{"id":22247,"date":"2013-03-20T16:53:00","date_gmt":"2013-03-20T16:53:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22247"},"modified":"2013-03-20T16:53:00","modified_gmt":"2013-03-20T16:53:00","slug":"do-presente-ao-futuro-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/do-presente-ao-futuro-da-igreja\/","title":{"rendered":"Do presente ao futuro da Igreja"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o v\u00e3o muito bem as coisas da Igreja na Europa. E n\u00e3o s\u00f3 na Europa, n\u00e3o obstante as regi\u00f5es onde se sente menos a crise ou se v\u00ea uma renovada vitalidade. As coisas n\u00e3o v\u00e3o bem pelas mazelas de todos conhecidas, mas, ainda, por uma leitura deficiente da realidade que se vive e consequente dificuldade de uma resposta adequada aos muitos problemas existentes. Se governar \u00e9 tamb\u00e9m prever e prevenir, no presente que se vive o futuro n\u00e3o aparece auspicioso. Parece urgente que a realidade se veja e encare com olhos novos e se procurem, com persistente humildade e com as pessoas certas, novos caminhos de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Abusa-se facilmente da afirma\u00e7\u00e3o de que Deus n\u00e3o abandona a sua Igreja. \u00c9 verdade. Mas esquece-se que a a\u00e7\u00e3o prometida e assegurada de Deus pode ser minimizada ou menosprezada pela deficiente media\u00e7\u00e3o humana, o que muitas vezes acontece. <\/p>\n<p>O futuro que se deseja e legitimamente se procura, assenta, como projeto, na mem\u00f3ria vivida e consciencializada no presente. \u00c9 neste que se conjugam e, no poss\u00edvel, se acertam, os dados de um projeto esperan\u00e7oso. Ent\u00e3o, sempre se poder\u00e1 e dever\u00e1 confiar na a\u00e7\u00e3o de Deus, fugindo de O invocar em v\u00e3o.<\/p>\n<p>De olhos abertos \u00e0 realidade eclesial, sem deixarmos de reconhecer os muitos aspetos positivos, vemos que aumenta o n\u00famero dos descrentes e indiferentes, muitos que, antes, diziam n\u00e3o o ser; diminui, a olhos vistos, o n\u00famero dos praticantes de culto; s\u00e3o cada vez menos os que pedem o Batismo e muitos batizados dispensam o Matrim\u00f3nio, porque Deus n\u00e3o conta nesta op\u00e7\u00e3o de suas vidas; assim, s\u00e3o muitos os que preferem ao sacramento do Matrim\u00f3nio a uni\u00e3o de facto e o casamento civil; os lugares sociais mais determinantes est\u00e3o vazios de crist\u00e3os assumidos; \u00e9 manifesta a crise vocacional, tanto para o sacerd\u00f3cio ministerial, como para a vida consagrada, deixando a bra\u00e7os a Igreja com problemas de toda a ordem; muitos jovens se afastam da Igreja e das suas orienta\u00e7\u00f5es, mesmo que, ciclicamente, participem em suas atividades festivas; aumenta o n\u00famero de div\u00f3rcios e acentua-se, sempre mais, o div\u00f3rcio entre a f\u00e9 e a vida; \u00e9 vis\u00edvel o cansa\u00e7o e a desmotiva\u00e7\u00e3o, na Igreja, de muitos servidores a tempo inteiro; a compreens\u00e3o e a aceita\u00e7\u00e3o cr\u00edtica dos tempos novos n\u00e3o pesa no caminho normal das op\u00e7\u00f5es pastorais; as Igrejas Locais e as Confer\u00eancias Episcopais s\u00e3o abafadas pelo centralismo romano; em alguns casos, idosos l\u00facidos e criteriosos s\u00f3 s\u00e3o os cardeais at\u00e9 aos oitenta. A Igreja parece navegar em contra corrente das pessoas e a sociedade\u2026<\/p>\n<p>Sabemos que vai ainda muita gente \u00e0 Eucaristia. Por\u00e9m, reconhece-se, que, desde longe, a maior parte dos batizados vive \u00e0 margem do templo. N\u00e3o podemos esquecer a generosidade e a disponibilidade apost\u00f3lica de muitos crist\u00e3os, conhecidos ou an\u00f3nimos, e a sua preocupa\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o e de viv\u00eancia evang\u00e9lica, e a entrega incondicional, ao servi\u00e7o do Reino, de muitos respons\u00e1veis pastorais. N\u00e3o obstante, hoje, a Igreja perdeu, em muitos aspetos e lugares, credibilidade e o n\u00famero de pag\u00e3os batizados, como hoje se insiste em dizer, \u00e9 uma multid\u00e3o que dispensa Deus e organiza a sua vida segundo crit\u00e9rios e valores alheios ao Evangelho de Cristo. <\/p>\n<p>Vai-se pensando, com certa ingenuidade, que mudando o papa, o bispo ou o padre, as coisas tamb\u00e9m mudar\u00e3o, o que, no essencial, n\u00e3o acontece. Houve na Igreja, durante s\u00e9culos, e ainda h\u00e1, um certo sebastianismo que alimenta sonhos e paralisa esfor\u00e7os. Em muitos casos, a ilus\u00e3o \u00e9 senhora que comanda. Operam-se mudan\u00e7as cosm\u00e9ticas que fomentam consola\u00e7\u00f5es passageiras e iludem os menos habituados a pensar e a ir al\u00e9m do superficial. Depois, tudo vai voltando ao mesmo, como o festival de fogo de artif\u00edcio nas festas populares. Deslumbra por momentos, mas n\u00e3o deixa porta v\u00e1lida para ir mais longe. <\/p>\n<p>A sociedade moderna ganhou autonomia no ser e no agir. A Igreja, entretanto, foi-se apegando ao passado, canonizou refer\u00eancias e solu\u00e7\u00f5es clericais, esqueceu apelos e desafios em campo, lamenta os desvarios do mundo, profere, ainda e por vezes, os seus an\u00e1temas, e parece esperar que lhe chegue, de bandeja, a solu\u00e7\u00e3o dos problemas a que n\u00e3o pode fugir. Este, porventura, \u00e9 o maior obst\u00e1culo \u00e0 renova\u00e7\u00e3o eclesial.<\/p>\n<p>As dificuldades n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 da Igreja, mas \u00e9 destas que falamos. N\u00e3o deixarei de dar a minha achega de pastor, a esta situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pare\u00e7a que fico em apre\u00e7os de comentador diletante. O meu amor \u00e0 Igreja e o compromisso que nela me assiste n\u00e3o deixar\u00e3o que assim aconte\u00e7a. Agora com o novo Papa reaviva-se a esperan\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o v\u00e3o muito bem as coisas da Igreja na Europa. E n\u00e3o s\u00f3 na Europa, n\u00e3o obstante as regi\u00f5es onde se sente menos a crise ou se v\u00ea uma renovada vitalidade. 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