{"id":22070,"date":"2013-02-28T10:28:00","date_gmt":"2013-02-28T10:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22070"},"modified":"2013-02-28T10:28:00","modified_gmt":"2013-02-28T10:28:00","slug":"ha-tantos-gestos-na-liturgia-que-nem-sempre-compreendemos-porque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ha-tantos-gestos-na-liturgia-que-nem-sempre-compreendemos-porque\/","title":{"rendered":"H\u00e1 tantos gestos na liturgia que nem sempre compreendemos. Porqu\u00ea?"},"content":{"rendered":"<p>Perguntas e respostas sobre liturgia &#8211; 1<\/p>\n<p>Gestos e S\u00edmbolos na Liturgia <!--more--> \u00c9 verdade que a liturgia crist\u00e3 est\u00e1 recheada de gestos e de s\u00edmbolos, que nem sempre s\u00e3o apreciados e, muitas vezes, s\u00e3o mesmo desprezados e banalizados, correndo-se o risco de fazermos uma celebra\u00e7\u00e3o fortemente verbalizada, onde quase s\u00f3 aparecem palavras, discurso. Da\u00ed, as nossas celebra\u00e7\u00f5es se tornarem t\u00e3o frias, na maior parte dos casos.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que o Conc\u00edlio Vaticano II, de que estamos a celebrar o cinquenten\u00e1rio do seu in\u00edcio, revalorizou fortemente a Palavra de Deus, que veio a adquirir um maior relevo. Contudo, embora n\u00e3o o tenha pretendido, houve o empobrecimento do simb\u00f3lico, da linguagem do movimento e dos sinais.<\/p>\n<p>Porqu\u00ea os gestos <\/p>\n<p>e s\u00edmbolos na celebra\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A liturgia \u00e9 por si mesma uma celebra\u00e7\u00e3o em que prevalece a linguagem dos s\u00edmbolos. Uma linguagem mais intuitiva e afectiva, mais po\u00e9tica e gratuita. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 conceito, nem tem como objectivo dar s\u00f3 a conhecer. A liturgia \u00e9 uma ac\u00e7\u00e3o, um conjunto de sinais \u201cperformativos, isto \u00e9, sinais que nos introduzem em comunh\u00e3o com o mist\u00e9rio e que nos fazem experiment\u00e1-lo, mais do que entend\u00ea-lo. \u00c9 uma celebra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o uma doutrina ou uma catequese. Da\u00ed que, a linguagem simb\u00f3lica \u00e9 a que nos permite entrar em contacto com o inacess\u00edvel: o mist\u00e9rio da ac\u00e7\u00e3o de Deus e da presen\u00e7a de Cristo.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma raz\u00e3o antropol\u00f3gica neste apre\u00e7o do sinal e do s\u00edmbolo. O homem \u00e9 feito de tal maneira que realiza tudo a partir do seu esp\u00edrito interior e da sua corporeidade: n\u00e3o s\u00f3 alimenta sentimentos e ideias no seu \u00edntimo, mas exprime-os exteriormente com palavras, gestos e atitudes. \u00c9 que no fundo o homem n\u00e3o \u00e9 uma dualidade \u201ccorpo e esp\u00edrito\u201d, mas uma unidade: ele \u00e9 \u201ccorpo-esp\u00edrito\u201d e \u00e9 a partir desta totalidade que ele se exprime e realiza, com palavras e gestos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, o louvor n\u00e3o \u00e9 plenamente nem humano nem crist\u00e3o enquanto n\u00e3o se manifesta na voz e no canto. O sentimento de convers\u00e3o e a resposta do perd\u00e3o n\u00e3o se realiza na sua plenitude se n\u00e3o se manifestam na esfera significativa: neste caso, \u00e9 a esfera da Igreja onde ressoa o \u201ceu me acuso\u201d e o \u201ceu te absolvo\u201d: uma ac\u00e7\u00e3o sacramental, simb\u00f3lica, significativa, que d\u00e1 realidade ao invis\u00edvel e \u00edntimo que sucede entre Deus e o crist\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, o simbolismo \u00e9 uma categoria religiosa universal. Na verdade, o ser humano, n\u00e3o s\u00f3 na sua pr\u00f3pria express\u00e3o, ou para a sua actividade social, mas tamb\u00e9m e sobretudo para a sua rela\u00e7\u00e3o com a divindade, serve-se da linguagem simb\u00f3lica, exprimindo e realizando com sinais e gestos corporais a comunh\u00e3o religiosa com o Invis\u00edvel.<\/p>\n<p>A din\u00e2mica dos sinais religiosos funciona de muitas maneiras: sacrif\u00edcios, palavras, c\u00e2nticos, objectos sagrados, ac\u00e7\u00f5es, rever\u00eancias, comidas, festas, templos\u2026<\/p>\n<p>No entanto, para os crist\u00e3os, o motivo fundamental destes sinais \u00e9 o teol\u00f3gico: o melhor modelo de actua\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica temo-lo no pr\u00f3prio Cristo. Na sua pr\u00f3pria Pessoa Ele \u00e9 a linguagem mais expressiva de Deus, que nos quer mostrar a sua Alian\u00e7a, a sua proximidade e o seu perd\u00e3o. \u00c9 tamb\u00e9m Cristo a melhor linguagem da humanidade na sua resposta a Deus: o nosso louvor e a nossa f\u00e9 ficaram plasmados em Cristo, Cabe\u00e7a da nova humanidade. Por isso, Cristo \u00e9 chamado \u201csacramento do encontro com Deus\u201d, ou como disse S. Paulo na sua segunda carta aos Cor\u00edntios: Cristo \u00e9 o \u201csim\u201d mais claro de Deus aos homens e o \u201csim\u201d tamb\u00e9m mais concreto dos homens a Deus.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Cristo utilizou continuamente a linguagem dos gestos simb\u00f3licos na sua ac\u00e7\u00e3o salvadora: palavras, ac\u00e7\u00f5es, contacto com as suas m\u00e3os, o olhar incisivo, os milagres\u2026<\/p>\n<p>E agora continua a faz\u00ea-lo do mesmo modo, no \u00e2mbito do sacramento global que se chama Igreja. Para nos dar alimento e fortaleza, pensou na ac\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da comida eucar\u00edstica; para nos fazer nascer para uma vida nova, quer que recebamos o banho baptismal da \u00e1gua; para nos reconciliar com Deus, convida-nos para uma celebra\u00e7\u00e3o do perd\u00e3o, com as suas palavras e o gesto da imposi\u00e7\u00e3o das m\u00e3os do ministro\u2026<\/p>\n<p>Por isso a liturgia, tanto pela carga humana como pela pr\u00f3pria teologia da encarna\u00e7\u00e3o, tem os sinais e os s\u00edmbolos como uma realidade fundamental na sua din\u00e2mica.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Manuel Marques Pereira<\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n<p>Espa\u00e7o da responsabilidade do ISCRA &#8211; Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perguntas e respostas sobre liturgia &#8211; 1 Gestos e S\u00edmbolos na Liturgia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-22070","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22070","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22070"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22070\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22070"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}