{"id":22405,"date":"2011-03-16T11:12:00","date_gmt":"2011-03-16T11:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22405"},"modified":"2011-03-16T11:12:00","modified_gmt":"2011-03-16T11:12:00","slug":"momentos-de-gloria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/momentos-de-gloria\/","title":{"rendered":"\u00abMomentos de gl\u00f3ria\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> \u00c9 saud\u00e1vel desejar esses momentos e favorecer que aconte\u00e7am. N\u00e3o s\u00f3 amenizam a vida como, sobretudo, s\u00e3o o sopro que incendeia as brasas.<\/p>\n<p>Talvez hoje se d\u00ea uma crise de aut\u00eanticos momentos de gl\u00f3ria: deixaram de surgir com o esplendor espont\u00e2neo dos \u00abl\u00edrios do campo\u00bb para serem literalmente comprados como flores de estufa ardilosamente seleccionadas. Esta crise \u00e9 pr\u00f3pria da hist\u00f3ria humana, acompanhando os momentos altos e baixos da defesa da dignidade da pessoa humana. Mais grave \u00e9 quando a crise nasce dentro de n\u00f3s: quando nos recusamos a suscitar a chama nos outros, indo ao extremo antimessi\u00e2nico de apagar a brasa que fumega (Mateus 12, 20). <\/p>\n<p>Quando \u00e9 que teremos a coragem de condenar claramente, pela nossa postura na vida, esses ambientes da gest\u00e3o da morte dos outros, sempre que os outros n\u00e3o s\u00e3o ac\u00f3litos da nossa vaidade ou da nossa pol\u00edtica grupista de poder? E que dignidade humana existe naqueles que se embriagam com o poder e a riqueza, pensando assim que fogem \u00e0s muitas esp\u00e9cies de morte? Esquecemos que o poder e a riqueza podem gerar mais morte do que vida, se n\u00e3o forem inequivocamente utilizados para bem da humanidade. <\/p>\n<p>Segundo Mateus, Jesus Cristo n\u00e3o quis que os \u00abmomentos de gl\u00f3ria\u00bb hoje relatados fossem divulgados antes da sua morte. Provavelmente, para evitar disc\u00edpulos atra\u00eddos e entusiasmados por uma imagem de import\u00e2ncia ou de sucesso. Ele pr\u00f3prio advertiu, na par\u00e1bola do semeador (Mateus 13,18-23): a semente ca\u00edda em terreno pedregoso lembra as pessoas que ouvem a palavra com alegria, mas, como n\u00e3o t\u00eam ra\u00edzes fortes e s\u00e3o vol\u00faveis, depressa desistem quando \u00e9 preciso dar o corpo ao manifesto. S\u00f3 resiste \u00e0 tempestade quem n\u00e3o descuida os alicerces da vida. <\/p>\n<p>O relato da trasnsfigura\u00e7\u00e3o \u00e9 inspirado na Festa das Tendas, celebradora do encontro de Mois\u00e9s com Deus. Tamb\u00e9m Mois\u00e9s surgiu resplandecente, quando apresentou ao povo os \u00abmandamentos\u00bb elaborados \u00ab\u00e0 mesa redonda\u00bb com Deus. Deus \u00e9 luz, e a intimidade com Deus torna os homens portadores de luz. <\/p>\n<p>Os disc\u00edpulos s\u00f3 compreenderam a luz de Deus depois da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, depois de se terem libertado do medo. Compreenderam como Jesus enriquecia a hist\u00f3ria espiritual da humanidade, continuando o movimento prof\u00e9tico da religi\u00e3o hebraica. Mesmo os ap\u00f3stolos mencionados no relato da transfigura\u00e7\u00e3o s\u00f3 mais tarde reconheceram a unidade da vida de Jesus, do nascimento at\u00e9 \u00e0 morte. A experi\u00eancia de Jesus como \u00abfilho muito amado\u00bb de Deus j\u00e1 se fizera sentir no baptismo de Jesus (Mateus 3,17), tamb\u00e9m em liga\u00e7\u00e3o com uma personagem central do Antigo Testamento (Jo\u00e3o Baptista).<\/p>\n<p> Na segunda leitura, S. Paulo d\u00e1 o testemunho de como \u00aba luz de Deus\u00bb lhe fez compreender o significado de \u00abCristo Jesus, que destruiu a morte e fez brilhar a vida e a imortalidade\u00bb. <\/p>\n<p>A primeira leitura traz-nos outro testemunho: um homem desconhecido, semin\u00f3mada da regi\u00e3o de Cana\u00e3, aceita o desafio de Deus, e abandona o seu pa\u00eds para se tornar o pai de um povo que n\u00e3o fuja de Deus mas procure encontrar-se com ele, mesmo quando esse Deus parece \u201cgozar connosco\u201d. Deus pediu a Abra\u00e3o um rompimento com o passado, para que um grande futuro tivesse lugar. A import\u00e2ncia central de Abra\u00e3o como exemplo de f\u00e9 em Deus mostra que os momentos de gl\u00f3ria em que nos podemos sentir plenamente realizados s\u00e3o aqueles em que nos descobrimos como companheiros de Deus, apesar da incompreens\u00e3o e at\u00e9 ataques dos que nos rodeiam, e mesmo se ele teima em ficar escondido e a desafiar-nos pelos mais \u00e1rduos caminhos. \u00c9 uma caminhada her\u00f3ica.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-22405","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22405","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22405"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22405\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22405"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22405"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22405"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}