{"id":22001,"date":"2013-03-13T17:21:00","date_gmt":"2013-03-13T17:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22001"},"modified":"2013-03-13T17:21:00","modified_gmt":"2013-03-13T17:21:00","slug":"os-melhores-dias-estao-para-vir-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/os-melhores-dias-estao-para-vir-2\/","title":{"rendered":"Os melhores dias est\u00e3o para  vir!"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Assim respondia a minha m\u00e3e, quando ouvia dizer \u00abantigamente \u00e9 que era bom\u00bb\u2026 <\/p>\n<p>N\u00e3o negava que teria sido bom e que talvez nos sent\u00edssemos melhor ent\u00e3o; e muito menos negava o que a nossa hist\u00f3ria apresenta como momentos altos \u2013 daqueles que \u201cedificam\u201d (isto \u00e9, constroem) personalidades optimistas e arrojadas.<\/p>\n<p>Era como se conhecesse a 1.\u00aa leitura: tamb\u00e9m n\u00e3o nega os tempos de gl\u00f3ria do povo israelita \u2013 mas apresenta-os como est\u00edmulo para se criarem novos tempos. N\u00e3o podemos ficar no passado \u2013 uma coisa \u00e9 a alegria de boas mem\u00f3rias, outra coisa \u00e9 agarrar-se a elas \u00abcomo um menino \u00e0s saias da m\u00e3e\u00bb. O \u00abpovo eleito\u00bb n\u00e3o \u00e9 bom por Deus o ter ajudado mas ser\u00e1 bom se se fizer digno de maiores ajudas de Deus (e dos Homens\u2026). O profeta sente que, da parte de Deus, h\u00e1 sinais de um futuro cada vez melhor para a humanidade: e diz ao \u00abmenino\u00bb para se soltar do aconchego passado e agarrar-se \u00e0 esperan\u00e7a criadora dos melhores tempos.<\/p>\n<p>S. Paulo parece exagerar apaixonadamente ao considerar \u00ablixo\u00bb toda a sua vida anterior ao encontro com Jesus Cristo \u2013 porque a considerava um empecilho ao novo caminho escolhido. E diz claramente: \u00abesque\u00e7o o passado, para me lan\u00e7ar continuamente para a frente\u00bb. O que se vai fazendo \u00e9 que interessa. Por\u00e9m, n\u00e3o disse Jesus (Mateus 13,52) que \u00abo homem s\u00e1bio e prudente tira do seu tesoiro coisas novas e coisas velhas\u00bb? Todo o tipo de passado se pode \u2013 e deve \u2013 transformar em energia, como j\u00e1 sabemos fazer com o pior lixo que das nossas lixeiras.<\/p>\n<p>S\u00f3 quando nos prendemos demasiado a qualquer coisa (por muito boa que seja), \u00e9 que esta se torna lixo mau, porque nos impede de avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Por isso, a riqueza e o poder s\u00e3o lixo mau, se nos agarramos demasiado. A pr\u00f3pria vida \u00e9 lixo mau, se n\u00e3o a usamos para aumentar o que \u00e9 mesmo bom, e se n\u00e3o sabemos preparar at\u00e9 ao fim um salto para a frente.<\/p>\n<p>At\u00e9 o apego a pessoas \u00e9 mau, quando estas s\u00e3o vistas como \u00abcoisas\u00bb.<\/p>\n<p>Na realidade, Jesus disse v\u00e1rias vezes (Mateus 13) que o \u00abreino de Deus\u00bb \u00e9 como uma pedra t\u00e3o preciosa que vale a pena vender todas as outras para a comprar; e que quem n\u00e3o deixa tudo para o seguir, \u00abn\u00e3o \u00e9 digno de ser seu disc\u00edpulo\u00bb (Lucas 14,33). Mas o acto de deixar deve ser a melhor rentabiliza\u00e7\u00e3o daquilo que se deixa: todas as experi\u00eancias humanas podem servir de material de \u00abconvers\u00e3o\u00bb, de alerta para novos caminhos, de ponto de partida de uma maneira de viver que nos realize cada vez mais. <\/p>\n<p>Quanta energia se soltou do passado do \u00abfilho pr\u00f3digo\u00bb (domingo \u00abpassado\u00bb), da experi\u00eancia de vida de Zaqueu e da \u00abmulher ad\u00faltera\u00bb do evangelho de hoje? <\/p>\n<p>Quanta energia se solta da experi\u00eancia de calamidades, do sofrimento e da morte? Todos lhe estamos sujeitos (n\u00e3o se sabe quando nem quanto), e o \u00fanico ant\u00eddoto \u00e9 viver todos os tempos \u2013 n\u00e3o s\u00f3 esses \u2013 como companheiros, cientes de que lucramos todos com as melhores condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e espirituais para todos.<\/p>\n<p>\u00c9 hipocrisia oferecer flores aos mortos quando n\u00e3o as queremos oferecer aos vivos. Com a oferta aos vivos (custosa quantas vezes) \u00e9 que mostramos o apego a um futuro sempre melhor.<\/p>\n<p>Os escribas e fariseus de que fala o evangelho mostraram-se bem apegados a um preceito antigo atribu\u00eddo a Mois\u00e9s (estranhamente mais severo do que a lei babil\u00f3nica, v\u00e1rios s\u00e9culos anterior): punir com a morte quem infringisse o estatuto legal do casamento. A Lei justificava: \u00ab\u00e9 preciso arrancar o mal do meio do povo\u00bb (Deuteron\u00f3mio 22,22).<\/p>\n<p>Mas Jesus caminhava para a frente, sem medo: \u00abn\u00e3o arranqueis o joio, para n\u00e3o fazer mal ao trigo\u00bb (Mateus 13,29). Na \u00abmulher ad\u00faltera\u00bb, Jesus n\u00e3o viu uma \u00abcoisa\u00bb para fazer funcionar a Lei punitiva \u2013 viu uma pessoa com quem poderia caminhar junto, uma pessoa a quem se podia dar um \u00abesp\u00edrito novo\u00bb para anunciar os novos caminhos da justi\u00e7a (Salmos 51 e 107). <\/p>\n<p>E Jesus n\u00e3o nos prendeu \u00e0s suas palavras nem modo de vida: escreveu pacientemente no ch\u00e3o sinais que ningu\u00e9m desvendar\u00e1 \u2013 para podermos imaginar livremente como construir os melhores dias que est\u00e3o para vir.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-22001","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22001","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22001"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22001\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22001"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22001"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22001"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}