{"id":21866,"date":"2013-02-14T10:28:00","date_gmt":"2013-02-14T10:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21866"},"modified":"2013-02-14T10:28:00","modified_gmt":"2013-02-14T10:28:00","slug":"passe-no-deserto-o-dia-dos-namorados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/passe-no-deserto-o-dia-dos-namorados\/","title":{"rendered":"Passe no deserto o dia dos namorados!"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma experi\u00eancia radical! \u00c9 o lugar sonhado de plena liberta\u00e7\u00e3o \u2013 numa paisagem totalmente \u00e0s avessas da habitual. \u00c9 a imagina\u00e7\u00e3o livre para criar miragens e falar com elas e perder-se nelas. Enfim: o lugar ideal para namorar! <\/p>\n<p>E Deus bem que tirou e continua a tirar partido do deserto: <\/p>\n<p>O livro do Deuteron\u00f3mio (que significa \u00absegunda lei\u00bb, renova\u00e7\u00e3o da espiritualidade da \u00abna\u00e7\u00e3o eleita\u00bb) estabelece dias de festa para lembrar a fidelidade do Deus libertador e fortificar a identidade hist\u00f3rica e cultural, contando-se \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es as experi\u00eancias radicais \u2013 desde uma \u00abluta com Deus\u00bb (G\u00e9nesis 32,23-33), at\u00e9 ser \u00abnamorada\u00bb por Deus durante \u00abquarenta anos\u00bb de deserto, cheios de promessas, desquites, amea\u00e7as e perd\u00f5es. O profeta Oseias (2,15-18) p\u00f5e Deus a falar assim: \u00abHei-de castig\u00e1-la (\u00e0 \u00abna\u00e7\u00e3o eleita\u00bb) por correr atr\u00e1s dos seus amantes e me esquecer. \u00c9 por isso que a vou seduzir, levando-a para o deserto e falando-lhe ao cora\u00e7\u00e3o. E ela se encantar\u00e1 comigo como nos tempos da sua juventude\u00bb.<\/p>\n<p>De facto, \u00aba na\u00e7\u00e3o eleita\u00bb tinha come\u00e7ado a emigrar para o Egipto por volta de 1700 a.C. Formou um povo numeroso e com relativo sucesso, mas depressa verificou que o para\u00edso de Ad\u00e3o e Eva foi efectivamente eliminado do cen\u00e1rio humano. Foram precisos 400 anos de muitos e repetidos desenganos (pois at\u00e9 nos habituamos a uma situa\u00e7\u00e3o de \u201cinfelizes\u201d\u2026), para os Israelitas se unirem eficazmente contra a opress\u00e3o e largarem o Egipto. Tinham por l\u00edder Mois\u00e9s e o caminho conveniente era o deserto.<\/p>\n<p>Quantas vezes os profetas do Antigo Testamento apontam o dedo contra a imprudente confian\u00e7a da \u00abna\u00e7\u00e3o eleita\u00bb na presumida alian\u00e7a com na\u00e7\u00f5es poderosas, mais interessadas em ter gente submissa a oprimir com tributos aviltantes. <\/p>\n<p>Na realidade, n\u00e3o podemos confiar que sociedade alguma ponha o c\u00e9u ao nosso alcance: cada um de n\u00f3s \u00e9 que \u00e9 o \u00fanico construtor dos alicerces de um c\u00e9u \u00abfora do alcance da ferrugem e dos ladr\u00f5es\u00bb (Lucas, 12,33), um \u00abc\u00e9u\u00bb ao nosso alcance j\u00e1 na terra, que depende da coragem, esperan\u00e7a e de querermos bem uns aos outros.<\/p>\n<p>Jesus Cristo mostrou, com palavras mas sobretudo com a vida, que n\u00e3o \u00e9 utopia o projecto de viver plenamente, com uma alegria que n\u00e3o esmorece. E tamb\u00e9m ele namorou, no deserto, esse plano de vida. Quis ter a certeza de que a vaidade, a riqueza, a boa-vida\u2026 n\u00e3o o conseguiam demover. Decidiu que o que mais valia a pena era viver como viveu. Ganhou assim credibilidade: deu prova do realismo e prud\u00eancia que devem acompanhar os mais incans\u00e1veis ideais; e forjou com seguran\u00e7a um projecto suficientemente s\u00f3lido para vencer as investidas do comodismo.<\/p>\n<p>Pelos s\u00e9culos fora, muita gente se retirou no deserto, ou at\u00e9 mesmo a\u00ed passou a vida, para melhor avaliar a autenticidade da sua for\u00e7a interior ou dispor da clareza e isen\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias para medir os pr\u00f3s e contras de planos e empreendimentos. Tamb\u00e9m um plano a s\u00e9rio com Deus precisa de uma rela\u00e7\u00e3o adulta com Ele. S. Lucas (14,28-30) atribui a Jesus esta par\u00e1bola: \u00abQuem dentre v\u00f3s, querendo construir uma torre, n\u00e3o se senta primeiro para calcular a despesa e ver se tem com que a concluir? Doutro modo, toda a gente tro\u00e7ar\u00e1 dele por n\u00e3o saber acabar o que come\u00e7ou\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o se deixou levar \u2013 como n\u00e3o quer levar a ningu\u00e9m com palavras lindas ou promessas espaventosas. Ora no campo da pol\u00edtica e da ideologia (a que se reduz muitas vezes a religi\u00e3o), n\u00e3o somos n\u00f3s volta e meia objecto de namoro por quem apenas nos quer levar para apoiarmos interesses que n\u00e3o s\u00e3o nossos?<\/p>\n<p>Como em todo o namoro, \u00e9 de extrema import\u00e2ncia sentir-se em comunh\u00e3o pela palavra e pelo sil\u00eancio, no sossego e na aventura. No deserto, longe das luzes que ofuscam, \u00e9 que avaliamos se se trata de namoro a s\u00e9rio\u2026 E se vemos, com a intelig\u00eancia e cora\u00e7\u00e3o, que vale a pena, \u00e9 tamb\u00e9m no deserto que orientamos as nossas energias do modo mais eficaz. Como aconteceu com Jesus Cristo, h\u00e1 todo o mundo \u00e0 espera dos resultados do nosso dia no deserto.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-21866","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21866","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21866"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21866\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}