{"id":2216,"date":"2010-07-28T16:27:00","date_gmt":"2010-07-28T16:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2216"},"modified":"2010-07-28T16:27:00","modified_gmt":"2010-07-28T16:27:00","slug":"ciencia-e-religiao-em-conflito-na-idade-media","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ciencia-e-religiao-em-conflito-na-idade-media\/","title":{"rendered":"Ci\u00eancia e religi\u00e3o em conflito na Idade M\u00e9dia"},"content":{"rendered":"<p>Livro <!--more--> Alexandre Dorozynski<\/p>\n<p>O Papa, o Bispo e o Fil\u00f3sofo.<\/p>\n<p>Conspira\u00e7\u00e3o e morte na Sorbonne<\/p>\n<p>Paulus<\/p>\n<p>222 p\u00e1ginas<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo \u00e9 Siger de Brabante, professor na Faculdade de Artes (isto \u00e9, Humanidades e Filosofia) da Universidade de Paris. Para a hist\u00f3ria ficou conhecido como \u201caverro\u00edsta\u201d, ou seja, seguidor do fil\u00f3sofo mu\u00e7ulmano Averr\u00f3is. Este, apoiado em obras aristot\u00e9licas, afirmava a eternidade do mundo, inclusive da humanidade. No romance, Siger de Brabante diz que apenas quer divulgar o que pensa o fil\u00f3sofo grego, sem entrar em contradi\u00e7\u00e3o com a f\u00e9, mas, na hist\u00f3ria da Filosofia, o professor medieval \u00e9 tido como defensor da \u201cdupla verdade\u201d. A \u201cratio\u201d (a raz\u00e3o, a investiga\u00e7\u00e3o do intelecto humano) podia chegar a conclus\u00f5es diferentes do dogma crist\u00e3o. Os dogmas eram \u201cverdadeiros\u201d (por exemplo, a cria\u00e7\u00e3o do mundo a partir do nada, como nas primeiras p\u00e1ginas da B\u00edblia), enquanto as conclus\u00f5es racionais, ainda que contradit\u00f3rias, eram \u201cnecess\u00e1rias\u201d (eternidade do mundo, porque, como se dizia, do nada nada pode vir).<\/p>\n<p>O bispo \u00e9 Est\u00eav\u00e3o Tempier, de Paris, que em 1277 condena 219 proposi\u00e7\u00f5es dos professores de Paris, sendo algumas delas de Siger de Brabante e outras de Tom\u00e1s de Aquino (falecido em 1274). Como \u00e9 sabido, mais tarde a filosofia de Tom\u00e1s de Aquino, que consegue de forma magistral harmonizar a fides (f\u00e9, revela\u00e7\u00e3o divina) e a ratio, que n\u00e3o podem contradizer-se porque afirmam a mesma e \u00fanica verdade, \u00e9 reabilitada e torna-se filosofia oficial da Igreja cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>O Papa \u00e9 Jo\u00e3o XXI, Pedro Hispano, o \u00fanico papa portugu\u00eas. Segundo a hist\u00f3ria, tamb\u00e9m ter\u00e1 estudado em Paris, podendo ter sido colega de Tom\u00e1s de Aquino e de Siger de Brabante. Certo \u00e9 que, provindo da ci\u00eancia (al\u00e9m de Teologia, era formado em Filosofia e Medicina e dominava a \u00d3ptica e diversas outras \u00e1reas cient\u00edficas), n\u00e3o julgava que o conhecimento da raz\u00e3o (hoje dir\u00edamos cient\u00edfico) pusesse em causa a f\u00e9 crist\u00e3. Pelo contr\u00e1rio, defendia um di\u00e1logo poss\u00edvel e necess\u00e1rio, como prova a carta dirigida ao bispo Tempier, que nunca obt\u00e9m resposta. O Papa morre em 1277, v\u00edtima de um desmoronamento do Pal\u00e1cio de Viterbo, em obras. No romance, o acidente deve-se a um dos primeiros usos de p\u00f3lvora no Ocidente, sendo perpetrado por uma esp\u00e9cie de irmandade que teme que o avan\u00e7o das ci\u00eancias ponha em causa a revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p>Este romance de ideias, com meia d\u00fazia de assass\u00ednios pelo meio, apesar de algumas incongru\u00eancias \u2013 por que \u00e9 que o narrador-protagonista, o jovem Jo\u00e3o Boulanger, n\u00e3o tenta libertar o seu mestre, Siger de Brabante, aprisionado ap\u00f3s a morte do Papa portugu\u00eas? \u2013 d\u00e1 uma sugestiva panor\u00e2mica da Filosofia e Teologia na Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-2216","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2216"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2216\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}