{"id":21899,"date":"2013-02-28T10:30:00","date_gmt":"2013-02-28T10:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21899"},"modified":"2013-02-28T10:30:00","modified_gmt":"2013-02-28T10:30:00","slug":"obrigado-santo-padre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/obrigado-santo-padre\/","title":{"rendered":"Obrigado, Santo Padre!"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 143 <!--more--> No dia 11 de fevereiro recebemos a not\u00edcia da ren\u00fancia de Bento XVI ao minist\u00e9rio petrino. O mundo inteiro pronunciou-se para comentar. Cada cabe\u00e7a deu a sua senten\u00e7a, num mundo que vive de opini\u00f5es, a ponto de termos medo de sair \u00e0 rua por causa do que v\u00e3o opinar os que nos veem. Todos opinam. Muitos maliciosamente, desenterrando momentos que a comunica\u00e7\u00e3o social se esfor\u00e7ou por tornar mais negros do que eram. O mundo move-se a partir de um ecr\u00e3 de televis\u00e3o ou de computador e as pessoas pensam com a cabe\u00e7a dos outros. Multiplicaram-se as entrevistas de pessoas pr\u00f3 e contra o Papa em todo o mundo. J\u00e1 n\u00e3o pod\u00edamos ver o Papa na televis\u00e3o na hora dos telejornais, nunca objetivos, sempre tendenciosos, pois j\u00e1 adivinh\u00e1vamos novas opini\u00f5es.<\/p>\n<p>No entanto, ele pr\u00f3prio disse ser algo da sua consci\u00eancia, espa\u00e7o sagrado reservado ao conv\u00edvio \u00edntimo do homem com Deus e impenetr\u00e1vel por qualquer pessoa, seja ela qual e quem for. No foro \u00edntimo da consci\u00eancia de uma pessoa ningu\u00e9m pode entrar. Nem pai, nem m\u00e3e, nem marido, nem esposa, nem Papa, nem Bispo, nem padre\u2026 ningu\u00e9m. Supondo que est\u00e1 bem formada, os que sabem o que \u00e9 o respeito s\u00f3 devem respeitar. Ele vai\u2026 porque assim viu, \u00e0 luz de Deus e da sua consci\u00eancia. Como fica a Igreja depois? Como sempre: Nas m\u00e3os de Deus, pois Ele \u00e9 quem a governa e o pr\u00f3ximo Papa ser\u00e1 t\u00e3o querido e t\u00e3o belo como este e seus antecessores. S\u00f3 temos de o acolher com amor e estudar os seus ensinamentos para a vida\u2026 Mas n\u00e3o o podemos deixar ir para o seu retiro, seja ele qual for e ele saber\u00e1 bem qual \u00e9, sem lhe dizer o nosso obrigado.<\/p>\n<p>Quando chegou muitos se alarmaram. Nas par\u00f3quias, presbit\u00e9rios, comunidades, sociedade, vislumbrou-se uma \u00e9poca negra sob o imp\u00e9rio de Ratzinger. Quando anunciava uma viagem, as manifesta\u00e7\u00f5es multiplicavam-se, mesmo em Portugal, cheios de preconceitos que andamos todos. A maioria nunca leu nada dele. Mas todos opinavam segundo as opini\u00f5es da televis\u00e3o maliciosa. Cada frase e discurso dele era passado a pente fino para ver se o podiam \u201capanhar\u201d em algo que dissesse para encher os tabloides do sensacionalismo, como aconteceu com o bel\u00edssimo discurso de Ratisbona.<\/p>\n<p>A chamada crise dos padres ped\u00f3filos fez com que o mundo pensasse que s\u00f3 os padres o eram  &#8211; e s\u00e3o-no, alguns, mas n\u00e3o assim tantos, pois neste campo as acusa\u00e7\u00f5es nem sempre s\u00e3o verdadeiras, e h\u00e1 mais pedofilia fora da Igreja do que dentro dela, at\u00e9 nos lares, mas que n\u00e3o causa o sensacionalismo de arrasar com a figura do sacerdote, quer numa pessoa, quer na generalidade. O Ano sacerdotal trouxe esta prova \u00e0 Igreja e at\u00e9 foi bom para todos revermos as nossas vidas \u00e0 luz de Deus e da persegui\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>Se tinha servido as tropas nazistas quando jovem, se se tinha calado diante da injusti\u00e7a, se usava sapatos de luxo \u2013 aspeto desmentido h\u00e1 anos, mas n\u00e3o noticiado, claro \u2013, se gastava milh\u00f5es nas f\u00e9rias, se isso, se aquilo&#8230; E quando o olh\u00e1vamos, sereno, doce, calmo, t\u00edmido, segurando-se para se manter inteiro, um amante da m\u00fasica, que escreve como ningu\u00e9m, que ensina como poucos, que prega de modo magn\u00edfico\u2026 sent\u00edamos que estava ali um grande homem que se mantinha calado e humilde apesar de ter um historial de vida invej\u00e1vel, como nos contam deliciosamente as suas biografias.<\/p>\n<p>Cada pa\u00eds que visitava recebia-o com desconfian\u00e7a. Quando, humilde, regressava a Roma, tinha o pa\u00eds inteiro rendido a seus p\u00e9s. Conquistou os mu\u00e7ulmanos da Turquia, os judeus de Israel, deixou Portugal e os outros pa\u00edses de boca aberta perante a sua grandeza humilde, e cativou milhares de cora\u00e7\u00f5es juvenis fazendo das JMJ momentos \u00fanicos, em nada inferiores ao tempo de Jo\u00e3o Paulo II. Algu\u00e9m que sempre respeitou o seu antecessor e at\u00e9 o beatificou que como Jo\u00e3o Batista n\u00e3o se sentia digno.<\/p>\n<p>Nunca Roma teve tanta gente como no tempo de Ratzinger. A Pra\u00e7a de S. Pedro enchia para o ouvirmos falar e dar as suas b\u00ean\u00e7\u00e3os em mais de 50 idiomas e dialetos. A sua voz doce e suave e bem paternal ecoava nos ouvidos e nos cora\u00e7\u00f5es. O seu lindo sorriso. O seu rosto de menino envelhecido. O seu amor pela fam\u00edlia e amigos. Os dois gatinhos que tem no seu quarto como companheiros insepar\u00e1veis. Um Papa que gosta imenso de gatos! O seu insepar\u00e1vel piano. Um poeta. Um m\u00fasico. Um artista. Um Pai\u2026 Como n\u00e3o lhe dizer obrigado e desculpa pela maliciosidade das nossas opini\u00f5es. Amar-te-emos sempre. E bendito seja Deus por nos ter feito viver estes sete anos sob a b\u00ean\u00e7\u00e3o de t\u00e3o grande e belo Pai.<\/p>\n<p>Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 143<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-21899","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21899","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21899"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21899\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21899"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21899"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21899"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}