{"id":22128,"date":"2013-03-27T16:43:00","date_gmt":"2013-03-27T16:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22128"},"modified":"2013-03-27T16:43:00","modified_gmt":"2013-03-27T16:43:00","slug":"tempos-de-encontro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/tempos-de-encontro\/","title":{"rendered":"Tempos de encontro"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> O domingo de P\u00e1scoa come\u00e7ou num cen\u00e1rio de tristeza e ternura: cuidar dos restos mortais de Jesus \u2013 aquele homem que n\u00e3o se sabia bem por que raz\u00e3o vivera e morrera, e que tanto \u00abmexera com a gente\u00bb.<\/p>\n<p>Iam ao encontro de uma mem\u00f3ria, ao encontro das saudades, ao encontro de uma pergunta no ar (sem d\u00favida que semelhante \u00e0 pergunta que fazemos quando algu\u00e9m muito querido nos morre).<\/p>\n<p>N\u00e3o encontrar o que procuramos \u00e9 sempre angustiante. Por\u00e9m, mais importante do que n\u00e3o terem encontrado o corpo de Jesus \u00e9 o facto do cristianismo n\u00e3o girar \u00e0 volta de um monumento funer\u00e1rio (o culto do sepulcro \u00e9 muito posterior). O cristianismo gira \u00e0 volta da vida!<\/p>\n<p>Quem ia \u00e0 procura do corpo de Jesus s\u00f3 encontrou novas quest\u00f5es: o que \u00e9 que teria acontecido? E por que \u00e9 que aconteceu?<\/p>\n<p>Os disc\u00edpulos mais chegados come\u00e7aram a lembrar e a relacionar o que conheceram de Jesus, com a ajuda da riqu\u00edssima tradi\u00e7\u00e3o religiosa do juda\u00edsmo, que podemos encontrar na B\u00edblia. E assim se dispuseram a encontrar quem de facto era Jesus Cristo \u2013 um encontro nunca definitivo, que se torna mais intenso e diversificado ao longo da vida de cada qual e da longa hist\u00f3ria de todas as vidas. <\/p>\n<p>O tema do t\u00famulo vazio, s\u00f3 por si, tem evocado frequentemente a antiga e confusa ideia de que o corpo desaparecera porque \u00abo mesmo Jesus\u00bb havia de voltar \u00abno fim dos tempos\u00bb, para instaurar definitivamente o reino de Deus. Por\u00e9m, os \u00abencontros\u00bb dos disc\u00edpulos com Jesus, relatados no Novo Testamento, sugerem que n\u00e3o se trata de um cad\u00e1ver ressuscitado nem de um esp\u00edrito ou fantasma: remetem para uma \u00abnova\u00bb figura humana, mas que nem \u00e9 f\u00e1cil de reconhecer, como se pode ver nos epis\u00f3dios de Maria Madalena e dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas. E pelos tempos fora, desde ent\u00e3o, muita e muita gente sentiu v\u00e1rias formas de \u00abencontros\u00bb com esse Jesus j\u00e1 vivo para sempre e unido t\u00e3o plenamente com Deus que podemos invocar o \u00abEsp\u00edrito de Jesus\u00bb como \u00abEsp\u00edrito de Deus\u00bb (ou \u00abEsp\u00edrito Santo\u00bb) \u2013 at\u00e9 hoje, foi crescendo o n\u00famero daqueles que se deixaram atrair pela for\u00e7a desse Esp\u00edrito e se entregaram corajosamente a um caminho de bem-fazer.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 que o \u00abdomingo de P\u00e1scoa\u00bb \u00e9 a matriz de todos os domingos: s\u00e3o um tempo para os encontros com a Vida. Vida que \u00e9 simbolizada na alegria de festas vistosas e de bom gosto, mas que deveria ser sobretudo vivida na continua\u00e7\u00e3o do gesto familiar da \u00ab\u00faltima ceia\u00bb, como quem se senta \u00e0 volta da mesma mesa.<\/p>\n<p>A vida e morte de Jesus revelou a vida como projecto divino, um bem sempre amea\u00e7ado e sempre a defender, e que afinal supera a pr\u00f3pria morte. Um projecto onde todos os dramas, aventuras, momentos de prazer ou de tristeza\u2026 S\u00e3o vividos, o mais poss\u00edvel, num ambiente familiar: onde Deus \u00e9 como um Pai, a quem se pede conselho e com quem se discute, e a quem se pede uma \u00abajudinha\u00bb para sabermos realizar a justi\u00e7a e transformar em encontros os pr\u00f3prios desencontros.<\/p>\n<p>\u00c9 assim a \u00abpassagem\u00bb (\u00abp\u00e1scoa\u00bb) para grandes encontros!<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-22128","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22128","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22128"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22128\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}