{"id":21965,"date":"2013-03-13T15:45:00","date_gmt":"2013-03-13T15:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=21965"},"modified":"2013-03-13T15:45:00","modified_gmt":"2013-03-13T15:45:00","slug":"conclave-de-a-a-z","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/conclave-de-a-a-z\/","title":{"rendered":"Conclave de A a Z"},"content":{"rendered":"<p>Come\u00e7ou ontem, 12 de mar\u00e7o, o conclave que vai eleger o sucessor de Bento XVI. Ser\u00e1 o 266.\u00ba Papa da Igreja Cat\u00f3lica. <!--more--> Anel do Pescador<\/p>\n<p>O Anel do Pescador, o carimbo e os selos brancos utilizados no pontificado de Bento XVI para autenticar documentos papais foram inutilizados no dia 9 de mar\u00e7o. O novo Anel do Pescador vai ser id\u00eantico ao anterior, com o mesmo desenho de S\u00e3o Pedro a pescar \u00e0 rede numa barca, mas, naturalmente, com o nome do novo Papa.<\/p>\n<p>Bento XVI<\/p>\n<p>Jospeh Ratzinger ser\u00e1 o d\u00e9cimo Papa a conhecer o seu sucessor. O primeiro foi Ponciano, no ano 235. Abdicou por ter sido condenado a trabalhar nas minas da Sardenha. Antes de Bento XVI, o \u00faltimo a conhecer o seu sucessor foi Greg\u00f3rio XII, que em 1451 renunciou, abrindo caminho \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de Martinho V para eliminar a divis\u00e3o (fomentada por quest\u00f5es pol\u00edticas) entre cat\u00f3licos que obedeciam ao Papa de Roma e ao \u2018antipapa\u2019 de Avinh\u00e3o.<\/p>\n<p>Conclave<\/p>\n<p>Conclave \u00e9 palavra com origem no latim \u2018cum clavis\u2019 (fechado \u00e0 chave). Na origem, esteve a dif\u00edcil elei\u00e7\u00e3o de Greg\u00f3rio X, que demorou 33 meses, de dezembro de 1268 a setembro de 1274. Foi preciso fechar os cardeais \u00e0 chave e restringir-lhes os alimentos, mas mesmo assim a elei\u00e7\u00e3o demorou. Greg\u00f3rio X estipulou um tempo de espera de 10 dias ap\u00f3s a morte do Papa pelos cardeais que vinham de fora e estabeleceu que a reuni\u00e3o tem de decorrer num lugar \u201cfechado \u00e0 chave\u201d (\u2018cum clavis\u2019). Em rigor, o conclave atual \u00e9 apenas o 75.\u00ba.<\/p>\n<p>Dentro<\/p>\n<p>O novo Papa dever\u00e1 ser um dos homens do conclave. Qualquer homem solteiro em comunh\u00e3o com a Igreja Cat\u00f3lica pode ser eleito Papa, mas h\u00e1 mais de 600 anos que o escolhido \u00e9 um cardeal. O \u00faltimo pont\u00edfice vindo de fora do Col\u00e9gio Cardinal\u00edcio foi Urbano VI, em 1378.<\/p>\n<p>Europa<\/p>\n<p>A maioria dos eleitores s\u00e3o europeus. Dos 115 que votam, 60 s\u00e3o europeus, 19 da Am\u00e9rica Latina, 14 de Am\u00e9rica do Norte, 11 de \u00c1frica, 10 da \u00c1sia e 1 da Oce\u00e2nia. Os pa\u00edses com mais cardeais, das 48 na\u00e7\u00f5es representadas s\u00e3o It\u00e1lia (28), EUA (11), Alemanha (6), Brasil, Espanha e \u00cdndia (5 cada).<\/p>\n<p>Fumo<\/p>\n<p>Os tr\u00eas escrutinadores sorteados no in\u00edcio do processo abrem cada um dos boletins, lendo o seu conte\u00fado em voz alta. Os votos s\u00e3o perfurados onde est\u00e1 escrita a palavra \u201celigo\u201d e presos num fio. No final da recontagem s\u00e3o ligados com um n\u00f3, colocados num recipiente e posteriormente queimados. Se houver lugar a uma segunda vota\u00e7\u00e3o, contudo, os votos dos dois escrut\u00ednios e os escritos de qualquer esp\u00e9cie relacionados com o resultado de cada escrut\u00ednio s\u00e3o queimados em conjunto. Se o fumo que sai da chamin\u00e9 da Capela Sistina for negro, significa que n\u00e3o houve acordo entre os cardeais; se for branco, foi escolhido o novo Papa.