{"id":22381,"date":"2011-03-23T09:32:00","date_gmt":"2011-03-23T09:32:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22381"},"modified":"2011-03-23T09:32:00","modified_gmt":"2011-03-23T09:32:00","slug":"relancar-o-voluntariado-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/relancar-o-voluntariado-em-portugal\/","title":{"rendered":"Relan\u00e7ar o voluntariado em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>Depois de um ano marcado pela Luta contra a Pobreza e Exclus\u00e3o Social, sucede um ano dedicado ao Voluntariado. H\u00e1 uma complementaridade entres estes dois temas? \u00c9 importante estimular o voluntariado, neste quadro social e econ\u00f3mico que vivemos?<\/p>\n<p>\u00c9 interessante o facto de o ano europeu do Voluntariado suceder ao ano de combate \u00e0 pobreza e exclus\u00e3o social. No ano passado, fizemos o que eu chamo um diagn\u00f3stico. Este ano iremos encontrar parte das respostas, n\u00e3o digo todas. Uma delas pode ser o voluntariado. H\u00e1 ac\u00e7\u00f5es, n\u00e3o apenas no voluntariado social e assistencialista, que podem ser desenvolvidas em prol da sociedade.<\/p>\n<p>O povo portugu\u00eas \u00e9 muito generoso, gosta de ajudar. Penso que falta compromisso, ou seja, ser generoso mas numa l\u00f3gica de compromisso, n\u00e3o apenas quando se \u00e9 solicitado.<\/p>\n<p>Quando o portugu\u00eas assumir o compromisso de ser um povo volunt\u00e1rio, para al\u00e9m de solid\u00e1rio, estaremos no bom caminho para resolver grande parte dos problemas sociais, sobretudo de exclus\u00e3o social.<\/p>\n<p>O que vai caracterizar estes pr\u00f3ximos meses?<\/p>\n<p>O Ano Europeu de Voluntariado come\u00e7ou oficialmente no m\u00eas de Dezembro, mas cada pa\u00eds europeu marca o seu ritmo. Em Portugal, o ano come\u00e7ou, oficialmente, a 3 de Fevereiro com uma iniciativa \u00abA volta do voluntariado\u00bb. Uma feira de voluntariado, que decorreu em Lisboa.<\/p>\n<p>O desafio da Comiss\u00e3o Europeia \u00e9 situar esta volta nas capitais, mas a comiss\u00e3o portuguesa de acompanhamento do ano, quis ser mais ambiciosa. Em Portugal esta iniciativa, em maior ou menor escala &#8211; dependendo do espa\u00e7o onde se realize &#8211; vai espalhar-se pelo pa\u00eds, chegando tamb\u00e9m \u00e0s ilhas.<\/p>\n<p>Esta vai ser uma grande ac\u00e7\u00e3o de voluntariado. N\u00e3o pretendemos angariar fundos, mas volunt\u00e1rios. Estas \u00abvoltas\u00bb querem transmitir a disponibilidade que as entidades t\u00eam para receber, mas tamb\u00e9m provocar o inverso \u2013 as pessoas devem dirigir-se \u00e0s entidades e oferecer-se como volunt\u00e1rios. O mais importante deste ano \u00e9 divulgar o voluntariado e, sobretudo, o voluntariado de proximidade. Antes de atravessar o mundo, para desenvolver projectos em pa\u00edses em vias de desenvolvimento, pergunto se n\u00e3o dever\u00edamos atravessar a rua e perceber o que podemos fazer pela comunidade, bairro ou pr\u00e9dio.<\/p>\n<p>O grande desafio do ano vai ser lan\u00e7ar a semente do voluntariado, que pode estar no esp\u00edrito dos portugueses, mas falta concretizar. Na comiss\u00e3o de acompanhamento est\u00e3o representadas entidades de todo o pa\u00eds \u2013 par\u00f3quias, bombeiros, Juntas de Freguesia, Autarquias, Santas Casas \u2013 e v\u00e3o espalhar a not\u00edcia. Acredito que vai ocorrer uma contamina\u00e7\u00e3o positiva do que \u00e9 ser volunt\u00e1rio em Portugal.<\/p>\n<p>Ser volunt\u00e1rio \u00e9 um desafio \u00edntimo que exige um compromisso?