{"id":22138,"date":"2013-04-10T15:22:00","date_gmt":"2013-04-10T15:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22138"},"modified":"2013-04-10T15:22:00","modified_gmt":"2013-04-10T15:22:00","slug":"joaquim-de-melo-freitas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/joaquim-de-melo-freitas\/","title":{"rendered":"Joaquim de Melo Freitas"},"content":{"rendered":"<p>Aveirenses Not\u00e1veis <!--more--> Joaquim de Melo Freitas nasceu no ano de 1852 e faleceu em 1923,dedicando toda a sua vida a Aveiro, deixando o seu nome ligado a diversas coletividades, jornais, revistas e outras publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Hoje, o nome de Joaquim de Melo Freitas \u00e9 lembrado na topon\u00edmia aveirense \u2013 Pra\u00e7a Dr. Joaquim de Melo Freitas \u2013 junto aos \u201cArcos\u201d e \u00e0s \u201cPontes\u201d, em pleno centro da cidade, precisamente onde se ergue o monumento de homenagem aos M\u00e1rtires da Liberdade e a Jos\u00e9 Estev\u00e3o, do qual foi um dos mentores. <\/p>\n<p>Joaquim de Melo Freitas era oriundo de uma fam\u00edlia com fortes pergaminhos liberais. O pai foi perseguido e esteve exilado por motivos pol\u00edticos, enquanto pior sorte teve o seu tio, Clemente da Silva Melo Soares de Freitas, que foi enforcado na Pra\u00e7a Nova, do Porto, com outros liberais aveirenses tamb\u00e9m implicados na revolu\u00e7\u00e3o de 16 de maio de 1828. <\/p>\n<p>Sobre Joaquim de Melo Freitas, o histori\u00f3grafo aveirense Eduardo Cerqueira escreveu que \u201cperfilhava os princ\u00edpios dos seus familiares e primava por um largo esp\u00edrito de convivente toler\u00e2ncia, foi uma figura singularmente simp\u00e1tica e aliciante, um escritor e orador de faculdades invulgares e um cintilante conversador, pont\u00edfice de tert\u00falia, cultivado, espirituoso, com o dom de amenizar pela anedota propositada, ou a fina ironia da r\u00e9plica imediata e desconcertante, os temas mais austeros\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 o seu contempor\u00e2neo Marques Gomes, outro dos grandes nomes aveirenses, anotou que \u201ca forma nova e leve com que reveste os seus escritos, a sua gra\u00e7a espont\u00e2nea, franca, portuguesa, que em todos eles esfuzia hilariante, a sua muita corre\u00e7\u00e3o de linguagem, t\u00e3o opulenta e ao mesmo tempo t\u00e3o castigada e esbelta, as suas qualidades de observador, de artista e narrador\u201d, acrescentando que Melo Freitas \u201cfalava com a mesma suprema eleg\u00e2ncia com que escrevia\u201d.<\/p>\n<p>Jornalista e escritor<\/p>\n<p>Eduardo Cerqueira real\u00e7ou que a personalidade de Joaquim de Melo Freitas \u201cmais se evidenciaria na colabora\u00e7\u00e3o esparsa pela maioria dos jornais aveirenses\u201d de ent\u00e3o, \u201cmuito particularmente em \u00abA \u00c9poca\u00bb, que fundou e dirigiu\u201d, cujo primeiro n\u00famero saiu no dia 5 de fevereiro de 1885. O \u00faltimo seria datado de exatos dois anos depois\u201d. De acordo com este histori\u00f3grafo aveirense \u201c\u00abA \u00c9poca\u00bb espelhava os seus predicados e predile\u00e7\u00f5es e marcou, assim, na imprensa local um lugar de evid\u00eancia j\u00e1 do ponto de visto liter\u00e1rio, j\u00e1 na defesa dos interesses regionais\u201d.<\/p>\n<p>Antes de se lan\u00e7ar na publica\u00e7\u00e3o de \u00abA \u00c9poca\u00bb, Joaquim de Melo Freitas foi redator dos jornais aveirenses \u00abO Povo de Aveiro\u00bb e \u00abLocomotiva\u00bb, tendo ainda colaborado \u201ccom assiduidade, no \u00abCampe\u00e3o das Prov\u00edncias\u00bb, no \u00abDistrito de Aveiro\u00bb, no \u00abTribuno Popular\u00bb, na \u00abRevista Ilustrada\u00bb, no \u00abDemocrata\u00bb e v\u00e1rios outros peri\u00f3dicos, durante mais de meia cent\u00faria de anos\u201d, como referiu Eduardo Cerqueira.<\/p>\n<p>Como escritor, Joaquim de Melo Freitas publicou in\u00fameros livros, sobre os mais variados temas, dos quais, mais de uma d\u00fazia est\u00e1 dispon\u00edvel para consulta na Biblioteca Municipal de Aveiro. Alguns dos de que foi autor t\u00eam por t\u00edtulo: \u201cHomenagem a Serpa Pinto\u201d, que escreveu em parceria com o Bar\u00e3o de Cadoro (Carlos de Faria), \u201cA Granel \u2013 Diabruras, brado e bagatelas, provincianismos e chinesices\u201d, \u201cGaratujas\u201d, \u201cIronias transparentes\u201d e \u201cVioletas\u201d. <\/p>\n<p>Exemplo de \u201caveirismo\u201d<\/p>\n<p>Joaquim de Melo Freitas foi um ativo interveniente na sociedade aveirense, tendo integrado diversas coletividades e sociedades. Em 20 de abril de 1879, foi convidado a integrar a \u201cSociedade Construtora e Administrativa do Teatro Aveirense\u201d, constitu\u00edda por dez acionistas, que construiu o Teatro Aveirense, inaugurado no dia 5 de mar\u00e7o de 1881.