{"id":22182,"date":"2013-04-10T17:11:00","date_gmt":"2013-04-10T17:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22182"},"modified":"2013-04-10T17:11:00","modified_gmt":"2013-04-10T17:11:00","slug":"afinal-quem-e-que-manda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/afinal-quem-e-que-manda\/","title":{"rendered":"Afinal, quem \u00e9 que manda?"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Para S. Pedro, nem os sacerdotes do templo de Jerusal\u00e9m nem (muito menos) os pol\u00edticos (Actos, 5,17-42, donde vem a 1.\u00aa leitura). <\/p>\n<p>E na leitura do evangelho, nem os pescadores s\u00e3o necessariamente os que sabem mais da pesca. \u00c9 como se Jesus dissesse: \u2013 Ent\u00e3o n\u00e3o pescaram nada? Mas olhem que eu estou a ver daqui um grande cardume! E os pescadores de responder: \u2013 Que coisa extraordin\u00e1ria! Como \u00e9 que ele consegue ver melhor do que a gente?<\/p>\n<p>Logo a seguir, S. Pedro sentiu bem a autoridade de Jesus Cristo consagrando-o para uma miss\u00e3o \u00abextraordin\u00e1ria\u00bb.<\/p>\n<p>O bom senso humano, ou raz\u00e3o honesta, basta para compreender que ningu\u00e9m sabe de tudo, e que o \u00abordin\u00e1rio\u00bb da vida se encontra envolto pelo \u00abextraordin\u00e1rio\u00bb (como proclamam \u00abtodas as criaturas\u00bb, num hino \u00e0 vit\u00f3ria da vida \u2013 2.\u00aa leitura). De tal maneira envolto, que o pr\u00f3prio \u00abordin\u00e1rio\u00bb s\u00f3 \u00e9 bem saboreado se tem os condimentos do \u00abextraordin\u00e1rio\u00bb. <\/p>\n<p>A for\u00e7a e o sucesso dos disc\u00edpulos devem-se a terem sentido profundamente que Jesus revelava uma autoridade \u00abextraordin\u00e1ria\u00bb. \u00abObedecer\u00bb a esta autoridade \u00e9, de acordo com o significado etimol\u00f3gico, \u00abprestar-lhe aten\u00e7\u00e3o\u00bb. D\u00e1-se assim a dif\u00edcil mas fecunda uni\u00e3o de raz\u00e3o e liberdade \u2013 permitindo-nos assentir, sem frustra\u00e7\u00f5es, ao que se evidencia como melhor op\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A consci\u00eancia da dimens\u00e3o \u00abextraordin\u00e1ria\u00bb da autoridade \u00e9 sublinhada por Jesus, quando nos garante que Deus d\u00e1 o \u00abEsp\u00edrito da sabedoria\u00bb a quem lho pedir (Lc. 11, 9-13) \u2013 mas s\u00f3 a alegria e bem-estar comum resultantes da nossa ac\u00e7\u00e3o \u00e9 que testemunham termos agido com Deus (\u00abHino ao amor\u00bb, 1Cor 13).<\/p>\n<p>Jesus aceitou unir-se a Deus de um modo t\u00e3o perfeito que O tratava familiarmente como \u00abPai\u00bb; e revelou, pelas palavras e sobretudo pela vida, o que significava \u00abobedecer mais a Deus do que aos homens\u00bb. Revolucionou o modo de olhar para a exist\u00eancia e o modo de \u00abviver com Deus\u00bb, solidificando a tranquilidade gestora dos conflitos, como \u00e9 desej\u00e1vel numa fam\u00edlia. <\/p>\n<p>O evangelho inclui a tocante cena da confirma\u00e7\u00e3o da amizade de Pedro e Jesus, contrastando com as tr\u00eas nega\u00e7\u00f5es de Pedro, no decorrer do processo contra o Mestre. E como \u00e9 que este n\u00e3o ficaria com o cora\u00e7\u00e3o derretido ao ver aquele duro pescador \u201cmand\u00e3o\u201d atirar-se \u00e0 \u00e1gua para mais depressa o poder abra\u00e7ar?<\/p>\n<p>De tal modo se tornou profunda essa amizade, que Pedro e os companheiros aguentaram com alegria as persegui\u00e7\u00f5es futuras. Descobriram que valia a pena p\u00f4r em primeiro lugar a autoridade de Deus, como foi revelada por Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Quando nos colocamos com Deus perante a vida, revoltamo-nos contra a caducidade desta vida, contra o sofrimento e a viol\u00eancia. Gritamos que somos mais do que \u00abs\u00f3 isto\u00bb e que as situa\u00e7\u00f5es mais negras apenas escondem o Amor e a Vida \u2013  como o lembrou o Papa Francisco, na homilia da Vig\u00edlia pascal. <\/p>\n<p>\u00c9 pela ora\u00e7\u00e3o, que nos dispomos a partilhar da autoridade de Deus, que nos firma na alegria e no prazer de viver \u00abapesar de tudo\u00bb. <\/p>\n<p>Com esta autoridade \u00e9 que garantimos a liberdade. \u00abLiberdade\u00bb e \u00abAutoridade\u00bb cont\u00eam, nos seus radicais indo-europeus, a ideia nuclear de um ser vivo: \u00abcrescer\u00bb (leudh ) e \u00abfazer crescer\u00bb ou \u00abaumentar\u00bb (aug).<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 acertado concluir que, ao colaborarmos livremente com a \u00abautoridade verdadeira\u00bb, somos sempre n\u00f3s \u00abquem manda\u00bb?<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n<p>m.alteveiga@netcabo.pt  <\/p>\n<p>(Este texto n\u00e3o segue o novo Acordo Ortogr\u00e1fico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-22182","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22182","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22182"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22182\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22182"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22182"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}