{"id":21868,"date":"2013-02-14T10:32:00","date_gmt":"2013-02-14T10:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21868"},"modified":"2013-02-14T10:32:00","modified_gmt":"2013-02-14T10:32:00","slug":"a-esperanca-ativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-esperanca-ativa\/","title":{"rendered":"A esperan\u00e7a ativa"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 verdade que todos os para\u00edsos s\u00e3o para\u00edsos perdidos? A julgar pela apar\u00eancia todas as hist\u00f3rias, at\u00e9 a hist\u00f3ria b\u00edblica, nos garante que sim. De facto, no livro do G\u00e9nesis, o primeiro casal humano acaba lan\u00e7ado para fora do para\u00edso, depois de uma breve e atrapalhada perman\u00eancia. E as portas do para\u00edso ficam interditas aos humanos. Contudo, a linguagem simb\u00f3lica e a natureza teol\u00f3gica daquele relato exigem uma aten\u00e7\u00e3o a investimentos de sentido que se podem sintetizar assim: o tempo da salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 narrado como nostalgia de uma \u00e9poca de ouro passada, mas, o que se procura afirmar \u00e9 que, atrav\u00e9s de vicissitudes e contradi\u00e7\u00f5es, o tempo n\u00e3o deixa de avan\u00e7ar para uma plenitude. De certa forma, o homem descobre que est\u00e1 fora do para\u00edso para que possa encaminhar-se para ele. A expuls\u00e3o b\u00edblica n\u00e3o \u00e9, portanto, uma perda, mas o primeiro, e misterioso, passo para o caminho da promessa.  O que n\u00e3o se escamoteiam s\u00e3o as tens\u00f5es e desvios que o homem vai introduzindo. Reconhecer, por\u00e9m, que mundo e a hist\u00f3ria n\u00e3o s\u00e3o propriamente lugares paradis\u00edacos n\u00e3o nos deve fazer cair os bra\u00e7os, nem desesperar.<\/p>\n<p>No territ\u00f3rio amb\u00edguo que se abre, na irresolu\u00e7\u00e3o que nos caracteriza a n\u00f3s pr\u00f3prios, os crentes s\u00e3o chamados a identificar (e a imaginar) novas possibilidades.<\/p>\n<p>Que ensina a sabedoria b\u00edblica aos nossos tempos conturbados? Ensina, sem d\u00favida, que a esperan\u00e7a \u00e9 mais importante de que a saudade; e que a promessa humilde que, quotidianamente, nos coloca a caminho \u00e9 bem mais preciosa que os para\u00edsos que nos deixam parados a olhar para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Na magn\u00edfica enc\u00edclica sobre a Esperan\u00e7a, e que podia bem servir-nos de mapa nas horas de sofrimento e de incerteza, escreve o Papa Bento XVI: \u201cA esperan\u00e7a em sentido crist\u00e3o \u00e9 sempre esperan\u00e7a tamb\u00e9m para os outros. E \u00e9 esperan\u00e7a ativa, que nos faz lutar para que as coisas n\u00e3o caminhem para o \u00abfim perverso\u00bb. \u00c9 esperan\u00e7a ativa precisamente tamb\u00e9m no sentido de mantermos o mundo aberto a Deus. Somente assim, ela permanece tamb\u00e9m uma esperan\u00e7a verdadeiramente humana\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 verdade que todos os para\u00edsos s\u00e3o para\u00edsos perdidos? A julgar pela apar\u00eancia todas as hist\u00f3rias, at\u00e9 a hist\u00f3ria b\u00edblica, nos garante que sim. De facto, no livro do G\u00e9nesis, o primeiro casal humano acaba lan\u00e7ado para fora do para\u00edso, depois de uma breve e atrapalhada perman\u00eancia. E as portas do para\u00edso ficam interditas aos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-21868","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21868","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21868"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21868\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21868"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21868"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21868"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}