{"id":21953,"date":"2013-03-06T16:46:00","date_gmt":"2013-03-06T16:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21953"},"modified":"2013-03-06T16:46:00","modified_gmt":"2013-03-06T16:46:00","slug":"ceramista-joao-lavado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ceramista-joao-lavado\/","title":{"rendered":"Ceramista Jo\u00e3o Lavado"},"content":{"rendered":"<p>Aveirenses Not\u00e1veis <!--more--> Primeiro na F\u00e1brica Aleluia, depois nas Faian\u00e7as S. Roque, Jo\u00e3o Lavado foi um dos grandes ceramistas de Aveiro. Texto de Cardoso Ferreira.<\/p>\n<p>Nascido em 1905, Jo\u00e3o Marques de Oliveira, conhecido no mundo da cer\u00e2mica art\u00edstica e da azulejaria aveirense por Jo\u00e3o Lavado, foi um dos grandes mestres de pintura das f\u00e1bricas \u201cAleluia\u201d e \u201cFaian\u00e7as S. Roque\u201d.<\/p>\n<p>Em 1919, com apenas 14 anos de idade, Jo\u00e3o Lavado j\u00e1 estava na F\u00e1brica Aleluia, como aprendiz, j\u00e1 que nesse tempo a \u201cescola art\u00edstica\u201d fazia-se com a experi\u00eancia e o trabalho nas f\u00e1bricas, aprendendo com os mestres. Apesar disso, n\u00e3o descurou o ensino formal, mesmo na \u00e1rea mais art\u00edstica, pelo que frequentou a Escola Industrial Fernando Caldeira, onde teve por mestres grandes nomes das artes aveirenses: Silva Rocha, autor de in\u00fameros edif\u00edcios \u201cArte Nova\u201d da cidade, ensinou-lhe desenho, enquanto o escultor Rom\u00e3o J\u00fanior foi seu mestre em modela\u00e7\u00e3o. Na pintura cer\u00e2mica teve como professor Gerv\u00e1sio Aleluia, um mestre pintor na F\u00e1brica Aleluia. Mais tarde, e ainda nessa escola, teve aulas de escultura com o escultor Andrade.<\/p>\n<p>Na f\u00e1brica Aleluia, Jo\u00e3o Lavado foi aprendendo muito bem as diversas t\u00e9cnicas das artes cer\u00e2micas e da azulejaria art\u00edstica e, cerca de d\u00e9cada e meia volvida, j\u00e1 era um dos mestres pintores, mas a sua subida na hierarquia art\u00edstica prosseguiu, at\u00e9 atingir o topo. Acabaria por deixar a empresa no ano de 1945 para se aventurar num novo projeto, entrando para a F\u00e1brica de S. Roque. No seu lugar ficou Louren\u00e7o Limas, outro nome incontorn\u00e1vel da azulejaria aveirense.<\/p>\n<p>Enquanto esteve na f\u00e1brica \u201cAleluia\u201d, Jo\u00e3o Lavado criou obras \u00edmpares, tanto na azulejaria como na lou\u00e7a art\u00edstica. Desta \u00faltima, um dos seus expoentes m\u00e1ximos \u00e9 o famoso jarr\u00e3o \u201cCidade de Aveiro\u201d, entre outras pe\u00e7as \u00fanicas, muitas das quais est\u00e3o em cole\u00e7\u00f5es, incluindo no estrangeiro. J\u00e1 na azulejaria, foi autor de pain\u00e9is que revestem espa\u00e7os p\u00fablicos, tanto em Aveiro, por exemplo no edif\u00edcio dos Pa\u00e7os do Concelho, como em diferentes terras, nomeadamente em esta\u00e7\u00f5es dos caminhos-de-ferro.<\/p>\n<p>Na f\u00e1brica \u201cAleluia\u201d, Jo\u00e3o Lavado assumiu a presid\u00eancia do N\u00facleo de A\u00e7\u00e3o Cultural, que inclu\u00eda um orfe\u00e3o e um grupo de teatro. Neste \u00faltimo, tamb\u00e9m mostrou os seus dotes de ator, integrando o elenco da pe\u00e7a \u201cO Primeiro Beijo\u201d, baseada na obra de J\u00falio Dantas.<\/p>\n<p>Respons\u00e1vel art\u00edstico <\/p>\n<p>das Faian\u00e7as S. Roque<\/p>\n<p>Em 1955, j\u00e1 como um dos s\u00f3cios da F\u00e1brica de Lou\u00e7as e Azulejos S. Roque, Jo\u00e3o Lavado faz surgir a \u201cFaian\u00e7as S. Roque\u201d, uma unidade especializada em lou\u00e7as decorativas e art\u00edsticas que, devido \u00e0 qualidade das suas pe\u00e7as, ganha grande reputa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, estando tamb\u00e9m presente em cole\u00e7\u00f5es estrangeiras.