{"id":22289,"date":"2011-03-09T10:19:00","date_gmt":"2011-03-09T10:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22289"},"modified":"2011-03-09T10:19:00","modified_gmt":"2011-03-09T10:19:00","slug":"protagonista-de-uma-dura-batalha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/protagonista-de-uma-dura-batalha\/","title":{"rendered":"Protagonista de uma dura batalha"},"content":{"rendered":"<p>No Dia Internacional da Mulher (8 de Mar\u00e7o), homenagem a Ros\u00e1rio Sarabando, que durante longos anos sofreu de esclerose lateral amiotr\u00f3fica. Faleceu na madrugada 27 de Fevereiro, poucas horas depois do lan\u00e7amento da quarta edi\u00e7\u00e3o do seu livro \u201cQuero ver o meu filho crescer\u2026 a afirma\u00e7\u00e3o da liberdade interior\u201d.<\/p>\n<p>No decorrer da hist\u00f3ria, passada e presente, sempre existiram mulheres que n\u00e3o t\u00eam tido a pretens\u00e3o de caminhar \u00e0 frente dos homens ou a falsa mod\u00e9stia de ir atr\u00e1s deles, mas sim de estar a seu lado para juntos se darem as m\u00e3os e as vontades, com aud\u00e1cia, alegria e sofrimento, na constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor; tamb\u00e9m t\u00eam existido e continuam a existir mulheres que, n\u00e3o se deixando derrotar pelas dificuldades da vida ou do infort\u00fanio da doen\u00e7a, s\u00e3o testemunhas modelares em superar as circunst\u00e2ncias dif\u00edceis, quase sempre no sil\u00eancio ou na humildade. Perante tais exemplos de coragem e de mart\u00edrio, n\u00e3o podemos ficar indiferentes. Se isto assim acontecesse, haveria raz\u00e3o para sermos acusados de injusti\u00e7a\u2026 ou ao menos de distrac\u00e7\u00e3o e de neglig\u00eancia.<\/p>\n<p>No Dia Internacional da Mulher, recordo em evoca\u00e7\u00e3o sentida Ros\u00e1rio Sarabando, ilhavense nascida em 15 de Dezembro de 1962, que, durante longos anos de t\u00e3o atroz enfermidade mas sempre com vontade de viver sem des\u00e2nimos, revelou-nos com muita simplicidade e sem qualquer presun\u00e7\u00e3o os detalhes da vida de uma esposa, m\u00e3e e dona de casa, mesclada de lutas interiores e de interroga\u00e7\u00f5es \u00edntimas, mas cheia de f\u00e9 em Deus, de boa disposi\u00e7\u00e3o e de extraordin\u00e1rio amor aos outros, particularmente ao seu marido e ao seu filho.<\/p>\n<p>Na tarde do passado dia 26 de Fevereiro, participei na just\u00edssima homenagem que \u00cdlhavo lhe prestou, aquando do lan\u00e7amento da quarta edi\u00e7\u00e3o do seu livro \u201cQuero ver o meu filho crescer\u2026 a afirma\u00e7\u00e3o da liberdade interior\u201d. \u00c9 um livro que, se relata a progress\u00e3o da sua doen\u00e7a, fala-nos sobretudo da import\u00e2ncia das coisas simples, mas cheias de significado. Foi uma festa repleta de gratid\u00e3o afectiva e de emo\u00e7\u00e3o comovente, vivida por muitas dezenas de pessoas no sal\u00e3o nobre do Museu Mar\u00edtimo. Nesses momentos de reconhecimento e de j\u00fabilo, ningu\u00e9m suspeitava que ela iria falecer na madrugada seguinte, v\u00edtima de esclerose lateral amiotr\u00f3fica, de que sofria desde 1999 \u2013 ano em que, no dia 20 de Junho, nasceu o seu filhinho Jo\u00e3o Paulo, h\u00e1 muito desejado.