{"id":22179,"date":"2013-04-10T17:09:00","date_gmt":"2013-04-10T17:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22179"},"modified":"2013-04-10T17:09:00","modified_gmt":"2013-04-10T17:09:00","slug":"antonio-marcelino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/antonio-marcelino\/","title":{"rendered":"Ant\u00f3nio Marcelino"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 148 <!--more--> Este ano celebr\u00e1mos o 25.\u00ba anivers\u00e1rio de D. Ant\u00f3nio Baltazar Marcelino como Bispo de Aveiro e em Aveiro. \u00c9 de momento bispo em\u00e9rito, mas, durante anos foi o nosso bispo, como hoje \u00e9 D. Ant\u00f3nio Francisco.<\/p>\n<p>Aprendi com meu diretor espiritual, D. Jos\u00e9 Rivera, cuja causa de beatifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 adiantada no Vaticano, que a um bispo n\u00e3o se deve s\u00f3 honrar efetivamente, com a colabora\u00e7\u00e3o que os sacerdotes lhe devem, mas tamb\u00e9m afetivamente, com o respeito, carinho e amor que lhe devemos, ainda que, aparentemente, n\u00e3o se nos corresponda sempre, visto que as frentes de atua\u00e7\u00e3o de um bispo s\u00e3o bem mais numerosas do que as de um sacerdote. Nem sempre nos lembramos disso na hora de querermos ser atendidos, mas tamb\u00e9m nos dizia D. Jos\u00e9 que um bispo v\u00ea mais alto e, portanto, mais longe, embora n\u00e3o veja sozinho. Para tal, precisa de n\u00f3s e de toda a Igreja. Mas essa ideia ajudou-me sempre a esperar o momento para entender o porqu\u00ea de certas atua\u00e7\u00f5es ou aparentes aus\u00eancias. Queixar-se \u00e9 humano e todos o fazemos muitas vezes, hoje mais do que nunca, ainda que sem raz\u00e3o verdadeira. Lembrar o passado, na nossa cultura portuguesa, muitas vezes \u00e9 mais para sublinhar o mal que se fez ou o que se fez mal ou o que se deixou de fazer do que o bem que nos foi legado pelas pessoas que passaram pela nossa vida.<\/p>\n<p>E, sem esperar nada em troca, permitam-me que fale de D. Ant\u00f3nio Marcelino, enquanto o temos entre n\u00f3s e que Deus lhe d\u00ea longa vida\u2026 Penso que as palavras p\u00f3stumas e as homenagens s\u00e3o boas para a consci\u00eancia coletiva de quem vive na terra mas pouco aproveita a quem partiu, pois, na Eternidade, este mundo deve parecer-nos uma miragem cheia de coisas in\u00fateis, \u00e0s quais demos valor desnecess\u00e1rio, esquecendo o essencial. Gosto de dar o beijo ou a flor e ver o sorriso ou a l\u00e1grima como recompensa, ou, simplesmente imaginar que dei alegria, ainda que n\u00e3o me chegue o seu eco. A D. Ant\u00f3nio Marcelino eu quero dizer o quanto o admiro e lhe agrade\u00e7o. Saldando o tempo que o conheci, e foi grande parte da minha vida de padre, posso dizer que admirei sempre, nesta estatura de homem alto e vigoroso, esta prontid\u00e3o, por vezes impaciente para que as coisas andassem. N\u00e3o \u00e9 homem de estar \u00e0 espera que o contratem como os jornaleiros do Evangelho, mas ele pr\u00f3prio se lan\u00e7a no trabalho da vinha \u00e0s altas horas da manh\u00e3, de modo infatig\u00e1vel. N\u00e3o convivia com a pregui\u00e7a, com o deixa correr. Vi-o como que el\u00e9trico, na dianteira das frentes de batalha, dando a cara, como naquele programa das cem mulheres que nunca mais esque\u00e7o, em que, parecendo que n\u00e3o, ele brilhou. Vi-o a impulsionar, no rasto de D. Manuel Trindade, mas com sua especificidade, a constru\u00e7\u00e3o da Casa Diocesana e a luta pelo Carmelo de Aveiro. Vimo-lo na rua no Congresso dos Leigos e no S\u00ednodo Diocesano, que foram como que uma novidade nacional. Vi-o a rir com um humor ponderado de bom alentejano (nasceu na Beira Baixa e trabalhou no Alto Alentejo antes de ser bispo), vi-o aborrecido diante do erro, vi-o a chorar diante da persegui\u00e7\u00e3o. Vi-o paciente diante das minhas mis\u00e9rias, em momentos da minha vida em que os caminhos n\u00e3o foram os mais corretos. Sempre admirei as suas enormes m\u00e3os, cheias de eleg\u00e2ncia, e senti-o a agarrar-me quando eu me afundava, como fez Jesus com o Pedro vacilante. <\/p>\n<p>Vi-o apostar em muita gente, como eu, mesmo quando, provavelmente lhe ter\u00e1 apetecido desistir, pois tinha mais com que se preocupar. Vi-o alvo de todos os coment\u00e1rios, segundo os nossos pareceres, nem sempre objetivos, pois n\u00e3o o ouv\u00edamos a ele. Mas tamb\u00e9m o vi a justificar-se com humildade. Vi-o grandioso na catedral de Ourense diante de centenas de pessoas das quais mil eram da Diocese de Aveiro, e brincalh\u00e3o a gozar comigo na tarde deste dia, como que a dizer que eu estava \u201cnas minhas sete quintas\u201d. Foi lindo aquele ter\u00e7o rezado com ele e D. Carlos de Ourense no santu\u00e1rio de F\u00e1tima daquela cidade, repleto de gente sua. Quantos momentos cada um de n\u00f3s poderia registar, e ele mesmo, que superam poss\u00edveis queixas ou desagrado pelo que ficou menos bem. Quanto, mas quanto, fica por dizer! Porque se h\u00e1 coisa que este bispo nos deixa como legado, para al\u00e9m de seus lindos artigos escritos fielmente h\u00e1 anos no nosso jornal, \u00e9 o facto de nos ter ensinado que, acima de tudo, n\u00f3s homens, devemos ser, sobretudo homens.<\/p>\n<p>Obrigado, D. Ant\u00f3nio Marcelino! Desculpe o muito ou o pouco\u2026 Aceite o nosso abra\u00e7o amigo de amizade e tamb\u00e9m de algum perd\u00e3o\u2026 E creia, digo em meu nome e no de muitos, mesmo de terras polacas e de outros lugares da geografia que\u2026 n\u00f3s o amamos muito!<\/p>\n<p>Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 148<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-22179","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22179","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22179"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22179\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22179"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22179"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22179"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}