ao an\u00fancio de Jesus Cristo ressuscitado, avalizado pelo testemunho dos crentes e das comunidades, \u00e9 hoje a grande urg\u00eancia que se p\u00f5e \u00e0 Igreja. O que exige que esta, pelos seus respons\u00e1veis, saia de si mesma, da frieza dos princ\u00edpios que propugna, da sua linguagem herm\u00e9tica, das leis e normas que abafam a lei fundamental do amor a Deus e ao pr\u00f3ximo, da sua altivez e sobranceria por se esquecer das suas debilidades hist\u00f3ricas e se julgar impoluta. Exige que o clero deixe de se considerar uma classe privilegiada e se assuma como servidor do povo crist\u00e3o, como educador da f\u00e9, como acolhedor permanente de todos nas suas alegrias e tristezas, sem privil\u00e9gios de classe de que os outros n\u00e3o gozam, livre para anunciar e testemunhar, comunicador aberto e simples da Palavra de Deus, conhecedor da casa dos pobres e dando-lhes prioridade na sua vida e a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando apreciamos casos concretos de abandono da Igreja, raramente n\u00e3o aparece uma m\u00e1 rela\u00e7\u00e3o com o padre ou com a gente do templo. A casa do Pai, de portas t\u00e3o abertas como o Seu cora\u00e7\u00e3o, onde se \u00e9 acolhido e respeitado com amor e alegria, n\u00e3o \u00e9 sempre a imagem que passa, nem a realidade que se vive. A Igreja n\u00e3o \u00e9 uma mera organiza\u00e7\u00e3o religiosa, nem muito menos um reposit\u00f3rio de normas, muitas vezes pensadas e forjadas para defender um sistema. Porque \u00e9 casa de Deus, n\u00e3o \u00e9 feudo de ningu\u00e9m. \u00c9 uma fam\u00edlia a que deve ser gostoso pertencer e a que a f\u00e9 comum d\u00e1 for\u00e7a para enfrentar as situa\u00e7\u00f5es dolorosas que se deparam no seu seio, como no de qualquer fam\u00edlia, onde todos se estimam e amam. Sem este clima, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a evangeliza\u00e7\u00e3o dos adormecidos, ou dos que se fecharam nos seus preconceitos e queixumes, muitas vezes leg\u00edtimos.<\/p>\n<p>Exorta\u00e7\u00f5es podem ser palavras v\u00e3s que n\u00e3o chegam, nem acordam os que mais precisam, sempre que n\u00e3o comportam, em seu favor, as exig\u00eancias pr\u00e1ticas da verdade que se anuncia, do Jesus Cristo que se prop\u00f5e, da vida nova vivida pelos anunciadores, que \u00e9 fruto de uma f\u00e9 adulta, vivida, professada e testemunhada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num tempo em que aparece muito claro o abandono da f\u00e9 por parte de gente nova e menos nova que cresceu e viveu na comunidade crist\u00e3, sente-se a urg\u00eancia de avaliar as causas e tomar consci\u00eancia de que nem tudo \u00e9 culpa do ambiente secularizado e da falta de esfor\u00e7o de quem deixa a Igreja [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-21805","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21805","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21805"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21805\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21805"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21805"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21805"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}