{"id":21962,"date":"2013-03-06T18:05:00","date_gmt":"2013-03-06T18:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21962"},"modified":"2013-03-06T18:05:00","modified_gmt":"2013-03-06T18:05:00","slug":"o-meu-passeio-de-sabado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-meu-passeio-de-sabado\/","title":{"rendered":"O meu passeio de s\u00e1bado"},"content":{"rendered":"<p>Bolores &#8211; 10 <!--more--> \u00c9 um v\u00edcio este, meu. Principalmente ao s\u00e1bado, antes da hora do almo\u00e7o, depois de uma bica reconfortante, tomada nos AVEIRENSES, no CONV\u00cdVIO ou no GRIN\u2019S, caf\u00e9s do meu Bairro, \u00e0 sombra de dois dedos de conversa com os marretas Drs. Gir\u00e3o Pereira, Henrique de Oliveira e Jos\u00e9 Balac\u00f3 (assim nos tratamos, numerados no respeito de uma hierarquia de idades, por conta do cadinho de amizade que os anos permitiram consolidar), embarco no meu carro e dou o meu \u201cpasseio dos tristes\u201d, as mais das vezes acompanhado pelo amigo Henrique quando o consigo despegar do seu computador onde ele vai construindo, incansavelmente, o seu nunca acabado \u201csite\u201d AVEIRO E CULTURA.<\/p>\n<p>Esse \u201cpasseio dos tristes\u201d tem quase sempre o mesmo itiner\u00e1rio. Poderemos come\u00e7ar por um lado ou por outro mas, sem darmos por ela, nunca deixamos de visitar os mesmos polos do nosso interesse de cidad\u00e3os: o campus universit\u00e1rio de S\u00e3o Tiago que est\u00e1 sempre em mudan\u00e7a; uma olhadela pelo bairro do Alboi para ver como as obras em curso v\u00e3o acabar; depois, uma vistoria das v\u00e1rias zonas do nosso porto.<\/p>\n<p>No \u00faltimo s\u00e1bado fui sozinho. Passei pela Universidade e logo de seguida fui direito ao canal das Pir\u00e2mides, levado por uma not\u00edcia na qual a ADERAVE criticava o local e a forma como essas pir\u00e2mides, durante tanto tempo desaparecidas, regressaram ao canal que delas tomou o nome.<\/p>\n<p>Lembro-me muito bem dos tempos em que esta avenida de \u00e1gua era debruada por esmerados muros em que as esguias pir\u00e2mides se erguiam no seu extremo norte, como que definindo o termo da urbe. <\/p>\n<p>Por esses tempos n\u00e3o havia obst\u00e1culo algum a delimitar essa superf\u00edcie l\u00edquida. A eclusa que o Dr. Gir\u00e3o em boa hora mandou construir ainda l\u00e1 n\u00e3o estava para impedir que as mar\u00e9s baixas deixassem a descoberto o leito da ria com as suas lamas malcheirosas que, ent\u00e3o, eram objeto de desagrad\u00e1veis mas justificad\u00edssimas cr\u00edticas vindas de quem nos visitava. \u00c9 certo que a eclusa veio alterar a leitura do espelho de \u00e1gua que se estendia para al\u00e9m do canal. Mas os benef\u00edcios vieram a revelar-se altamente compensadores. Hoje s\u00f3 em situa\u00e7\u00f5es de curta dura\u00e7\u00e3o verdadeiramente excecionais \u00e9 que voltamos a ver o repelente leito da ria e a sentir o mau cheiro que dele se desprende. <\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que, depois da constru\u00e7\u00e3o da eclusa, por raz\u00f5es que desconhe\u00e7o, os muros da parte do canal para al\u00e9m dessa eclusa ru\u00edram, n\u00e3o sem que, a tempo, tivessem sido retiradas dos seus pedestais as pir\u00e2mides. <\/p>\n<p>Agora voltaram aos muros do canal. E eu tamb\u00e9m concordo com as cr\u00edticas da ADERAVE, n\u00e3o tanto quanto aos malef\u00edcios que o tempo e a inc\u00faria das pessoas lhes infligiram, mas sim quanto ao local em que foram recolocadas. \u00c9 que os muros para al\u00e9m da eclusa deveriam ser reconstru\u00eddos e as pir\u00e2mides deveriam ser implantadas, tanto quanto poss\u00edvel, no local em que sempre estiveram.