{"id":21946,"date":"2013-02-14T10:30:00","date_gmt":"2013-02-14T10:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21946"},"modified":"2013-02-14T10:30:00","modified_gmt":"2013-02-14T10:30:00","slug":"o-acontecimento-ecumenico-em-portugal-de-todas-as-semanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-acontecimento-ecumenico-em-portugal-de-todas-as-semanas\/","title":{"rendered":"O acontecimento ecum\u00e9nico em Portugal de todas as semanas"},"content":{"rendered":"<p>Terminado o oitav\u00e1rio pela unidade dos crist\u00e3os, parece que se fecham as tendas de uma feira em que se expuseram boas inten\u00e7\u00f5es, aguardando pela mudan\u00e7a do calend\u00e1rio, como se mais nada ocorresse, entretanto. No entanto, esta \u00e9 apenas uma ilus\u00e3o. Na verdade, de h\u00e1 muito que ocorre, semana ap\u00f3s semana, em cada ano, em cada escola deste pa\u00eds, p\u00fablica ou particular, um discreto e pouco badalado momento permanente de ecumenismo e di\u00e1logo inter-religioso.<\/p>\n<p>A surpresa desta not\u00edcia \u00e9, seguramente, para muitos, t\u00e3o grande como a expectativa sobre o facto a que estarei a referir-me. Tanto maior quanto o desconhecimento sobre o precioso trabalho que a este mesmo facto se deve na causa da defesa dos mais nobres valores, dos mais s\u00f3lidos alicerces de uma sociedade que se pretende plural, respeitadora, mas tamb\u00e9m capaz de assegurar o conhecimento e reconhecimento das identidades e das particularidades. <\/p>\n<p>Em cada semana, mais de cinquenta por cento dos alunos de todo o ensino b\u00e1sico nacional fazem parte deste delicado, longo e s\u00f3lido trabalho de ecumenismo que envolve n\u00e3o s\u00f3 alunos cat\u00f3licos mas tamb\u00e9m ortodoxos e protestantes dos mais diversos ramos. Descobrem o que causou as ruturas, bem certo, mas entendem, tamb\u00e9m, que, como me dizia h\u00e1 dias um aluno, essa \u00e9 s\u00f3 a primeira parte de uma narrativa que, na disciplina de Hist\u00f3ria, s\u00f3 lhe contam ser de conflito. Ele acabava de descobrir que, afinal, essa hist\u00f3ria era, de h\u00e1 mais de cem anos, uma outra hist\u00f3ria de aproxima\u00e7\u00e3o e encontros. Nunca ouvira falar da palavra \u00abecumenismo\u00bb, que confundia com \u00abcomunismo\u00bb e \u00abeconomia\u00bb, como tantas outras pessoas a quem pedi que, com os seus colegas, entrevistasse. <\/p>\n<p>Esse acontecimento di\u00e1rio, que ocorre em todas as escolas deste pa\u00eds envolvendo mais de duzentos mil alunos, \u00e9, ao contr\u00e1rio do que muitos querem continuar a fazer crer, parte da solu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o do problema ecum\u00e9nico em Portugal. Esse acontecimento di\u00e1rio, que se faz com mais de metade de todos os alunos que frequentam as nossas escolas, chama-se \u00abeduca\u00e7\u00e3o moral e religiosa cat\u00f3lica\u00bb, EMRC. Uma disciplina que, mesmo os pr\u00f3prios crist\u00e3os, parecem continuar a desconhecer, desconsiderando-a como menor. Uma disciplina em que se descobre a fraternidade das tr\u00eas religi\u00f5es do Livro (7.\u00ba ano), ou a unidade e diversidade do cristianismo (8.\u00ba ano) ou, ainda, o que possam ter a ensinar o ate\u00edsmo e o agnosticismo, assim como as religi\u00f5es orientais (9.\u00ba ano). Uma disciplina que, a partir de um lugar identificado, o da matriz crist\u00e3 cat\u00f3lica, se disp\u00f5e a dialogar. Um di\u00e1logo que n\u00e3o acontece, apenas, enquanto desejo. Nela se realiza, de facto, o que pretende. Assim me acontece, em concreto, pois, entre os meus alunos contam-se n\u00e3o apenas cat\u00f3licos, mas tamb\u00e9m de outras confiss\u00f5es (mais numerosos s\u00e3o os ortodoxos) e, mesmo, descrentes que se sentem em busca, realidade plural que sei acontecer com tantos outros professores de EMRC deste pa\u00eds. <\/p>\n<p>Mas, nesta na\u00e7\u00e3o em que se cultiva o adiamento da esperan\u00e7a, muitos teimam em n\u00e3o querer reconhecer que ali, naquela disciplina dita menor, est\u00e1 a acontecer hist\u00f3ria. <\/p>\n<p>Como dizia D. Ant\u00f3nio Couto, num debate organizado pela Diocese de Aveiro, em Estarreja, esta \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o nova, mais dispon\u00edvel para o ecumenismo e o di\u00e1logo inter-religioso. E n\u00e3o duvido de que muito tem feito por isso a EMRC. Assim se queira reconhecer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terminado o oitav\u00e1rio pela unidade dos crist\u00e3os, parece que se fecham as tendas de uma feira em que se expuseram boas inten\u00e7\u00f5es, aguardando pela mudan\u00e7a do calend\u00e1rio, como se mais nada ocorresse, entretanto. No entanto, esta \u00e9 apenas uma ilus\u00e3o. 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