{"id":21848,"date":"2013-02-21T11:56:00","date_gmt":"2013-02-21T11:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21848"},"modified":"2013-02-21T11:56:00","modified_gmt":"2013-02-21T11:56:00","slug":"maria-da-graca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/maria-da-graca\/","title":{"rendered":"Maria da Gra\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 142 <!--more--> Nos bra\u00e7os de Nossa Senhora de Lourdes, quando todo o mundo falava da ren\u00fancia ao minist\u00e9rio petrino de Bento XVI, adormecia serenamente, como sempre viveu, dentro das aben\u00e7oadas paredes do nosso Carmelo de Aveiro, a Irm\u00e3 Maria da Gra\u00e7a.<\/p>\n<p>O seu funeral foi uma festa da f\u00e9 com a presen\u00e7a dos nossos queridos dois bispos, D. Ant\u00f3nio Francisco e D. Ant\u00f3nio Marcelino. Muitos sacerdotes, sobretudo os nossos carmelitas vindos de v\u00e1rias partes de Portugal. Comunidades religiosas. Fi\u00e9is e parentes.<\/p>\n<p>A homilia de D. Ant\u00f3nio Francisco foi lind\u00edssima e basta ler a mesma para termos o retrato da nossa irm\u00e3, al\u00e9m do que disse a madre superiora no final da cerim\u00f3nia. Todos est\u00e1vamos mesmo emocionados. Algu\u00e9m me disse: Parece o C\u00e9u! Primeiro, outra coisa n\u00e3o era de se esperar tratando-se do Carmelo, e deste Carmelo de Aveiro. Segundo, tratando-se do funeral de uma santa. Sim, foi o senhor Bispo que nos falou da atmosfera de santidade que se respirava no seu leito de moribunda, quando ele a visitou.<\/p>\n<p>O que guardo desta irm\u00e3 \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 mem\u00f3ria, mas sobretudo heran\u00e7a. Se o mundo e a vida s\u00e3o duros e nos endurecem, conhecer gente como esta estimula-nos a acreditar que Deus n\u00e3o abandonou o mundo. Costumo dizer que, entrados nos 50 anos, come\u00e7amos a \u00e9poca das perdas de tudo quanto amamos. A nossa gera\u00e7\u00e3o vai sendo passado diante dos nossos olhos e os grandes amigos e amores v\u00e3o-se indo embora. A nossa vez aproxima-se tamb\u00e9m e sentimos isso a cada dia que passa. Corpo e alma abra\u00e7am-se para nos dizerem que n\u00e3o temos aqui a morada permanente. Pouco a pouco, vamos aceitando o aniquilamento. Com a F\u00e9, o nosso horizonte n\u00e3o \u00e9 negro, mas vislumbramos um c\u00e9u azul e brilhante de luz que nos espera. <\/p>\n<p>Conhecer a Irm\u00e3 Maria da Gra\u00e7a foi um privil\u00e9gio. Conheci-a h\u00e1 uns 27 anos em Eirol, no provis\u00f3rio Carmelo que durou para as nossas irm\u00e3s muitos anos de verdadeira penit\u00eancia, por se tratar de uma casa adaptada. Com ela e a comunidade da qual ela era superiora preparei a minha ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal e celebrei uma das minhas primeiras missas em Eirol. Convivia com as carmelitas e as nossas conversas levavam-nos a conviver com os grandes mestres da Ordem. A alma ali sempre se elevava.<\/p>\n<p>A Irm\u00e3 Maria da Gra\u00e7a acolhia-nos sempre, mas sempre, com um lindo sorriso, mesmo quando estava muito doente, nestes \u00faltimos tempos. A sua voz suave, doce, melodiosa, transmitia paz e maternidade espiritual. A sua arte de pintar quadros cheios de eleva\u00e7\u00e3o. O seu toque delicado na pequena harpa do coro nas missas e nas ora\u00e7\u00f5es de Liturgia das Horas dava um tom singular aos nossos ouvidos, exprimindo a especificidade desta doce Irm\u00e3. Alegre. Brincalhona. Tamb\u00e9m sabia transmitir a verdade, por vezes com subtileza e delicadeza ao mesmo tempo, o que a tornava irresistivelmente querida por todos. Sempre a considerei a express\u00e3o da alma carmelita. Mulher inteira e assumida na sua voca\u00e7\u00e3o, confirmada por tantos anos de fidelidade e prova\u00e7\u00e3o. N\u00e3o fugia diante do desafio que foi o de vir para Aveiro, o ver prolongar-se um ex\u00edlio em Eirol, pois a casa n\u00e3o estava de acordo com a espiritualidade. A constru\u00e7\u00e3o do novo Carmelo e os seus desafios. O passar a miss\u00e3o de priora para outras como \u00e9 pr\u00f3prio da vida da comunidade, num desafio cont\u00ednuo de obedi\u00eancia e humildade.<\/p>\n<p>Ver e falar com esta irm\u00e3 era sentir que o Carmelo \u00e9, verdadeiramente, um dom de Deus \u00e0 Igreja, e que t\u00ednhamos o privil\u00e9gio de o ter entre n\u00f3s. Vi, no funeral, as l\u00e1grimas das suas irm\u00e3s. De saudade, sem d\u00favida, pois a nossa alegria diante da morte s\u00f3 se entende \u00e0 luz da F\u00e9. Senti um vazio preenchido, pois a sua aus\u00eancia vai-se fazer sentir em todos n\u00f3s. Mas sabemos que ela continuar\u00e1 a velar pelo seu querido Carmelo de Aveiro. Foi e ficou. Que vele pelos sacerdotes que tanto amava, especialmente aqueles de quem era madrinha espiritual. Agrade\u00e7o ao Senhor por Aveiro ter tido a Irm\u00e3 Maria da Gra\u00e7a no meio de n\u00f3s. Pe\u00e7o para ela um c\u00e9u pleno de amor e de paz. Que  agora as melodias da sua harpa se confundam com a dos Anjos e um dia nos reencontremos, sem paredes de clausura, que na terra s\u00e3o aben\u00e7oadas, mas naquele abra\u00e7o que a todos nos far\u00e1 sentir que valeu a pena sermos, com e como ela, fortes amigos de Deus.<\/p>\n<p>Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 142<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-21848","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21848","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21848"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21848\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}