<\/p>\n<p>Greg\u00f3rio XV<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da escolha do Papa \u00e9 longa e, com certeza, continuar\u00e1 a sofrer adapta\u00e7\u00f5es. Nicolau II, em 1059, determinou que apenas os cardeais participam na elei\u00e7\u00e3o. Alexandre III, em 1179, determinou que s\u00f3 ser\u00e1 eleito quem tiver uma maioria de dois ter\u00e7os, norma que se mant\u00e9m. Greg\u00f3rio XV, em 1621, definiu a \u00fanica modalidade de elei\u00e7\u00e3o: voto secreto e por escrito.<\/p>\n<p>Habemus Papam<\/p>\n<p>Uma vez ocorrida a elei\u00e7\u00e3o, resta ao novo eleito responder a duas quest\u00f5es: \u201cAcceptasne eletionem de te canonice factam in Summum Pontificem?\u201d (Aceitas a tua elei\u00e7\u00e3o, canonicamente feita, para Sumo Pont\u00edfice?) e  \u201cQuo nomine vis vocari?\u201d (Como queres ser chamado?). O mestre das cerim\u00f3nias lit\u00fargicas \u00e9 chamado, desempenhando fun\u00e7\u00f5es de not\u00e1rio, e redige um documento de aceita\u00e7\u00e3o. Dois cerimoni\u00e1rios (assistentes) entram e servem de testemunhas. Este documento entrar\u00e1 em vigor imediatamente depois da sua publica\u00e7\u00e3o no jornal do Vaticano, \u201cL\u2019Osservatore Romano\u201d, por determina\u00e7\u00e3o de Bento XVI. Ap\u00f3s a escolha do nome, os cardeais prestam homenagem um a um os e apresentam a sua obedi\u00eancia ao novo Papa. O an\u00fancio \u00e9 feito, em seguida, pelo cardeal protodi\u00e1cono D. Jean-Louis Tauran, franc\u00eas, aos fi\u00e9is: \u201cAnnuntio vobis gaudium magnum: Habemus papam\u201d (\u201cAnuncio-vos uma grande alegria: Temos Papa\u201d).<\/p>\n<p>Idade dos cardeais<\/p>\n<p>A m\u00e9dia de idade dos 115 cardeais do conclave \u00e9 de cerca de 71 anos. 46 eleitores t\u00eam 75 ou mais anos. 19 cardeais tem 65 anos ou menos. Os dois mais novos s\u00e3o D. Luis Antonio Tagle, filipino de 55 anos, e D. Baselios Thottunkal, da \u00cdndia, com 53 anos de idade.<\/p>\n<p>Juramento<\/p>\n<p>Proibir e excomungar s\u00e3o alguns dos verbos usados na legisla\u00e7\u00e3o sobre a escolha do Papa para tentar assegurar o segredo do escrut\u00ednio, n\u00e3o s\u00f3 aquando do Conclave mas durante toda a vida. Os cardeais eleitores s\u00e3o obrigados a abster-se de correspond\u00eancia epistolar e de conversas mesmo telef\u00f3nicas ou via r\u00e1dio com pessoas n\u00e3o devidamente admitidas nos edif\u00edcios a eles reservados. O juramento de guardar segredo estende-se a diversos funcion\u00e1rios (n\u00e3o cardeais) que colaboram no conclave.<\/p>\n<p>L\u00e1grimas<\/p>\n<p>A Sala das L\u00e1grimas \u00e9 um pequeno espa\u00e7o \u00e0 esquerda do altar da Capela Sistina. \u00c9 para l\u00e1 que vai o novo Papa depois da elei\u00e7\u00e3o, para vestir as tradicionais roupas brancas e vermelhas do Pont\u00edfice. A sala \u00e9 das \u201cl\u00e1grimas\u201d por alus\u00e3o \u00e0s l\u00e1grimas de emo\u00e7\u00e3o derramadas pelos cardeais que foram eleitos Papa.