{"id":22340,"date":"2013-04-17T16:11:00","date_gmt":"2013-04-17T16:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22340"},"modified":"2013-04-17T16:11:00","modified_gmt":"2013-04-17T16:11:00","slug":"quando-e-como-surgiu-na-igreja-a-vida-consagrada-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/quando-e-como-surgiu-na-igreja-a-vida-consagrada-1\/","title":{"rendered":"Quando e como surgiu na Igreja a Vida Consagrada? (1)"},"content":{"rendered":"<p>Vida Consagrada &#8211; 2 <!--more--> A primeira tipologia de Vida Consagrada \u00e9 o monaquismo crist\u00e3o (o monaquismo n\u00e3o \u00e9 monop\u00f3lio do cristianismo, \u00e9 um fen\u00f3meno universal) que ter\u00e1 surgido nos finais do s\u00e9culo III, princ\u00edpios do s\u00e9culo IV. No entanto, para se chegar ao monaquismo crist\u00e3o houve toda uma s\u00e9rie de reflex\u00f5es e viv\u00eancias, no seio das comunidades crist\u00e3s, de cunho profundamente asc\u00e9tico que estiveram na sua g\u00e9nesis. Desde o princ\u00edpio do cristianismo houve homens e mulheres que renunciaram ao casamento por amor do Reino dos c\u00e9us. <\/p>\n<p>Esta forma de vida surgiu como uma grande novidade na Igreja e teve uma grande expans\u00e3o, sobretudo no Egito, Palestina e S\u00edria depois da chamada \u201cpaz constantiniana\u201d (313), em que o cristianismo deixou de ser uma religi\u00e3o perseguida, visto que o \u201c\u00c9dito de Mil\u00e3o\u201d outorgou liberdade religiosa a todos os cidad\u00e3os do Imp\u00e9rio. <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de estranhar que o monaquismo tenha surgido apenas nos finais do III s\u00e9culo, pois, durante os tr\u00eas primeiros s\u00e9culos, os crist\u00e3os viviam um estilo de vida muito marcado pelas persegui\u00e7\u00f5es que muito contribu\u00edram para uma fidelidade e perseveran\u00e7a aos valores do Evangelho e que, consequentemente, levou muitos a testemunhar a sua f\u00e9 at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias, ou seja, o mart\u00edrio. Ora, \u00e9 precisamente quando uma espiritualidade martirial come\u00e7a a perder for\u00e7a, depois da paz de Constantino, que surge na Igreja a necessidade de uma forma de vida crist\u00e3, na qual se institucionaliza a perfei\u00e7\u00e3o da caridade, tal como acontecia com os m\u00e1rtires dos primeiros s\u00e9culos. Nos primeiros s\u00e9culos todos os crist\u00e3os eram chamados \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o da caridade mas eram os m\u00e1rtires os que a tornavam mais vis\u00edvel no momento do mart\u00edrio. Assim, de modo equivalente, os monges e os religiosos seriam agora aqueles que tornavam mais vis\u00edvel essa caridade crist\u00e3, embora todos os crist\u00e3os a ela estivessem chamados. O que aconteceu foi que, quando os crist\u00e3os come\u00e7aram a gozar de certo prest\u00edgio social, facilmente ca\u00edram numa apatia e perda de viv\u00eancia crist\u00e3. Foi precisamente neste contexto que surgiram na Igreja, suscitados pelo Esp\u00edrito, alguns crist\u00e3os, chamados \u201cos ascetas\u201d. Os ascetas, para que a Igreja n\u00e3o perdesse a dimens\u00e3o de sinal das realidades futuras, quiseram p\u00f4r em relevo o desprendimento e o despojamento de Jesus que se \u201cesvaziou a si mesmo, tomando a condi\u00e7\u00e3o de servo\u201d(Fl 2, 7). Viviam por isso em intensa ora\u00e7\u00e3o, jejuns rigorosos, celibato e total despojamento dos bens materiais para poderem ajudar os mais carenciados. <\/p>\n<p>Nos princ\u00edpios, a vida dos ascetas n\u00e3o estava regulamentada por nenhum tipo de organiza\u00e7\u00e3o. Viviam com as suas fam\u00edlias, at\u00e9 porque no caso de uma mulher, n\u00e3o se podia entender que vivesse sozinha, e dedicavam-se ao mesmo g\u00e9nero de atividades pr\u00f3prias do ambiente familiar. No entanto a comunidade crist\u00e3 sabia da sua exist\u00eancia e preocupava-se por apoiar e valorizar este g\u00e9nero de vida. <\/p>\n<p>Com o passar do tempo come\u00e7ou a surgir a tend\u00eancia para a vida em comum e, consequentemente, a necessidade de uma organiza\u00e7\u00e3o.  <\/p>\n<p>Estamos perante o monaquismo crist\u00e3o, que desembocar\u00e1 nas m\u00faltiplas institui\u00e7\u00f5es de Vida Consagrada que existem atualmente na Igreja.<\/p>\n<p>O monaquismo adquiriu formas muito variadas. Entre elas pode-se apontar o monaquismo do deserto, quer de forma solit\u00e1ria, quer cenob\u00edtica (comum), sobretudo no Egito, S\u00edria e Palestina, e que surgiu como uma contesta\u00e7\u00e3o frente a uma nova situa\u00e7\u00e3o eclesial. Mas tamb\u00e9m havia o chamado monaquismo urbano, cujos monges viviam mais pr\u00f3ximo dos lugares habitados. Todos eles, quer os do deserto quer os das cidades, viviam o celibato, praticavam uma intensa ora\u00e7\u00e3o, uma vida austera e uma caridade profunda. Os monges deixam o mundo, o lugar onde j\u00e1 n\u00e3o se pode encontrar nem o fervor nem o desprendimento para serem, no deserto, uma chamada de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica de todos os batizados. <\/p>\n<p>A origem do monaquismo coincide com a \u00faltima etapa das persegui\u00e7\u00f5es, os monges s\u00e3o os sucessores dos m\u00e1rtires. <\/p>\n<p>O surgimento da vida mon\u00e1stica na Igreja nos finais do s\u00e9culo III e princ\u00edpios do s\u00e9culo IV fez com que surgisse no seio da Igreja um modo novo de viver a voca\u00e7\u00e3o batismal que se foi encarnando e diversificando ao longo da hist\u00f3ria e que lan\u00e7ou as bases para um estilo de vida ao qual chamamos atualmente \u201cVida Consagrada\u201d (cf. J. \u00c1LVAREZ G\u00d3MEZ, Historia de la Vida Religiosa I, Madrid, Publicaciones Claretianas, 1996).<\/p>\n<p>Espa\u00e7o da responsabilidade do ISCRA &#8211; Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vida Consagrada &#8211; 2<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-22340","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22340","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22340"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22340\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}