{"id":22201,"date":"2013-03-20T16:46:00","date_gmt":"2013-03-20T16:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22201"},"modified":"2013-03-20T16:46:00","modified_gmt":"2013-03-20T16:46:00","slug":"pai-nosso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/pai-nosso\/","title":{"rendered":"Pai-nosso"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 146 <!--more--> Um dia, os ap\u00f3stolos de Jesus interpelaram-no por Jo\u00e3o Batista ter ensinado os seus disc\u00edpulos a rezar: \u201cEnsina-nos a rezar, Senhor\u201d. E Jesus ensinou-os a rezar o \u00abPai-Nosso\u00bb. Muitos estudiosos, santos, m\u00edsticos, de h\u00e1 2000 anos a esta parte, t\u00eam falado sobre e comentado esta ora\u00e7\u00e3o. Encontramo-la estudada desde Santo Agostinho e S\u00e3o Cipriano a Teresa de Jesus, nos te\u00f3logos, nos documentos da Igreja\u2026 Mas uma coisa que me ajudou a ver esta ora\u00e7\u00e3o de outra maneira foi ter ouvido numa confer\u00eancia que em Israel todo o Mestre tinha uma ora\u00e7\u00e3o que lhe era pr\u00f3pria e que resumia o essencial da sua doutrina e dos ensinamentos. Provavelmente, tamb\u00e9m nas outras religi\u00f5es isso acontece. E foi por isso que os ap\u00f3stolos de Jesus, ao saberem da ora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de Jo\u00e3o Baptista, pediram que Jesus lhes ensinasse a sua pr\u00f3pria ora\u00e7\u00e3o de doutrina, de resumo da sua mensagem e miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Atribu\u00edmos a Maria o seu \u201cMagnificat\u201d. Zacarias rezou o \u201cBenedictus\u201d. Talvez David tivesse prefer\u00eancia pelo \u201cMiserere\u201d. Seja como for, saber que o \u201cPai-Nosso\u201d n\u00e3o \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o entre tantas, mas a ora\u00e7\u00e3o de Jesus, ajuda-nos a pensar que ela compendia os desejos de Jesus em rela\u00e7\u00e3o a cada um de n\u00f3s que a rezamos diariamente, por vezes, tamb\u00e9m, distraidamente.<\/p>\n<p>Costumamos dizer que nessa ora\u00e7\u00e3o Jesus quer dar sete gra\u00e7as, correspondentes aos sete pedidos que ela cont\u00e9m. Verdadeiramente, quando a Igreja ou a B\u00edblia nos mandam pedir algo \u00e9 porque o Senhor nos quer conceder essa realidade. Pedimos assim o que Ele nos quer dar. Ele diz que devemos pedir o Esp\u00edrito Santo, por exemplo. Muitas Igrejas costumam colocar seis velas no altar, ao lado do sacr\u00e1rio, para que o quarto pedido corresponda ao pr\u00f3prio sacr\u00e1rio, \u201co p\u00e3o nosso de cada dia nos dai, hoje\u2026\u201d &#8211; uma curiosidade a que n\u00e3o prestamos aten\u00e7\u00e3o mas que se encontra em muitos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, qual \u00e9 a ess\u00eancia da ora\u00e7\u00e3o de Jesus? Que sete pedidos s\u00e3o esses? Primeiro, o facto de Jesus ser o Filho de Deus Pai, o Abba, ou paizinho, que era o modo de Jesus se dirigir ao Pai na sua ora\u00e7\u00e3o. Ele procede do Pai eternamente como segunda pessoa da Sant\u00edssima Trindade. Ele veio dar-nos a conhecer o Pai. N\u00e3o nos podia ensinar sen\u00e3o o que Ele mesmo fazia: Pai Nosso, dele e nosso\u2026 Filhos no Filho \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o que temos com Deus, pelo Batismo. E \u201cest\u00e1 no C\u00e9u\u201d, de onde Jesus veio para nos salvar. O Pai est\u00e1 no C\u00e9u, para onde nos chama para participarmos dele