<\/p>\n<p>Ser volunt\u00e1rio \u00e9 fazer a diferen\u00e7a, come\u00e7ando pela vida pessoal. Uma coisa \u00e9 ajudar, outra \u00e9 um compromisso. Quando se assume interiormente o voluntariado, est\u00e1 a assumir-se um compromisso de miss\u00e3o para concretizar uma ajuda que n\u00e3o \u00e9 apenas espont\u00e2nea. Quando fazemos uma ac\u00e7\u00e3o de voluntariado ficamos mais cheios e felizes. N\u00e3o h\u00e1 que ter medo de o assumir. \u00c9 uma entrega extraordin\u00e1ria que nos torna diferentes e melhores pessoas, com mais compet\u00eancias sociais e afectivas.<\/p>\n<p>A entrega ao voluntariado exige um passo diferente que os portugueses t\u00eam ainda de dar?<\/p>\n<p>Sinto que a grande lacuna est\u00e1 na educa\u00e7\u00e3o. Estamos habituados a ver pais e amigos a ajudar no Natal, a participar com bens consum\u00edveis, no multibanco atrav\u00e9s de transfer\u00eancias&#8230; mas, e depois? \u00c9 importante ser solid\u00e1rio tamb\u00e9m em \u00e9poca de Natal, mas n\u00e3o exclusivamente. \u00c9 importante ser generoso, solid\u00e1rio e volunt\u00e1rio o ano todo. Uma ac\u00e7\u00e3o pontual surge numa \u00e9poca, mas no restante ano a institui\u00e7\u00e3o vai continuar a precisar de ajuda \u2013 n\u00e3o apenas de dinheiro ou de arroz, mas das nossas compet\u00eancias.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a fazer voluntariado. \u00c9 leg\u00edtimo pensar que se faz o que se deve \u2013 paga-se impostos e contribuiu-se com algo no Natal. Mas somar uns pontos \u00e0 nossa capacidade de ser humano, encontrar um projecto que se adeque \u00e0 nossa personalidade, estar feliz nesse projecto, \u00e9 perceber que ser volunt\u00e1rio \u00e9 um desafio.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es t\u00eam tamb\u00e9m um caminho a fazer neste ano?<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es t\u00eam um grande trabalho a fazer no campo volunt\u00e1rio, sobretudo no dar respostas. O que mais retenho nestes primeiros meses de trabalho, \u00e9 que muita gente procura ser volunt\u00e1rio e n\u00e3o recebe resposta. Isto n\u00e3o pode acontecer. N\u00e3o podemos desperdi\u00e7ar potencial humano. As institui\u00e7\u00f5es precisam de abrir espa\u00e7o ao voluntariado, saber que os volunt\u00e1rios n\u00e3o v\u00e3o falhar e perceber que um volunt\u00e1rio n\u00e3o vai substituir um trabalhador. H\u00e1 espa\u00e7o para toda a gente.<\/p>\n<p>Outro caminho a explorar este ano \u00e9 o voluntariado empresarial. S\u00e3o muitas as empresas que procuram forma\u00e7\u00e3o para constituir \u00abBancos\u00bb empresariais de voluntariado, ligando-se a uma institui\u00e7\u00e3o ou ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como vive este desafio de somar este voluntariado a outro que j\u00e1 vinha fazendo?<\/p>\n<p>Em Agosto, o Minist\u00e9rio do Trabalho e Solidariedade Social desafiou-me a ser coordenadora nacional deste Ano Europeu do Voluntariado. \u00c9 um prazer estar a trabalhar em prol do voluntariado, algo em que acredito piamente. Significa muito trabalho, mas tamb\u00e9m muito orgulho e, sobretudo, sentido de miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando as pessoas encontram respostas como \u00abn\u00e3o tenho tempo ou dinheiro\u00bb, costumo dizer \u00abQuem quer fazer, arranja maneira. Quem n\u00e3o quer fazer, arranja desculpa\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de um ano marcado pela Luta contra a Pobreza e Exclus\u00e3o Social, sucede um ano dedicado ao Voluntariado. 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