<\/p>\n<p>Missa<\/p>\n<p>Ainda com a presen\u00e7a de muitas outras pessoas, a elei\u00e7\u00e3o do Papa \u00e9 precedida pela \u201cMissa pro eligendo pont\u00edfice\u201d (\u201cMissa pela elei\u00e7\u00e3o do pont\u00edfice\u201d). A de ontem foi presidida pelo cardeal Angelo Sodano, o cardeal nomeado h\u00e1 mais tempo \u2013 que n\u00e3o participa no conclave por ter mais de 80 anos (ver p\u00e1gina 06).<\/p>\n<p>Nome<\/p>\n<p>Jo\u00e3o (23), Bento (16) e Greg\u00f3rio (16) s\u00e3o os nomes mais vezes escolhidos pelos papas, uma decis\u00e3o que \u00e9 o \u00faltimo ato formal do conclave, correspondendo a uma tradi\u00e7\u00e3o antiga da Igreja Cat\u00f3lica. No in\u00edcio do cristianismo o eleito usava o seu nome \u2013 Lino, Clemente, Eleut\u00e9rio, Aniceto, entre outros -, mas a partir de 532 a tradi\u00e7\u00e3o de mudar o nome instalou-se: o eleito chamava-se Merc\u00fario, denomina\u00e7\u00e3o de uma divindade pag\u00e3, e adotou o nome de um dos ap\u00f3stolos, passando a chamar-se Jo\u00e3o II.<\/p>\n<p>Ora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A resposta cat\u00f3lica a \u201cquem escolhe o Papa?\u201d \u00e9 \u201co Esp\u00edrito Santo\u201d. Os cardeais s\u00e3o media\u00e7\u00f5es humanas. Por isso, por todo o lado surgem apelos \u00e0 ora\u00e7\u00e3o para que seja escolhido o melhor (mais santo? mais s\u00e1bio? mais humilde? mais audaz?) para chefiar a Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>Portugueses<\/p>\n<p>H\u00e1 dois portugueses nesta elei\u00e7\u00e3o: D. Jos\u00e9 Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa, que j\u00e1 participou no conclave anterior, e D. Manuel Monteiro de Castro, penitenci\u00e1rio-mor da Santa S\u00e9, que ser\u00e1 o d\u00e9cimo cardeal portugu\u00eas num conclave desde 1903. Neste conclave, o primeiro ser\u00e1 o 32.\u00ba cardeal a votar, enquanto o segundo ocupa o 106.\u00ba lugar na lista.<\/p>\n<p>Qu\u00edmicos<\/p>\n<p>Para dar a cor negra (ainda n\u00e3o eleito) ao fumo que sai da chamin\u00e9 da Capela Sistina s\u00e3o acrescentados produtos qu\u00edmicos aos boletins a queimar: uma mistura de perclorato de pot\u00e1ssio (usado em fogo de artif\u00edcio), antraceno (hidrocarboneto arom\u00e1tico) e enxofre. O fumo branco que anuncia a elei\u00e7\u00e3o de um novo Papa, vai ser produzido num equipamento eletr\u00f3nico atrav\u00e9s da mistura de clorato de pot\u00e1ssio, lactose e resina.<\/p>\n<p>Reforma<\/p>\n<p>Reforma, principalmente da c\u00faria romana, foi a grande nota sa\u00edda das congrega\u00e7\u00f5es cardinal\u00edcias (reuni\u00f5es dos cardeais) pr\u00e9-conclave. Na realidade, houve muita reserva sobre o que os cardeais conversaram e que poder\u00e1 determinar o rumo da elei\u00e7\u00e3o pontif\u00edcia. Al\u00e9m da reforma da c\u00faria romana (servi\u00e7os que ajudam o Papa), em parte motivada pelo esc\u00e2ndalo do Vatileaks (fuga de documentos papais reservados), falou-se da import\u00e2ncia da f\u00e9 e do papel da igreja no mundo atual, da situa\u00e7\u00e3o da mulher na Igreja Cat\u00f3lica e da administra\u00e7\u00e3o dos bens do Vaticano.<\/p>\n<p>Sistina<\/p>\n<p>Capela onde se realiza o conclave. A Capela Sistina, decorada por Miguel \u00c2ngelo e disc\u00edpulos, deve o seu nome a Sisto IV, Papa entre 1471 e 1484, que promoveu as obras de restauro da antiga Capela Magna a partir de 1477.