<\/p>\n<p>Fisicamente limitada, Ros\u00e1rio Sarabando foi protagonista de uma dura batalha contra a doen\u00e7a que enfrentou, vivendo mais tempo do que se previa. Este percurso foi-lhe bastante penoso, mas foi marcado pela coragem em manter-se viva, para ver o Jo\u00e3ozito crescer\u2026 com o carinho desvelado do seu marido Paulo Manuel Gon\u00e7alves. Demonstrou que todo o homem e toda a mulher podem ser verdadeiramente felizes, mesmo que se abatam sobre eles as borrascas calamitosas. Como disse a Madre Teresa de Calcut\u00e1, \u00abo importante n\u00e3o \u00e9 o que se d\u00e1, mas o amor com que se d\u00e1.\u00bb Fragilizada, jamais deixou que a revolta a dominasse, n\u00e3o infernizando a sua vida nem a dos que a rodeavam; optou pela luta di\u00e1ria com f\u00e9 e amor a Deus, porque \u2013 escreveu ela \u2013 \u00abo meu filho e o meu marido merecem que assim o fa\u00e7a.\u00bb<\/p>\n<p>Impossibilitada de falar, por meio de um computador especial embora com dificuldade, fazia-se comunicar em mensagens escritas, orientava as tarefas dom\u00e9sticas e at\u00e9 indicava a ementa das refei\u00e7\u00f5es. Recordo algumas das suas palavras: &#8211; \u00abSinto-me aben\u00e7oada! Sinto-me rodeada de amor e carinho\u2026 pelos meus dois amores e pelos meus grandes amigos! Apesar de tudo, sou muit\u00edssimo feliz\u00bb; por isso, \u00abenquanto eu puder estar mais um dia na vida do meu filho, vale a pena.\u00bb Depois de debelar uma crise, escreveu: &#8211; \u00abQuando finalmente venci, tudo voltou a ser como dantes, com duas diferen\u00e7as: &#8211; mais for\u00e7a e mais vontade de viver.\u00bb Outra vez confidenciou: &#8211; \u00abEu queria levantar-me e n\u00e3o conseguia\u2026 at\u00e9 que uma ora\u00e7\u00e3o e o oitavo anivers\u00e1rio do meu filhote me ajudaram a seguir em frente\u2026\u00bb E ao Padre Jo\u00e3o Alves disse em Maio de 2007: &#8211; \u00abQuero receber o sacramento da Santa Un\u00e7\u00e3o; quero levantar-me desta ang\u00fastia e esperar melhores dias\u2026 mas a ideia de partir n\u00e3o me abandona!\u00bb Em palavras repletas da experi\u00eancia de uma m\u00e3e, que dirigiu ao filho, deixou estas recomenda\u00e7\u00f5es entre v\u00e1rias: &#8211; \u00abMeu querido, quando a vida te der mil raz\u00f5es para chorar, mostra-lhe que tens mil e uma raz\u00f5es para sorrir. [\u2026] Respeita para seres respeitado, ouve para seres ouvido, cumpre a tua palavra que tem de ser sagrada. [\u2026] Para receberes, ter\u00e1s que dar; d\u00e1 o que de melhor existir em ti \u2013 amor, amizade, carinho, solidariedade, tudo o que achares que podes dar.\u00bb<\/p>\n<p>Ros\u00e1rio Sarabando: &#8211; O teu testemunho de alegria irradiante, de esperan\u00e7a contumaz, de for\u00e7a voluntariosa e de amor s\u00f3lido vai perdurar na mem\u00f3ria do teu marido, do teu filho e de quem te conheceu, como uma luz no seu caminho. Bem hajas, pela mensagem sublime da tua vida, que continuar\u00e1 a marcar e a fortalecer as nossas vidas!&#8230; Como afirmaste, um dia estaremos na grande Casa de Deus\u2026 Essa Casa onde todos nos iremos encontrar, porque a morte n\u00e3o \u00e9 um adeus, mas apenas uma separa\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Dia Internacional da Mulher (8 de Mar\u00e7o), homenagem a Ros\u00e1rio Sarabando, que durante longos anos sofreu de esclerose lateral amiotr\u00f3fica. Faleceu na madrugada 27 de Fevereiro, poucas horas depois do lan\u00e7amento da quarta edi\u00e7\u00e3o do seu livro \u201cQuero ver o meu filho crescer\u2026 a afirma\u00e7\u00e3o da liberdade interior\u201d. 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