{"id":22233,"date":"2013-04-17T16:30:00","date_gmt":"2013-04-17T16:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22233"},"modified":"2013-04-17T16:30:00","modified_gmt":"2013-04-17T16:30:00","slug":"o-velho-teatro-aveirense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-velho-teatro-aveirense\/","title":{"rendered":"O velho Teatro Aveirense"},"content":{"rendered":"<p>Bolors &#8211; 15 <!--more--> N\u00e3o vou falar do papel extraordinariamente relevante que o velhinho Teatro Aveirense desempenhou na vida cultural da nossa cidade de Aveiro. Isso dar\u00e1 para posteriores abordagens, tantas s\u00e3o as facetas por que a vida do nosso Teatro pode ser recordado. <\/p>\n<p>Desta feita vou-me manter agarrado aos meus anos, at\u00e9 aos seis, durante os quais fui vizinho da nossa, ent\u00e3o, \u00fanica casa de espet\u00e1culos. Da rua de Gustavo Ferreira Pinto Basto \u00e0 rua 31 de Janeiro era um pulinho que a minha av\u00f3 me permitia sem nada se afreimar.<\/p>\n<p>N\u00e3o era s\u00f3 eu, garoto, que gostava de ir \u00e0s sess\u00f5es de cinema das tardes de domingo. \u00c9ramos muitos, mas muito bem organizados de forma a n\u00e3o perturbar a entrada no Teatro. Ordeiramente permanec\u00edamos na 31 de Janeiro e, respeitando escrupulosamente a ordem de chegada de cada um de n\u00f3s, aguard\u00e1vamos que come\u00e7assem a dirigir-se para os porteiros devidamente fardados os casais que iam assistir \u00e0 sess\u00e3o de cinema. Discretamente, cada um de n\u00f3s colocava-se ao lado de cada casal e ped\u00edamos, com o ar mais \u201csantinho\u201d do mundo, se n\u00e3o se importavam de nos levar pela m\u00e3o para dentro do teatro. \u00c9 que, anos quarenta do s\u00e9culo passado, as crian\u00e7as n\u00e3o pagavam bilhete desde que acompanhadas por adultos. E n\u00e3o havia classifica\u00e7\u00e3o et\u00e1ria para os filmes. Os porteiros do teatro j\u00e1 nos conheciam. \u00c9ramos a \u201cfreguesia habitual\u201d, mor\u00e1vamos ali perto, muitos conheciam-nos pelo nome e facilitavam assim a nossa entrada \u201c\u00e0 borla\u201d. Apanhados l\u00e1 dentro, agradec\u00edamos como mandavam as boas regras de educa\u00e7\u00e3o e procur\u00e1vamos lugares vagos onde nos sent\u00e1vamos tranquilamente para ver os filmes.<\/p>\n<p>Cada sess\u00e3o era composta por tr\u00eas partes: uma, de notici\u00e1rio dos factos mais relevantes ocorridos em todo o mundo; outra, de desenhos animados que eram a nossa del\u00edcia, e, finalmente, o prato forte: o filme que dava nome ao espect\u00e1culo e que, consoante a fama dos atores intervenientes, garantia a qualidade da \u201csala\u201d em termos financeiros para a empresa propriet\u00e1ria do Teatro Aveirense.<\/p>\n<p>Tudo isto tinha os seus intervalos que permitiam aos assistentes ir at\u00e9 ao bar da plateia tomar uma bebida, normalmente um caf\u00e9 de saco tirado de uma m\u00e1quina alta, toda cromadinha, que at\u00e9 era um luxo. E, quer no \u201chall\u201d de entrada, quer no sal\u00e3o nobre do primeiro balc\u00e3o, as pessoas passeavam os seus fatos domingueiros, luzindo as senhoras os seus trajes \u00e0 moda mais recente. Ir ao cinema n\u00e3o era s\u00f3 para ver o filme. Era, principalmente e as mais das vezes, para conviver, para socializar. E tudo isto, sem dispensar um ritual pr\u00f3prio, quase de cerim\u00f3nia, que todos cultivavam, n\u00e3o deixando de aproveitar a circunst\u00e2ncia para evidenciar o \u201cstatus\u201d de cada um. <\/p>\n<p>Comparando os dias de hoje com os de ent\u00e3o, sem d\u00favida que muito se perdeu: a t\u00e9cnica evoluiu imenso, a qualidade da imagem n\u00e3o tem compara\u00e7\u00e3o, o som tamb\u00e9m e, quando se entra nas pequenas salas-est\u00fadio de hoje, a envolv\u00eancia que nos agarra atira-nos para um mundo diferente, fazendo-nos part\u00edcipes de corpo inteiro. Hoje, assistir a uma sess\u00e3o de cinema \u00e9 como que estar num laborat\u00f3rio, solit\u00e1rios, como que dentro de uma redoma.  <\/p>\n<p>Ir ao cinema antigamente tinha outra cor, outro vi\u00e7o, era pretexto para sermos e vivermos mais em sociedade.<\/p>\n<p>E ir ao cinema nos tempos da minha meninice tinha decididamente um m\u00e9rito: ia de \u201cborla\u201d por conta da amiga toler\u00e2ncia dos porteiros fardados a rigor que nos permitiam o ingresso sob o seu c\u00famplice olhar.  <\/p>\n<p>Nota da reda\u00e7\u00e3o: Gaspar Albino \u00e9 hoje submetido a uma interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica numa perna, em Coimbra, o que poder\u00e1 levar \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o destas cr\u00f3nicas. Desejamos ao nosso colaborador uma r\u00e1pida e completa recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bolors &#8211; 15<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-22233","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22233","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22233"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22233\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22233"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22233"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22233"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}