{"id":22038,"date":"2011-02-23T10:48:00","date_gmt":"2011-02-23T10:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22038"},"modified":"2011-02-23T10:48:00","modified_gmt":"2011-02-23T10:48:00","slug":"aprenderemos-a-flutuar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/aprenderemos-a-flutuar\/","title":{"rendered":"Aprenderemos a flutuar?"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei que fronteira separa aqui a realidade da fic\u00e7\u00e3o, mas aceito escutar, entre a literatura que as revistas nos servem no Ano Novo, o que o s\u00e9culo XXI trar\u00e1 \u00e0 reinven\u00e7\u00e3o dos quotidianos. Garantem-nos que, de uma forma ou de outra, nos converteremos todos em \u201ctech-n\u00f3madas\u201d. Que reaprenderemos a arrumar os nossos pertences e passaremos a viajar com uma mala s\u00f3. Que navegaremos pela Web de um modo mais articulado, inteligente e port\u00e1til, mas tamb\u00e9m que voltaremos a andar descal\u00e7os. Que a ideia de propriedade ou o registo das patentes v\u00e3o ser reequacionados, pois entraremos cada vez mais num tempo de \u201cdifus\u00e3o em cont\u00ednuo e \u00e0 dist\u00e2ncia\u201d. Que aprenderemos igualmente a relativizar o tempo. Que tentaremos de modo mais organizado \u201cdesintoxicarmo-nos do dinheiro\u201d, como j\u00e1 se diz, dando um outro valor ao interc\u00e2mbio e \u00e0 reciprocidade. Que as pequenas lojas de proximidade v\u00e3o substituir as grandes superf\u00edcies. Que aprenderemos a reconverter com maleabilidade carreiras e profiss\u00f5es. Que andaremos mais \u00e0 boleia. Que criaremos uma rela\u00e7\u00e3o com os animais ditos selvagens n\u00e3o baseada no medo e montaremos mais vezes o nosso acampamento em florestas e savanas. Que a tecnologia de impress\u00e3o 3D ser\u00e1 em breve considerada mais \u00fatil e dur\u00e1vel que a fabrica\u00e7\u00e3o tradicional do pl\u00e1stico. Que todos os nossos m\u00f3veis ser\u00e3o de cart\u00e3o e reciclar tornar-se-\u00e1 pr\u00e1tica corrente. Que as nossas casas desafiar\u00e3o a gravidade, descolando-se em parte do apoio do solo e encontrando formas espantosamente leves. Que mesmo o vestu\u00e1rio de cerim\u00f3nia passar\u00e1 a permitir uma elasticidade maior de movimentos. Que n\u00f3s pr\u00f3prios aprenderemos a flutuar. Que os velhos el\u00e9ctricos e autocarros deixar\u00e3o as garagens e ser\u00e3o transformados em restaurantes para uma aventura gastron\u00f3mica original. Que os museus perder\u00e3o uma certa ambi\u00eancia est\u00e1tica e ser\u00e3o transformados em instala\u00e7\u00f5es on\u00edricas. Que nos reconciliaremos com as nossas identidades.<\/p>\n<p>Qualquer que venha a ser o formato dos nossos quotidianos sabemos, contudo, que a grande mudan\u00e7a, aquela mais poderosamente criativa, a que deixa, de facto, a mais impressiva marca continuar\u00e1 a ser a que ocorre no interior de n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei que fronteira separa aqui a realidade da fic\u00e7\u00e3o, mas aceito escutar, entre a literatura que as revistas nos servem no Ano Novo, o que o s\u00e9culo XXI trar\u00e1 \u00e0 reinven\u00e7\u00e3o dos quotidianos. Garantem-nos que, de uma forma ou de outra, nos converteremos todos em \u201ctech-n\u00f3madas\u201d. Que reaprenderemos a arrumar os nossos pertences e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-22038","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22038","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22038"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22038\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22038"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22038"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22038"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}