{"id":22036,"date":"2011-02-16T10:18:00","date_gmt":"2011-02-16T10:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22036"},"modified":"2011-02-16T10:18:00","modified_gmt":"2011-02-16T10:18:00","slug":"intimidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/intimidade\/","title":{"rendered":"Intimidade"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 68 <!--more--> Quando uma mulher engravida, ela vai observando as mudan\u00e7as no seu corpo, que reage conforme o feto se vai desenvolvendo at\u00e9 o dia em que d\u00e1 a luz. Os movimentos da crian\u00e7a no seu ventre. Os pontap\u00e9s que fazem vibrar os pais de alegria. As ecografias que permitem dizer ol\u00e1 ao pequenino que existe desde o dia em que foi concebido. As mudan\u00e7as s\u00e3o interiores tamb\u00e9m, n\u00e3o s\u00f3 biol\u00f3gicas ou de bem-estar, mas psicol\u00f3gicas. Assumir a maternidade \u00e9 algo que se vai fazendo progressivamente. Esse noviciado de maternidade, ou diaconado da maternidade, n\u00e3o \u00e9 por acaso que dura nove meses. \u00c9 um tempo privilegiado que leva a mulher ao voto perp\u00e9tuo de educar um filho para o c\u00e9u, tendo de o ver atravessar os t\u00faneis deste mundo. As suas dores de parto n\u00e3o terminam nunca.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m as pessoas que sofrem de uma doen\u00e7a, como o cancro, v\u00e3o vendo mudan\u00e7as interiores e exteriores na sua vida, nos seus sonhos, no seu corpo, como retiro que os prepara para o encontro definitivo com o Senhor. Depois da opera\u00e7\u00e3o que teve \u00eaxito &#8211; lembro-me de ver no meu pai &#8211; desconfia-se sempre de uma dor inesperada ou de um mal-estar. O meu pai interrogava-se sobre o que se passava no seu corpo. Tudo mudava, incluindo o modo de ver a vida e, pouco a pouco, at\u00e9 o modo de aceitar a morte certa, que se vai tornando suave, muitas vezes por causa da consola\u00e7\u00e3o da f\u00e9. Isto para que ca\u00edamos na conta de uma outra realidade t\u00e3o sublime e palp\u00e1vel como as duas anteriores: a nossa vida interior.<\/p>\n<p>A vida interior tem sintomas que se repercutem tamb\u00e9m no f\u00edsico. A vida interior \u00e9 o conv\u00edvio com o h\u00f3spede que trazemos dentro, pela gra\u00e7a santificante. N\u00e3o \u00e9 um beb\u00e9 que se espera, mas \u00e9 o Senhor que nos foi dado e faz de n\u00f3s a sua morada, se lhe abrirmos o cora\u00e7\u00e3o. Ele existe em n\u00f3s de modo silencioso. Actua amorosa e eficazmente. Actua progressiva e lentamente em n\u00f3s. Ele ama-se em n\u00f3s e ama-nos em n\u00f3s. Reza em n\u00f3s ao Pai e o mist\u00e9rio da Trindade acontece dentro de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Quando uma pessoa descobre estes movimentos interiores e estas reac\u00e7\u00f5es interiores de uma vida &#8211; a vida &#8211; que trazemos dentro, tudo muda e tudo se cura. Somos habitados, dizia Isabel da Trindade. Toda a vida do crist\u00e3o e a liturgia, eucar\u00edstica, inclusive, orienta-se para a viv\u00eancia da inabita\u00e7\u00e3o da Trindade em n\u00f3s.<\/p>\n<p>Rezar, no sentido mais pleno da palavra, \u00e9 o tomar consci\u00eancia desta presen\u00e7a em n\u00f3s. O nosso comportamento moral implica o cuidado para n\u00e3o ofender essa presen\u00e7a. O nosso relacionamento com os demais vai na linha de saber que Ele tamb\u00e9m est\u00e1 presente nos outros. O que fazemos aos outros \u00e9 a Ele que o fazemos. Por isso, temos de nos educar em contemplar serenamente o Senhor que est\u00e1 dentro do nosso cora\u00e7\u00e3o. Am\u00e1-lo em n\u00f3s. At\u00e9 o cuidado do corpo, que n\u00e3o \u00e9 para a imoralidade, como diz S. Paulo, implica a consci\u00eancia dessa presen\u00e7a. A eternidade ser\u00e1, para n\u00f3s, somente, a continuidade dessa vida de intimidade, substituindo a f\u00e9 pela vis\u00e3o e a esperan\u00e7a pela posse de Deus, permanecendo no Amor que levou Jesus a dizer, um dia: \u201cPermanecei em mim e Eu permanecerei em v\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>P. Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 68<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-22036","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22036","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22036"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22036\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22036"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22036"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22036"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}