eternamente como o Filho. A nossa p\u00e1tria \u00e9 o C\u00e9u para habitar com o Pai que \u00e9 meu e teu, \u00e9 nosso. E o primeiro pedido \u00e9 o de reconhecermos essa realidade do Pai que nos habita, pois s\u00f3 esse reconhecimento nos torna templos do Esp\u00edrito Santo. Da\u00ed que \u201cseja santificado o teu nome\u201d, ou glorificado, como Jesus tanto gosta de dizer no Evangelho de S. Jo\u00e3o. Santificar o nome de Deus \u00e9 o mesmo que n\u00e3o O invocar em v\u00e3o, como nos ensina o Mandamento. Santificar n\u00e3o \u00e9 torn\u00e1-lo santo, mas que Ele nos torne santos a n\u00f3s: \u201cGlorifica o teu Filho\u201d, disse Jesus. E a sua presen\u00e7a em n\u00f3s inaugura o Reino de Deus na terra, pela gra\u00e7a de Deus em n\u00f3s. Ele disse que viria fazer de n\u00f3s a sua morada, ou o seu Reino, que \u00e9 o mesmo. Da\u00ed o segundo pedido: \u201cVenha a n\u00f3s o vosso Reino\u201d. E esse Reino constr\u00f3i-se pela fidelidade e correspond\u00eancia \u00e0 mensagem e pessoa de Jesus, \u00e0 obedi\u00eancia ao que Deus quer, da\u00ed, \u201cseja feita a vossa vontade\u201d. Para tal, o Senhor alimenta-nos com o Seu exemplo: \u201cO meu alimento \u00e9 fazer a vontade do meu Pai\u2026\u201d E para tal o Pai nos d\u00e1 a Sua Palavra, tamb\u00e9m feita \u201cp\u00e3o nosso para cada dia\u2026 hoje\u201d.<\/p>\n<p>Mas temos de recorrer \u00e0 miseric\u00f3rdia que Jesus veio mostrar na Terra, sabendo o quanto somos pecadores, da\u00ed que Ele \u201cperdoe as nossas ofensas\u201d. Mas Jesus tamb\u00e9m nos disse que assim como o P\u00e3o pode ser o Eucar\u00edstico ou o do nosso sustento quotidiano, tamb\u00e9m a miseric\u00f3rdia n\u00e3o se recebe apenas, mas comunica-se, pois Ele manda-nos \u201cir e anunciar\u201d. Por isso, para receber miseric\u00f3rdia, temos de a pedir e de a dar. A miseric\u00f3rdia \u00e9 o pr\u00f3prio Deus em n\u00f3s, pois Deus \u00e9 amor. Da\u00ed que o quinto pedido seja sermos capazes de \u201cperdoar a quem nos tem ofendido\u201d, recordando que Ele fala muito desta realidade e terminou pedindo perd\u00e3o para os seus algozes. Mas como o mundo est\u00e1 cheio de armadilhas que nos desviam do reconhecimento do Pai em n\u00f3s, temos de ir para o sexto pedido que \u00e9 o de \u201cn\u00e3o nos deixes cair em tenta\u00e7\u00e3o\u201d, e que, finalmente, em s\u00e9timo lugar, nos \u201clivre do mal\u201d, que, fundamentalmente, consiste em n\u00e3o virmos a ser os escolhidos, apesar de termos sido chamados.<\/p>\n<p>Tudo quanto Jesus nos veio dizer e ensinar a pedir compendiou no \u201cPai-Nosso\u201d. Tamb\u00e9m a realidade da sua ess\u00eancia divina e da sua humanidade e a nossa realidade temporal e eterna. Rezar e pensar no \u201cPai-Nosso\u201d \u00e9 simplesmente rever os princ\u00edpios do Evangelho e viver a nossa vida num permanente Amen.<\/p>\n<p>Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 146<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-22201","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22201","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22201"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22201\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22201"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22201"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22201"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}