{"id":22081,"date":"2013-03-20T16:45:00","date_gmt":"2013-03-20T16:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22081"},"modified":"2013-03-20T16:45:00","modified_gmt":"2013-03-20T16:45:00","slug":"a-luz-como-simbolo-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-luz-como-simbolo-1\/","title":{"rendered":"A luz como s\u00edmbolo (1)"},"content":{"rendered":"<p>Perguntas e Respostas sobre a Liturgia &#8211; 4 <!--more--> Por que \u00e9 que se acende, durante todo o Tempo Pascal, o C\u00edrio, se as nossas igrejas est\u00e3o razoavelmente iluminadas pela energia el\u00e9ctrica? Por que se acendem as velas junto ao altar ou a lamparina junto ao sacr\u00e1rio?<\/p>\n<p>Apetece responder a estas quest\u00f5es com uma observa\u00e7\u00e3o: se as nossas salas de banquete est\u00e3o t\u00e3o bem iluminadas, porque se colocam velas acesas sobre a mesa festiva? N\u00e3o \u00e9, certamente, por uma mera quest\u00e3o utilit\u00e1ria. No caso concreto da liturgia crist\u00e3, a luz tem uma efic\u00e1cia pedag\u00f3gica diferente: o simbolismo expressivo de algo ou de algu\u00e9m que consideramos importante na nossa celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No nosso Ano Lit\u00fargico h\u00e1 uma celebra\u00e7\u00e3o cujo come\u00e7o \u00e9 um verdadeiro jogo simb\u00f3lico da luz: a Vig\u00edlia Pascal. O povo congregado na obscuridade, v\u00ea como nasce o fogo novo (nesta noite tudo \u00e9 novo), e dele se acendo o C\u00edrio Pascal, s\u00edmbolo de Cristo; atr\u00e1s d\u2019Ele caminha a comunidade (\u201co que Me segue n\u00e3o andar\u00e1 nas trevas\u201d), cantando por tr\u00eas vezes um grito de j\u00fabilo: \u201cLuz de Cristo\u201d; e de cada vez se v\u00e3o acendendo mais velas: os crist\u00e3os ficam contagiados pela Luz de Cristo, personalizando o simbolismo, ao mesmo tempo que a igreja se ilumina com a abund\u00e2ncia das velas acesas; o cantor do Prec\u00f3nio Pascal entoa a seguir os louvores da feliz noite, iluminada pela Luz de Cristo.<\/p>\n<p>O simbolismo da luz nesta Vig\u00edlia n\u00e3o necessita de muitas explica\u00e7\u00f5es. \u00c9 evidente a sua inten\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o se fica apenas numa \u201cinforma\u00e7\u00e3o\u201d, mas que contagia e engloba os crentes, comunicando-lhes com a sua for\u00e7a expressiva o entusiasmo do mist\u00e9rio celebrado: esta noite iluminada \u201cafugenta os crimes, lava as culpas; restitui a inoc\u00eancia aos pecadores, d\u00e1 alegria aos tristes\u201d.<\/p>\n<p>Se se fizer bem, \u00e9 magn\u00edfica a efic\u00e1cia de toda a sucess\u00e3o de sinais: a escurid\u00e3o da noite (e n\u00e3o nas \u00faltimas horas da tarde), o fogo, o C\u00edrio belo e novo, a prociss\u00e3o, a progressiva comunica\u00e7\u00e3o da luz a cada participante, a ilumina\u00e7\u00e3o da igreja, o Prec\u00f3nio\u2026<\/p>\n<p>A Igreja, como esposa cheia de alegria, sai ao encontro do seu Esposo nesta noite, como uma comunidade de \u201cvirgens prudentes\u201d, com a l\u00e2mpada acesa, depois da longa espera da Quaresma.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante que no louvor do Prec\u00f3nio tamb\u00e9m se inclui a cera, a mat\u00e9ria prima do C\u00edrio. Todo ele se converte, assim, no simbolismo de Cristo, na sua humanidade e divindade, que nos comunica com a sua Ressurrei\u00e7\u00e3o a luz e o calor da sua Nova Vida.<\/p>\n<p>O C\u00edrio tem gravados um alfa (A) e um \u00f3mega (&#8486;), a primeira e a \u00faltima letra do alfabeto grego, exprimindo que Cristo \u00e9 o princ\u00edpio e o fim de tudo, o que abarca todo o tempo. O ano tamb\u00e9m fica gravado neste C\u00edrio, para indicar que a P\u00e1scoa \u00e9 sempre nova, sempre eficaz: neste ano, em que Cristo nos quer tornar participantes de toda a sua for\u00e7a salvadora do seu Mist\u00e9rio Pascal. H\u00e1 ainda um outro detalhe: a Cruz gravada no C\u00edrio. O Mist\u00e9rio Pascal sup\u00f5e um duplo momento: a passagem atrav\u00e9s da Morte para a Vida.<\/p>\n<p>Este C\u00edrio iluminar\u00e1, desde esta noite, todas as celebra\u00e7\u00f5es at\u00e9 \u00e0 tarde do dia do Pentecostes, quando se completam as sete semanas, o Tempo Pascal, que celebramos como um grande dia de festa: assim sublinhamos o tom \u201cmist\u00e9rico\u201d dessa Presen\u00e7a do Senhor Glorioso no meio de n\u00f3s.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o \u00fanico momento em que a luz aparece ao longo do ano lit\u00fargico como uma categoria simb\u00f3lica para exprimir e celebrar o Mist\u00e9rio de Cristo: o Natal e a Epifania cantam a Apari\u00e7\u00e3o de Cristo Messias sob a imagem da Luz. Tamb\u00e9m na Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor no Templo, em 2 de Fevereiro, na popular festa da Candel\u00e1ria, as velas iluminadas s\u00e3o um simbolismo evidente, o \u00faltimo eco do Natal, com uma clara alus\u00e3o \u00e0s palavras prof\u00e9ticas do velho Sime\u00e3o, quando afirmou que este Menino ia ser \u201cluz para iluminar as na\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Manuel Marques Pereira<\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n<p>Espa\u00e7o da responsabilidade do ISCRA &#8211; Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perguntas e Respostas sobre a Liturgia &#8211; 4<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-22081","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22081","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22081"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22081\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22081"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22081"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22081"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}