<\/p>\n<p>Na \u201cFaian\u00e7as S. Roque\u201d, Jo\u00e3o Lavado chamou a si toda a responsabilidade art\u00edstica, da conce\u00e7\u00e3o ao acabamento final, tanto na modela\u00e7\u00e3o como na pintura, incrementando a produ\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as \u00fanicas, a par de lou\u00e7as decorativas de elevada qualidade art\u00edstica produzidas industrialmente. Muitas das pe\u00e7as mais relevantes entre 1945 e 1975 resultaram da imagina\u00e7\u00e3o e da inspira\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Jo\u00e3o Lavado, que tamb\u00e9m nunca deixou de aceitar os desafios que lhe eram colocados por pessoas que lhe encomendavam pe\u00e7as mais originais.<\/p>\n<p>Em 1975, reformou-se, mantendo, no entanto, uma pequena oficina em casa, onde continuou a pintar cer\u00e2mica, que posteriormente era cozida em oficinas de artistas amigos.<\/p>\n<p>De aprendiz a mestre<\/p>\n<p>Tanto no per\u00edodo em que esteve na \u201cAleluia\u201d, como depois na \u201cFaian\u00e7as S. Roque\u201d, Jo\u00e3o Lavado procurou aprender sempre, tentando conhecer o que de melhor e mais relevante se fazia em Portugal e tamb\u00e9m no estrangeiro. A par disso, contactava com os grandes mestres nacionais da cer\u00e2mica e da azulejaria, muitos dos quais admiravam a sua dif\u00edcil t\u00e9cnica de pintar sobre enchacote e de cozer as pe\u00e7as em forno de chama direta.<\/p>\n<p>Se teve bons mestres, n\u00e3o s\u00f3 enquanto aprendiz na f\u00e1brica \u201cAleluia\u201d, como tamb\u00e9m na escola, Jo\u00e3o Lavado foi tamb\u00e9m um mestre para muitos dos pintores que, anos mais tarde, alcan\u00e7aram tamb\u00e9m o estatuto de mestre. Um desses seus aprendizes foi Jo\u00e3o dos Santos Calisto, falecido em 2012, que come\u00e7ou a pintar barcos e barricas na casa de Jo\u00e3o Lavado. Este, pouco tempo depois, levou-o como aprendiz para a \u201cAleluia\u201d, onde tamb\u00e9m ele chegou ao topo da hierarquia art\u00edstica.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Lavado na Hist\u00f3ria Cer\u00e2mica de Aveiro<\/p>\n<p>M\u00e1rio da Rocha, um outro grande vulto das artes aveirenses (e vaguenses), afirmou, em 1992, que Jo\u00e3o Lavado \u201cfaz parte da Hist\u00f3ria da Cer\u00e2mica de Aveiro\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Lavado foi tamb\u00e9m um artista que mostrou a sua arte ao p\u00fablico de Aveiro, participando em exposi\u00e7\u00f5es, como a I Exposi\u00e7\u00e3o dos Artistas de Aveiro, realizada em 1963, a exposi\u00e7\u00e3o de cer\u00e2mica comemorativa do XV Anivers\u00e1rio das \u201cFaian\u00e7as S. Roque\u201d, ocorrida em 1971, a exposi\u00e7\u00e3o \u201c3 Artistas em exposi\u00e7\u00e3o 72\u201d, que teve lugar em 1972, e a exposi\u00e7\u00e3o de cer\u00e2mica realizada na Galeria Municipal de Aveiro, em Abril de 1992. <\/p>\n<p>No dia 2 de maio de 1992, Jo\u00e3o Lavado foi alvo de um almo\u00e7o de homenagem promovido por uma comiss\u00e3o que integrou individualidades e coletividades do meio art\u00edstico e cultural e poderes aut\u00e1rquicos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aveirenses Not\u00e1veis<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-21953","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21953","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21953"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21953\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21953"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21953"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21953"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}