{"id":22468,"date":"2011-03-23T10:35:00","date_gmt":"2011-03-23T10:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22468"},"modified":"2011-03-23T10:35:00","modified_gmt":"2011-03-23T10:35:00","slug":"mas-por-onde-e-que-deus-anda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/mas-por-onde-e-que-deus-anda\/","title":{"rendered":"Mas por onde \u00e9 que Deus anda?"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Uma pergunta de todos os tempos e que at\u00e9 remata a 1.\u00aa leitura. Em plena saga da liberta\u00e7\u00e3o do povo de Israel por Mois\u00e9s, Deus parece confundir mais do que ajudar. <\/p>\n<p>Na hist\u00f3ria dos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazis, um rabino, enquanto enfileirava com os outros judeus em frente das c\u00e2maras da morte, exclamou: \u00abDeus, isto \u00e9 demasiado abomin\u00e1vel para estar a acontecer! Tens que mostrar o teu poder e impedir esta hecatombe!\u00bb. O tempo foi passando e nada sucedeu. Ent\u00e3o, meneando tristemente a cabe\u00e7a, o rabino suspirou: \u00abN\u00e3o, Deus n\u00e3o existe!\u00bb<\/p>\n<p>Apetece dar raz\u00e3o ao rabino, pois os prisioneiros nada podiam fazer em abono do prov\u00e9rbio \u00abDeus ajuda a quem se ajuda\u00bb. <\/p>\n<p>Por outro lado, temos um certo medo de levar a s\u00e9rio como cada ser humano \u00e9 respons\u00e1vel por que se fortifique o elo duma cont\u00ednua interajuda. Esta simbiose da humanidade \u00e9 a concretiza\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a divina em cada ser humano, e nela se baseia o ju\u00edzo sobre a nossa ac\u00e7\u00e3o neste mundo: \u00abVinde, benditos de meu Pai! Porque sofria&#8230; e me ajudastes!\u00bb (Mateus 25, 31-46).<\/p>\n<p>Toda a hist\u00f3ria da Humanidade \u00e9 um milagre, como diria Einstein; \u00e9 um c\u00f3digo do amor de Deus, mais de acordo com a segunda leitura. Deus toma a iniciativa, mas nada sucede se a gente n\u00e3o ajuda.<\/p>\n<p>N\u00e3o haveria a hist\u00f3ria linda da samaritana se esta n\u00e3o tivesse dado de beber a Jesus, apesar das rivalidades entre judeus e samaritanos, desprezados por aqueles (da\u00ed a import\u00e2ncia da provocadora par\u00e1bola do \u00abbom samaritano\u00bb, em S. Lucas 10, 29-37).<\/p>\n<p>A conversa desenrola-se como cerejas: Jesus promete matar a sede, embora nada tenha com que tirar \u00e1gua do po\u00e7o; Jesus teima com a samaritana e esta acaba por reconhecer que n\u00e3o estava a sonhar e que aquele homem, fora do baralho dos judeus, era mesmo o Messias. Vai ter com os conterr\u00e2neos, contando-lhes a maravilha da sua experi\u00eancia, e Jesus permanece v\u00e1rios dias nessa terra, at\u00e9 que toda a gente diz: \u00abN\u00f3s pr\u00f3prios ouvimos e sabemos que ele \u00e9 realmente o salvador do mundo\u00bb.<\/p>\n<p>Primeira conclus\u00e3o: os samaritanos n\u00e3o se convenceram devido a factos milagrosos, mas porque se dispuseram a ouvir o que Jesus queria dizer.<\/p>\n<p>Outra conclus\u00e3o: este evangelista gosta de jogar com as palavras, e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil explicar os conceitos que ele usa (por exemplo, o po\u00e7o de Jacob \u00e9 bem real, mas o termo de \u00abpo\u00e7o\u00bb \u00e9 altamente simb\u00f3lico, evocando vida e sabedoria). Note-se que o quarto evangelho, escrito bastante depois dos outros, nos finais do s\u00e9c. I, reflecte as novas correntes de pensamento e espiritualidade, decorrentes do encontro das culturas greco-romanas e orientais.<\/p>\n<p>A samaritana n\u00e3o atingiu o sentido das palavras de Jesus, o que desencadeia um oportun\u00edssimo aprofundamento da novidade que Jesus trazia ao mundo. Mas nem os disc\u00edpulos compreenderam a cena da samaritana e muito menos as palavras sobre o \u00abalimento\u00bb de Jesus, a misteriosa intimidade com Deus, fonte da sua energia para propagar a boa nova. <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, a incompreens\u00e3o, por parte das gentes e dos disc\u00edpulos, marca diversas vezes o evangelho de Jo\u00e3o. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante a explica\u00e7\u00e3o de Jesus sobre o verdadeiro culto a Deus. N\u00e3o nos podemos prender a espa\u00e7os e pessoas como possuindo uma esp\u00e9cie de for\u00e7a m\u00e1gica. Tal atitude agrava a nossa incompreens\u00e3o de Deus. S\u00f3 podemos experimentar a presen\u00e7a de Deus se exercitarmos a liberdade espiritual, pois s\u00f3 ela pode procurar e encontrar Deus em tudo. O Deus que semeia connosco, o Deus que faz a colheita connosco, o Deus para quem todos n\u00f3s merecemos o mesmo sal\u00e1rio, sejamos meninos, no vigor da vida ou velhos. A todas as horas, em todas as idades, a conversa com o Deus revelado por Jesus faz brotar a \u00e1gua da vida.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-22468","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22468","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22468"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22468\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}