<\/p>\n<p>Tempo<\/p>\n<p>Elei\u00e7\u00e3o demorada ou r\u00e1pida? Antes do conclave j\u00e1 de disse de tudo. Que iria ser r\u00e1pida. E que iria demorar muito por n\u00e3o haver favoritos. Fica o registo dos \u00faltimos conclaves: elei\u00e7\u00e3o de Pio X, em 1903: 5 dias, 7 vota\u00e7\u00f5es; elei\u00e7\u00e3o de Bento XV, em 1914: 4 dias, 10 vota\u00e7\u00f5es; Pio XI, em 1922: 4 dias, 14 vota\u00e7\u00f5es; Pio XII, em 1939: 2 dias, 3 vota\u00e7\u00f5es; Jo\u00e3o XXIII, em 1958: 3 dias, 11 vota\u00e7\u00f5es: Paulo VI, em 1963: 3 dias, 6 vota\u00e7\u00f5es; Jo\u00e3o Paulo I, em 1978: 2 dias, 4 vota\u00e7\u00f5es; Jo\u00e3o Paulo II, em 1978, 3 dias, 8 vota\u00e7\u00f5es; Bento XVI, em 2005:2 dias, 4 vota\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Urbi et orbi<\/p>\n<p>A b\u00ean\u00e7\u00e3o \u2018urbi et orbi\u2019 (\u00e0 cidade [de Roma] e ao mundo), desde a varanda central da Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, \u00e9 o primeiro ato p\u00fablico previsto para o novo Papa, ap\u00f3s o an\u00fancio da sua elei\u00e7\u00e3o (\u201cHabemus Papam\u201d). O tempo entre o surgimento do fumo branco e o momento em que o novo Papa \u00e9 visto pela primeira vez para a sauda\u00e7\u00e3o e a b\u00ean\u00e7\u00e3o ronda os 50 minutos.<\/p>\n<p>Vota\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A vota\u00e7\u00e3o acontece com o preenchimento de um boletim retangular, que apenas traz impressa a men\u00e7\u00e3o \u201cEligo in Summum Pontificem\u201d (\u201cElejo como Sumo Pont\u00edfice\u201d) na parte superior. Na metade inferior est\u00e1 o espa\u00e7o para escrever o nome do eleito, pedindo-se que os cardeais disfarcem a sua caligrafia. O boletim \u00e9 dobrado em dois e \u00e9 levado de forma vis\u00edvel ao altar, onde est\u00e1 colocada uma urna, onde os cardeais, por ordem de cria\u00e7\u00e3o, pronunciam o juramento: \u201cInvoco como testemunha Cristo Senhor, o qual me h\u00e1 de julgar, que o meu voto \u00e9 dado \u00e0quele que, segundo Deus, julgo deve ser eleito\u201d. O juramento \u00e9 feito apenas no primeiro escrut\u00ednio. O cardeal deposita o seu voto na urna, tapada pelo prato no qual o boletim tinha sido colocado.<\/p>\n<p>Xis<\/p>\n<p>A grande inc\u00f3gnita. Quem ser\u00e1 o sucessor de Bento XVI? Um europeu? Um africano? Um asi\u00e1tico? Um americano? S\u00e3o Greg\u00f3rio III, da S\u00edria, que liderou a Igreja Cat\u00f3lica entre 731 e 741, foi o \u00faltimo Papa n\u00e3o-europeu, integrando o lote de 11 pont\u00edfices nascidos no M\u00e9dio Oriente (8) e \u00c1frica (3), at\u00e9 ao s\u00e9culo VIII.<\/p>\n<p>Z\u00f3zimo<\/p>\n<p>Papa de origem grega. O seu pai chamava-se Abra\u00e3o, o que leva alguns a afirmarem que tinha origem judaicas, como o primeiro papa. Z\u00f3zimo foi pont\u00edfice em 417 e 418. Escreveu uma carta sobre a superioridade da sede apost\u00f3lica contra os que apelavam ao poder civil para quest\u00f5es religiosas.<\/p>\n<p>J.P.F., com ag\u00eancias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7ou ontem, 12 de mar\u00e7o, o conclave que vai eleger o sucessor de Bento XVI. 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