{"id":22111,"date":"2013-02-28T10:49:00","date_gmt":"2013-02-28T10:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22111"},"modified":"2013-02-28T10:49:00","modified_gmt":"2013-02-28T10:49:00","slug":"casamento-dos-nao-crentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/casamento-dos-nao-crentes\/","title":{"rendered":"Casamento dos n\u00e3o crentes"},"content":{"rendered":"<p>Em 26 de janeiro de 2013, Bento XVI, falando aos membros do Tribunal da Rota Romana, trouxe ao de cima um problema que se arrasta na Igreja h\u00e1 muitos anos: \u00e9 v\u00e1lido o matrim\u00f3nio quando os noivos n\u00e3o t\u00eam f\u00e9? N\u00e3o deu uma resposta definitiva, mas abriu caminho que, por certo, levar\u00e1 mais longe.<\/p>\n<p>No S\u00ednodo dos Bispos de 1980, um bispo franc\u00eas levantou este problema, que foi longamente discutido na sala sinodal, dando ocasi\u00e3o a uma proposi\u00e7\u00e3o votada quase por unanimidade. A Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional, j\u00e1 antes, em 1977, se pronunciara de maneira cautelosa, mas j\u00e1 com alguma abertura. Da Comiss\u00e3o fazia parte o te\u00f3logo Ratzinger.<\/p>\n<p>O Vaticano II na Constitui\u00e7\u00e3o da Liturgia, ao tratar dos sacramentos, diz que estes sup\u00f5em a f\u00e9 de quem os recebe, celebram-na e alimentam-na. Sendo assim, parece poder concluir-se que quem n\u00e3o tem f\u00e9 n\u00e3o poder\u00e1 receber, de modo v\u00e1lido e frutuoso, os sacramentos da Igreja.<\/p>\n<p>Os bispos do S\u00ednodo referido propuseram, ent\u00e3o, que se aceitasse o casamento natural e se propusesse aos c\u00f4njuges uma caminhada que os pudesse levar a aceder, livremente, ao dom da f\u00e9. N\u00e3o foi nesse sentido a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica de Jo\u00e3o Paulo II sobre a fam\u00edlia (novembro de 1981) ao manter  a orienta\u00e7\u00e3o de que a f\u00e9, em rela\u00e7\u00e3o ao matrim\u00f3nio, consistia, para os n\u00e3o crentes, na aceita\u00e7\u00e3o expl\u00edcita das suas propriedades fundamentais: unidade, fidelidade e indissolubilidade.<\/p>\n<p>Bento XVI parte agora desta orienta\u00e7\u00e3o, mas interroga-se, perante a realidade atual de casamentos feitos na Igreja, depressa desfeitos, se \u00e9 poss\u00edvel aceitar o prop\u00f3sito de respeitar as propriedades do matrim\u00f3nio, como o entende e prop\u00f5e a Igreja, sem a luz e a for\u00e7a da f\u00e9.<\/p>\n<p>Muitos batizados que nunca desenvolveram nem enraizaram a sua f\u00e9 apresentam-se para um casamento no templo, por tradi\u00e7\u00e3o, press\u00e3o social ou da fam\u00edlia ou at\u00e9 do outro c\u00f4njuge. Se em tempos passados este casamento podia perdurar, hoje verifica-se a sua debilidade, ao pensarmos no n\u00famero crescente de div\u00f3rcios por parte de quem casou na Igreja e pelo ambiente laico que nos envolve. A f\u00e9 e a vida em comunidade s\u00e3o uma for\u00e7a para as dificuldades emergentes. N\u00e3o podem ter essa experi\u00eancia os que n\u00e3o consciencializaram, por falta de f\u00e9, que o matrim\u00f3nio &#8211; sacramento comporta, diariamente, a protec\u00e7\u00e3o divina, como ajuda e presen\u00e7a numa fam\u00edlia. Tamb\u00e9m n\u00e3o deixa de merecer aten\u00e7\u00e3o a quantidade de jovens e adultos batizados, sem qualquer express\u00e3o de f\u00e9 que os denuncie como crentes, que procuram o casamento civil ou a uni\u00e3o de facto. Sinal de que Deus n\u00e3o tem lugar num t\u00e3o importante acontecimento da sua vida.<\/p>\n<p>Parece ser tempo de prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade do sacramento, que n\u00e3o se poder\u00e1 entender sem uma f\u00e9 expl\u00edcita. Depois das palavras de Bento XVI, a menos de um m\u00eas da sua inesperada resigna\u00e7\u00e3o ao papado, tamb\u00e9m neste ponto as coisas v\u00e3o ser diferentes. As suas palavras s\u00e3o prof\u00e9ticas e os agentes pastorais t\u00eam de acordar para um maior esfor\u00e7o evangelizador, e os agentes judiciais para uma mais larga compreens\u00e3o da incapacidade de receber o sacramento do matrim\u00f3nio, de o acolher como dom e de responder \u00e0 gra\u00e7a e ao compromisso que o sacramento comporta para os noivos.<\/p>\n<p>A Igreja dever\u00e1 considerar, com total liberdade e com a responsabilidade que lhe cabe como educadora da f\u00e9, cada caso que se lhe apresenta. N\u00e3o falta gente, sem pr\u00e1tica de culto religioso, a casar, seja na Igreja ou na Conservat\u00f3ria do Registo Civil, que, por total coer\u00eancia, quer realizar um casamento indissol\u00favel, marcado pela unidade e pela fidelidade m\u00fatua. Se a f\u00e9 teologal ajuda a entender as exig\u00eancias do matrim\u00f3nio, ela n\u00e3o \u00e9 caminho exclusivo e pode ser precedida por uma f\u00e9 natural que clama, dentro de cada um que sabe ouvir este grito, uma exig\u00eancia de verdade e de compromisso. Por natureza criada j\u00e1 somos \u201cdivinos\u201d e capazes de obras onde Deus est\u00e1 e opera. Um olhar novo que importa ter sempre presente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 26 de janeiro de 2013, Bento XVI, falando aos membros do Tribunal da Rota Romana, trouxe ao de cima um problema que se arrasta na Igreja h\u00e1 muitos anos: \u00e9 v\u00e1lido o matrim\u00f3nio quando os noivos n\u00e3o t\u00eam f\u00e9? 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