<\/p>\n<p>No dia 5 de fevereiro de 1888, foi eleito comandante da Companhia dos Bombeiros Volunt\u00e1rios de Aveiro (atual Associa\u00e7\u00e3o Humanit\u00e1ria dos Bombeiros Volunt\u00e1rios de Aveiro \u201cBombeiros Velhos\u201d), cargo que manteve at\u00e9 janeiro de 1893. Eduardo Cerqueira recordou que ele era \u201cprofundamente arreigado \u00e0 sua terra\u201d, pelo que \u201ccoube-lhe por dilatado tempo, a fun\u00e7\u00e3o, que por t\u00e1cito sufr\u00e1gio lhe confiavam os seus concidad\u00e3os, de int\u00e9rprete dos mais estr\u00e9nuos sentimentos de aveirismo, intramuros da cidade ou fora dela, cantando-lhe as belezas, advogando-lhe as reivindica\u00e7\u00f5es; acolhendo os visitantes, singulares ou coletivos, com fidalga e cordial\u00edssima lhaneza; real\u00e7ando a hist\u00f3ria, as figuras insignes e demais valores, e as tradi\u00e7\u00f5es da sua terra\u201d.<\/p>\n<p>O grande escritor portugu\u00eas Camilo Castelo Branco correspondeu-se com Joaquim de Melo Freitas, tendo mesmo solicitado, numa carta escrita em S. Miguel de Seide, datada de 26 de maio de 1890, que intercedesse junto do oftalmologista aveirense Edmundo Magalh\u00e3es, que queria consultar numa desesperada tentativa de evitar a cegueira que o afetava.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o jornalista e escritor aveirense Ac\u00e1cio Rosa afirmou que \u201cJoaquim de Melo Freitas \u00e9 um nome que, grande como \u00e9, n\u00e3o cabe bem numa simples nota\u201d.<\/p>\n<p>Alberto Souto <\/p>\n<p>proferiu elogio f\u00fanebre<\/p>\n<p>Alberto Souto, outro dos nomes grandes de Aveiro, proferiu, no dia 9 de dezembro de 1923, o elogio f\u00fanebre de Joaquim de Melo Freitas, dizendo junto ao monumento dos M\u00e1rtires da Liberdade, no cemit\u00e9rio central, que \u201cem Aveiro, longe do grande mundo, sem que a grande imprensa o soubesse, foi a enterrar em var\u00e3o ilustre que, tendo vivido apenas para o pensamento e para o sentimento, teve na sua morte uma consagra\u00e7\u00e3o local que constitui um ato belo e comovente civismo\u201d.<\/p>\n<p>Alberto Souto recordou que o f\u00e9retro de Joaquim de Melo Freitas saiu dos Pa\u00e7os do Concelho, num domingo, conduzido pelos Bombeiros Volunt\u00e1rios, \u201crodeado dos estandartes de todos os clubes, de todas as associa\u00e7\u00f5es, de todas as coletividades da cidade. Cobria-o a bandeira de damasco e oiro do munic\u00edpio\u201d.  <\/p>\n<p>Cardoso Ferreira <\/p>\n<p>Discurso na inaugura\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>do Monumento aos M\u00e1rtires da Liberdade<\/p>\n<p>No centro da atual Pra\u00e7a Joaquim de Melo Freitas ergue-se o monumento aos M\u00e1rtires da Liberdade. O discurso de encerramento da inaugura\u00e7\u00e3o desse monumento oferecido a Aveiro pelo Clube dos Galitos em 1909, no centen\u00e1rio do nascimento de Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o, foi proferido por Joaquim de Melo Freitas que ent\u00e3o afirmou: \u201centre os festejos do dia, este obelisco, devido ao l\u00e1pis e ao cinzel de Ernesto Korrodi, avulta, j\u00e1 pelo seu pensamento generoso, j\u00e1 porque se ergue neste local, onde a 16 de Maio de 1828, um n\u00facleo de cidad\u00e3os, unindo-se \u00e0s for\u00e7as de Ca\u00e7adores 10, de guarni\u00e7\u00e3o nesta cidade, soltaram o grito de revolta e iniciaram esse grande movimento, que dotou o pa\u00eds com as institui\u00e7\u00f5es constitucionais! Nem o ex\u00edlio, nem o erg\u00e1stulo, nem a forca, nem os combates, a mis\u00e9ria e a desgra\u00e7a detiveram esse punhado de bravos patriotas, que se propunham fundar uma p\u00e1tria nova, impregnada de luz, de progresso e de amor!\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aveirenses Not\u00e1veis<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-22138","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22138","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22138"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22138\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}