{"id":22064,"date":"2011-03-09T10:04:00","date_gmt":"2011-03-09T10:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22064"},"modified":"2011-03-09T10:04:00","modified_gmt":"2011-03-09T10:04:00","slug":"alberto-hurtado-patrono-dos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/alberto-hurtado-patrono-dos-trabalhadores\/","title":{"rendered":"Alberto Hurtado, patrono dos trabalhadores"},"content":{"rendered":"<p>Luis Alberto Hurtado Cruchaga nasceu em 1901, filho de Alberto Hurtado Larra\u00edn e Ana Cruchaga Tocornal. Teve um irm\u00e3o, Miguel, dois anos mais novo. A sua fam\u00edlia vivia com algum desafogo em em Vi\u00f1a del Mar. Com a morte do pai, em 1905, a fam\u00edlia vendeu as terras e mudou-se para Santiago, capital do Chile.<\/p>\n<p>Em 1909, entrou no Col\u00e9gio Santo In\u00e1cio. As dificuldades econ\u00f3micas n\u00e3o impediram que, com a sua m\u00e3e, trabalhasse pelos mais pobres, no Patronato Santo Ant\u00f3nio. Em 1918, come\u00e7ou a estudar Direito na Universidade Cat\u00f3lica do Chile, envolvendo-se intensamente na vida universit\u00e1ria. Une a sua pr\u00f3pria carreira \u00e0 sua inquietude por servir, organizando, com alguns estudantes de Direito, um consult\u00f3rio jur\u00eddico para oper\u00e1rios e dedicando a sua tese de licenciatura \u00e0 procura de solu\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas para alguns problemas sociais.<\/p>\n<p>Durante uma crise dos nitratos, organiza os seus companheiros de curso para auxiliar os oper\u00e1rios que vieram para Santiago e que estavam instalados em pens\u00f5es muito prec\u00e1rias. Al\u00e9m disso, participa no C\u00edrculo de Estudos Le\u00e3o XIII, onde era lida a enc\u00edclica \u201cRerum Novarum\u201d e outros documentos sociais da Igreja.<\/p>\n<p>Depois do servi\u00e7o militar e da formatura em advocacia, Alberto Hurtado entrou para o noviciado dos jesu\u00edtas, escrevendo a um amigo: \u201cPor fim aqui estou como jesu\u00edta, feliz e contente como n\u00e3o se pode ser mais nesta terra: transbordo de alegria e n\u00e3o me canso de agradecer a Nosso Senhor porque me trouxe a este verdadeiro para\u00edso, onde a gente pode dedicar-se a Ele 24 horas do dia. Tu podes compreender o meu estado de \u00e2nimo nestes dias, dizendo-te que quase chorei de gozo\u201d.<\/p>\n<p>Entre os anos de 1927 e 1931, estuda filosofia e teologia em Sarri\u00e1, Espanha. Pela situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da Espanha, os jesu\u00edtas tiram do pa\u00eds os seus estudantes estrangeiros. E Alberto deve continuar os estudos na afamada Universidade Cat\u00f3lica de Lovaina.<\/p>\n<p>Depois da ordena\u00e7\u00e3o, em 1933, e conclu\u00edda a forma\u00e7\u00e3o em Teologia e o doutoramento em Ci\u00eancias Pedag\u00f3gicas, regressa ao Chile, em 1936, para trabalhar entre os jovens do Col\u00e9gio Santo In\u00e1cio e da Universidade Cat\u00f3lica. Em 1941 foi nomeado assistente da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Juvenil. No mesmo ano lan\u00e7a um livro que questiona o catolicismo do Chile. Quando j\u00e1 era assistente nacional da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica juvenil, surgem diverg\u00eancias com um dos bispos, o que o leva a pedir a demiss\u00e3o do cargo em Novembro de 1944.<\/p>\n<p>Um lar para Cristo<\/p>\n<p>No m\u00eas anterior \u00e0 sua ren\u00fancia, como relata, numa noite fria e chuvosa, aproxima-se dele \u201cum pobre homem com uma amigdalite aguda, tiritando, em mangas de camisa, que n\u00e3o tinha onde amparar-se\u201d. A sua mis\u00e9ria impressiona-o. Poucos dias depois, a 15 de Outubro, dando um retiro a senhoras, na Casa do Apostolado Popular, fala, sem tal ter previsto, sobre a mis\u00e9ria que existe em Santiago e a necessidade da caridade: \u00abCristo vaga pelas nossas ruas na pessoa de tantos pobres, doentes, desalojados do seu m\u00edsero corti\u00e7o. Cristo, encarquilhado debaixo das pontes, na pessoa de tantos meninos que n\u00e3o t\u00eam a quem chamar \u2018pai\u2019, que carecem h\u00e1 muitos anos do beijo da m\u00e3e sobre a sua testa\u2026 Cristo n\u00e3o tem lar! N\u00e3o queremos dar-lho n\u00f3s, os que temos a dita de ter um lar confort\u00e1vel, comida abundante, meios para educar e assegurar o porvir dos filhos? \u2018O que fizerdes ao mais pequeninos dos meus irm\u00e3os, a mim o fareis, disse Jesus\u00bb. E assim nasce o Lar de Cristo. \u00c0 sa\u00edda do retiro, recebe as primeiras doa\u00e7\u00f5es \u2013 um terreno, v\u00e1rios cheques e j\u00f3ias \u2013 por parte das senhoras presentes.