<\/p>\n<p>A marinha da Troncalhada est\u00e1 ali mesmo ao lado. \u00c9 um destino de visita de muitos turistas e de muitos estudantes. A sensa\u00e7\u00e3o de abandono para que toda a envolvente foi remetida \u00e9 verdadeiramente confrangedora. <\/p>\n<p>Da desaparecida estrada que me levava \u00e0 praia da Barra nas camionetas da Aveirense quando eu era menino, resta um miser\u00e1vel caminho que d\u00e1 acesso \u00e0s instala\u00e7\u00f5es desportivas do Clube N\u00e1utico e do Sporting Clube de Aveiro que o interrompem. Do lado das marinhas de sal, (algumas ainda resistem e continuam a ser amanhadas), o caminho era bordado por tramagueiras que antigamente eram podadas. Do lado da Cale da Vila, as fortes correntes de \u00e1gua destru\u00edram as prote\u00e7\u00f5es de pedra, esburacando o que resta do caminho e criando aut\u00eanticas ratoeiras. Para al\u00e9m disto tudo, registe-se a enorme quantidade de lixo que encharca todo o percurso. <\/p>\n<p>Olhando para norte, o espet\u00e1culo que nos \u00e9 dado apreciar \u00e9 confrangedor. Antigamente, toda aquela margem da cale tinha muros de torr\u00e3o sempre cuidados. Os marnotos tratavam da sua manuten\u00e7\u00e3o e, nas eiras das marinhas, logo que chegavam os dias mais compridos e os calores de ver\u00e3o adivinhado, come\u00e7avam a despontar os cones alvos do sal a brilhar ao sol. Hoje, esses muros arronharam, est\u00e3o todos rotos e, na mar\u00e9 baixa, as antigas marinhas convertem-se num lama\u00e7al sem fim. Na mar\u00e9 cheia, as \u00e1guas da cale invadem tudo e n\u00e3o se sabe onde ficam as fronteiras do que foi, antigamente, uma das partes mais produtivas do salgado aveirense.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho saudades da ponte de madeira que, noutros tempos, ligava esta estrada ora arruinada \u00e0 Gafanha da Nazar\u00e9. O progresso saud\u00e1vel deu lugar a um porto comercial bem movimentado e a um estaleiro que renasceu da antiga CARNAVE.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o tenho saudades da outra ponte de madeira que ligava o Forte \u00e0 praia da Barra.<\/p>\n<p>O progresso deu-nos alternativas bem mais seguras e bem mais agrad\u00e1veis.<\/p>\n<p>Mas tenho pena que, a seu tempo, se tenha perdido a oportunidade de converter o assoreamento assustador do canal de Mira, no intervalo fronteiro ao atual porto da pesca costeira, na MARINA que servisse muita da navega\u00e7\u00e3o de recreio de alto mar que passa nas nossas barbas num incessante ir e vir entre o norte rico da Europa  e o Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>De 14 a 15 de mar\u00e7o ir\u00e1 realizar-se mais um Congresso da Regi\u00e3o de Aveiro, promovido pela Comunidade Intermunicipal da Regi\u00e3o de Aveiro, cujo presidente \u00e9 o incans\u00e1vel engenheiro Ribau Esteves. <\/p>\n<p>Deus ilumine os seus intervenientes na busca de solu\u00e7\u00f5es duradouras que permitam que a galinha dos ovos de ouro que \u00e9 a nossa Ria n\u00e3o morra por conta da nossa inc\u00faria.<\/p>\n<p>Fala-se na vinda de um especialista holand\u00eas, Dick Van Den Bergh, que vir\u00e1 apresentar solu\u00e7\u00f5es para a Ria de Aveiro.<\/p>\n<p>Estes senhores holandeses sabem do que falam. Eles quase que inventaram parte significativa do seu territ\u00f3rio p\u00e1trio.<\/p>\n<p>E a nossa Ria est\u00e1 mesmo a precisar de um saber de experi\u00eancia feito. <\/p>\n<p>Chega de \u201cwords, words, nothing but words\u201d!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bolores &#8211; 10<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-21962","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21962","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21962"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21962\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21962"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21962"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21962"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}