{"id":21961,"date":"2013-03-06T18:03:00","date_gmt":"2013-03-06T18:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21961"},"modified":"2013-03-06T18:03:00","modified_gmt":"2013-03-06T18:03:00","slug":"os-numeros-e-o-descontentamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-numeros-e-o-descontentamento\/","title":{"rendered":"Os n\u00fameros e o descontentamento"},"content":{"rendered":"<p>Ponta de Lan\u00e7a <!--more--> O pa\u00eds saiu \u00e0 rua!<\/p>\n<p>Mas ter\u00e1 sido todo o pa\u00eds? Ter\u00e3o estado dez milh\u00f5es de pessoas a marchar contra a troika? \u201cQue se lixe isso\u201d \u2013 parafraseando um eventual cartaz.<\/p>\n<p>O essencial est\u00e1 nas ideias para o governo, segundo alguns, ou desgoverno, segundo a maioria, do pa\u00eds. \u00c9 \u00f3bvio que a grande maioria das pessoas quer apenas ter condi\u00e7\u00f5es para honrar os seus compromissos! <\/p>\n<p>Salvo raras exce\u00e7\u00f5es, todos os anos, em janeiro, esperavam-se (sempre) novos aumentos: nos sal\u00e1rios, nos combust\u00edveis, nos transportes\u2026 em tudo, mas sobretudo nos sal\u00e1rios, no poder de compra. Subiu-se tanto, sobretudo em qualidade de vida e na d\u00edvida da mesma, nos \u00faltimos trinta anos, que obrigar as pessoas a perderem tudo o que acreditaram, lutaram e, justamente, atingiram n\u00e3o pode ser feito num ano ou dois e, de maneira particular, \u00e0 custa de juros sobre d\u00edvidas que, apesar de indiretamente partilhadas, teria sido mais prudente ter acautelado evitando loucuras: submarinos, autoestradas, \u201cintoxica\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria\u201d do tecido produtivo\u2026<\/p>\n<p>Como est\u00e1 at\u00e9 parece claro que s\u00f3 duas dicotomias na orienta\u00e7\u00e3o dos atuais governantes europeus: trabalhadores mais pobres \u2013 maiores margens de lucro; austeridade (para as massas) \u2013 oligocracia (no poder). <\/p>\n<p>Mas isto das d\u00edvidas dos pa\u00edses n\u00e3o \u00e9 contabilidade de merceeiro ou agiota, s\u00e3o acordos de solidariedade soberana e interdepend\u00eancias.<\/p>\n<p>Todos sabemos, com os devidos ajustes aos contextos atuais, mas S\u00e9rgio An\u00edbal recorda-o, num artigo no \u201cP\u00fablico\u201d: H\u00e1 60 anos, 70 pa\u00edses decidiram perdoar quase dois ter\u00e7os da d\u00edvida externa alem\u00e3. O pa\u00eds duplicou o seu PIB na d\u00e9cada seguinte. <\/p>\n<p>Com a troika em Portugal e com o Governo, os partidos da oposi\u00e7\u00e3o e os parceiros sociais a pedirem uma melhoria das condi\u00e7\u00f5es dos empr\u00e9stimos que foram concedidos ao pa\u00eds, uma efem\u00e9ride registada na passada semana dificilmente poderia passar em claro. Na quarta-feira, conclu\u00edram-se 60 anos desde que foi assinado o acordo de perd\u00e3o de d\u00edvida entre a Rep\u00fablica Federal da Alemanha e os seus credores, onde se destacavam os Estados Unidos, o Reino Unido e a Fran\u00e7a, mas onde tamb\u00e9m surgia a Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p>A 27 de Fevereiro de 1953, a economia alem\u00e3, que tinha atingido o fundo ap\u00f3s a II Guerra Mundial, deu um passo decisivo para uma recupera\u00e7\u00e3o classificada por muitos como milagrosa. Desembara\u00e7ou-se de quase dois ter\u00e7os da sua d\u00edvida externa e iniciou uma d\u00e9cada em que conseguiu duplicar o seu PIB.<\/p>\n<p>Haja quem explique quando e como, num pa\u00eds como o nosso, com um PIB na ordem dos 160 mil milh\u00f5es de euros, podemos desembara\u00e7ar-nos deste peso da d\u00edvida e recuperar a soberania? Basta de engodos e demagogias, raz\u00e3o do nosso descontentamento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ponta de Lan\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-21961","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21961","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21961"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21961\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}