<\/p>\n<p>Em Maio de 1945, o Arcebispo de Santiago, Mons. Jos\u00e9 Maria Caro, benze a primeira sede do Lar de Cristo. No ano seguinte, inaugura-se a Hospedaria da rua Chorrillos. Pouco a pouco, o Lar de Cristo cresce at\u00e9 n\u00edveis admir\u00e1veis, prestando um inestim\u00e1vel servi\u00e7o aos mais pobres e criando uma corrente de solidariedade que actualmente superou as fronteiras do Chile. A sua finalidade n\u00e3o consiste apenas em dar alojamento: \u00abUma das primeiras qualidades que se deve devolver aos nossos indigentes \u00e9 a consci\u00eancia do seu valor de pessoas, da sua dignidade de cidad\u00e3os, mais ainda, de filhos de Deus\u00bb. <\/p>\n<p>Promo\u00e7\u00e3o da sindicaliza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>No dia 13 de Junho de 1947, dia do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, com um grupo de universit\u00e1rios, constitui a Ac\u00e7\u00e3o Sindical e Econ\u00f3mica Chilena (ASICH), como forma de procurar \u00aba maneira de realizar um trabalho que tornasse presente a Igreja no terreno do trabalho organizado\u00bb.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma longa viagem \u00e0 Europa, onde p\u00f4de ficar a par do movimento social crist\u00e3o, que dominava os c\u00edrculos cat\u00f3licos progressistas, funda no Chile a revista \u201cMensage\u201d. O Pe. Hurtado queria a publica\u00e7\u00e3o de \u00abuma revista que voasse\u00bb com a finalidade de dar forma\u00e7\u00e3o religiosa, social e filos\u00f3fica, para \u201corientar e ser o testemunho da presen\u00e7a da Igreja no mundo contempor\u00e2neo\u201d. O primeiro n\u00famero saiu em 1951. No editorial explica que o nome alude \u00ab\u00e0 Mensagem que o Filho de Deus trouxe do c\u00e9u para a terra e cujas resson\u00e2ncias a nossa revista deseja prolongar e aplicar \u00e0 nossa p\u00e1tria chilena e aos nossos atormentados tempos\u00bb.<\/p>\n<p>Alberto Hurtado morreu no dia 18 de agosto de 1952. A sua morte repercutiu em toda a sociedade chilena. A poetisa Gabriela Mistral escreveu: \u00abDurma quem muito trabalhou. N\u00e3o durmamos n\u00f3s, n\u00e3o, como grandes devedores fugazes que n\u00e3o volvem a cara para o que nos rodeia, nos cinge e nos urge quase como um grito\u2026\u00bb<\/p>\n<p>Jorge Pires Ferreira<\/p>\n<p>Estas notas baseiam-se na extensa biografia que surge no s\u00edtio da Funda\u00e7\u00e3o Padre Hurtado (www.padrealbertohurtado.cl).<\/p>\n<p>Principais datas de Alberto Hurtado<\/p>\n<p>22-01-1901 \u2013 Nasce em Vi\u00f1a del Mar, Chile<\/p>\n<p>14-08-1923 \u2013 Entra no noviciado dos jesu\u00edtas<\/p>\n<p>24-08-1933 \u2013 \u00c9 ordenado padre em Lovaina, B\u00e9lgica<\/p>\n<p>1945 \u2013Funda \u201cEl Hogar de Cristo \u201d, o Lar de Cristo<\/p>\n<p>13-06-1047 \u2013 Cria a Ac\u00e7\u00e3o Sindical e Econ\u00f3mica Chilena (ASICH)<\/p>\n<p>18-08-1952 \u2013 Morre em Santiago do Chile, de doen\u00e7a incur\u00e1vel<\/p>\n<p>16-10-1994 \u2013 Beatifica\u00e7\u00e3o, em Roma, por Jo\u00e3o Paulo II<\/p>\n<p>23-10-2005 \u2013 Canoniza\u00e7\u00e3o, em Roma, por Bento XVI<\/p>\n<p>Cristo vaga pelas nossas ruas na pessoa de tantos pobres, doentes, desalojados do seu m\u00edsero corti\u00e7o. Cristo, encarquilhado debaixo das pontes, na pessoa de tantos meninos que n\u00e3o t\u00eam a quem chamar \u201cpai\u201d, que carecem h\u00e1 muitos anos do beijo da m\u00e3e sobre a sua testa\u2026 Cristo n\u00e3o tem lar!<\/p>\n<p>P.e Aberto Hurtado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luis Alberto Hurtado Cruchaga nasceu em 1901, filho de Alberto Hurtado Larra\u00edn e Ana Cruchaga Tocornal. Teve um irm\u00e3o, Miguel, dois anos mais novo. A sua fam\u00edlia vivia com algum desafogo em em Vi\u00f1a del Mar. Com a morte do pai, em 1905, a fam\u00edlia vendeu as terras e mudou-se para Santiago, capital do Chile. 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