{"id":22291,"date":"2011-03-09T10:21:00","date_gmt":"2011-03-09T10:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22291"},"modified":"2011-03-09T10:21:00","modified_gmt":"2011-03-09T10:21:00","slug":"o-nosso-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/o-nosso-dinheiro\/","title":{"rendered":"O nosso dinheiro"},"content":{"rendered":"<p>Dizem os entendidos e at\u00e9 os desentendidos que \u00e9 neste m\u00eas que vamos todos saber experiencialmente o que \u00e9 a crise. Uns mais que outros. O que era uma teoria, uma amea\u00e7a, torna-se uma realidade not\u00f3ria na carteira, no banco, \u00e0 mesa, em viagem, nos bens essenciais, na gest\u00e3o dom\u00e9stica, no sal\u00e1rio mensal. Paralelamente h\u00e1 uma nova consci\u00eancia do essencial e do sup\u00e9rfluo. Mas talvez o que mais se acentua \u00e9 a no\u00e7\u00e3o de que o Estado n\u00e3o \u00e9 apenas aquele monstro que nos rouba e engana. O Estado somos n\u00f3s. Cada vez o povo sente mais o dinheiro que lhe paga nos impostos que sobem, nos montantes que injustamente o Estado distribui por quem n\u00e3o merece. E no roubo que constitui para a comunidade qualquer desvio de dinheiro ou bens que pertencem ao Estado. Assiste-se inclusivamente a uma esp\u00e9cie de policiamento sobre o carro, o sal\u00e1rio, os benef\u00edcios de quem \u00e9 funcion\u00e1rio do Estado. Diz-se simplesmente que \u00e9 o \u201cnosso dinheiro\u201d. E cada cidad\u00e3o como que se torna fiscal e administrador dos bens p\u00fablicos julgando que quer e pode, mesmo sem mandar.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m dizer que \u00e9 saud\u00e1vel a estima pelos dinheiros e bens p\u00fablicos. Substituir\u00e1 uma mentalidade de menosprezo que conduzia a aut\u00eanticos vandalismos em desperd\u00edcios sobre o que \u201cn\u00e3o era de ningu\u00e9m\u201d. Quando afinal \u00e9 bem de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Nesta transi\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de mentalidade h\u00e1 muito ju\u00edzo precipitado e incompetente na avalia\u00e7\u00e3o dos gastos p\u00fablicos essenciais em sa\u00fade, transportes, seguran\u00e7a social, apoios a desprotegidos, como se se tratasse de usurpadores de bens de todos. O tempo certamente ajudar\u00e1 a uma clarifica\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 urgente um discernimento para que n\u00e3o aconte\u00e7am ju\u00edzos nervosos e precipitados sobre apar\u00eancias e interesses imediatos. A informa\u00e7\u00e3o a c\u00e9u aberto pode prevenir muitos abusos. Mas pode suscitar ajustes de contas selvagens, esquecendo o que \u00e9 antes de tudo um Estado: uma casa de todos, onde todos t\u00eam os seus direitos e deveres e onde se deve reflectir o sentido de comunidade e partilha. \u00c9 isto que o cristianismo pode acrescentar de novo a um debate sobre o p\u00fablico e o privado, a justi\u00e7a nas retribui\u00e7\u00f5es, apoio aos mais desfavorecidos, servi\u00e7o \u00e0 causa p\u00fablica, a pol\u00edtica como o empenho pela cidade.<\/p>\n<p>A presente crise j\u00e1 come\u00e7ou a dar alguns bons frutos. Mas interessa respeitar os tempos e as etapas para que possam reinar entre n\u00f3s a justi\u00e7a e a paz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizem os entendidos e at\u00e9 os desentendidos que \u00e9 neste m\u00eas que vamos todos saber experiencialmente o que \u00e9 a crise. Uns mais que outros. O que era uma teoria, uma amea\u00e7a, torna-se uma realidade not\u00f3ria na carteira, no banco, \u00e0 mesa, em viagem, nos bens essenciais, na gest\u00e3o dom\u00e9stica, no sal\u00e1rio mensal. Paralelamente h\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62],"tags":[],"class_list":["post-22291","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22291"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22291\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}