{"id":22581,"date":"2011-04-06T10:07:00","date_gmt":"2011-04-06T10:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22581"},"modified":"2011-04-06T10:07:00","modified_gmt":"2011-04-06T10:07:00","slug":"embriagada-de-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/embriagada-de-amor\/","title":{"rendered":"Embriagada de amor"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 75 <!--more--> Neste ano lit\u00fargico A fomos brindados, no terceiro domingo da Quaresma, com o saboroso relato do encontro de Jesus junto ao Po\u00e7o de Jacob. A samaritana absorve-nos e encanta-nos. Ia ao po\u00e7o buscar \u00e1gua para lavar, beber, regar\u2026  Levava uma vasilha. Ali, no po\u00e7o, estaria um balde de pele de animal para recolher a \u00e1gua. Encontrou um estranho judeu que lhe pediu de beber, podendo Ele mesmo dar-se ao trabalho de puxar o balde. Colocou-se, em di\u00e1logo, ao n\u00edvel dela, na \u00e1gua que ela ia buscar, pois foi o que ela entendeu quando ouviu: \u201cD\u00e1-me de beber\u201d. N\u00e3o sentia sede de mais nada. Afinal, tinha um marido que nem era o seu, como tantas hoje, e isto lhe bastava. A vidinha corria bem. N\u00e3o precisava de mais nada. Mas descobriu que esse estranho a elevava a uma altura de interpela\u00e7\u00e3o que superava a \u00e1gua que ela ia buscar ou que ela entendia que ele necessitava. Ele come\u00e7ou a tocar profundamente na consci\u00eancia adormecida e ela reagiu levando a conversa para quest\u00f5es pol\u00edtico-religiosas, como hoje tamb\u00e9m se faz. Mas ele n\u00e3o desistiu e falou-lhe de \u00e1gua viva. Ela sentiu sede dessa \u00e1gua: \u201cD\u00e1-me dessa \u00e1gua\u2026\u201d<\/p>\n<p>E ela embriagou-se do divino. Quem o diz assim \u00e9 santa Teresa de Jesus, quando se refere \u00e0 samaritana em v\u00e1rias passagens de seus escritos. A samaritana, para ela, era uma embriagada do Deus Amor. Saciou-se na Fonte do Amor de Deus e ouviu, como o soldado no calv\u00e1rio, o \u201ctenho sede\u201d de Jesus \u2013 que tamb\u00e9m comoveu Teresa de Calcut\u00e1 ao longo de toda a sua vida. Ent\u00e3o, embriagada de amor, foi saciar a sede do Senhor, segundo santa Teresa, \u201cdando gritos pelas ruas\u201d, numa \u201cbebedeira divina\u201d, para levar at\u00e9 ele a aldeia inteira de Sicar. De grande consola\u00e7\u00e3o se deve gozar, diz santa Teresa de Jesus, quando vemos que outros encontram Deus por nosso interm\u00e9dio.<\/p>\n<p>A samaritana saciou a sua sede e quis saciar a sede de Deus. Mas, Deus pode ter sede? Afinal nada lhe falta! Tem sede de ti e de mim, do teu amor e do meu\u2026. Tem sede de almas. Misteriosamente, \u00e9 por isso que veio \u00e0 terra e morreu na cruz. Para matar a sua sede e matar a nossa, pela \u00e1gua viva do amor. Quer-nos embriagados de amor, colocando s\u00f3 em Deus o nosso pensamento , como continua Teresa de Jesus. E que n\u00e3o fa\u00e7amos caso das coisas mesquinhas desta vida, pois \u201cs\u00f3 Deus basta\u201d. <\/p>\n<p>A samaritana sentiu-se seduzida pela Palavra, e n\u00e3o p\u00f4de fazer outra coisa sen\u00e3o anunci\u00e1-la. Trouxe Sicar aos p\u00e9s do redentor e deixou-os em retiro com ele, dois dias, para que eles tamb\u00e9m se enamorassem do senhor da \u00e1gua viva. E creram\u2026 E embriagaram-se\u2026 E anunciaram, contagiando outros&#8230; E gra\u00e7as a essas almas enamoradas que povoam o mundo, o Evangelho chegou \u00e0 minha porta. Se sou cat\u00f3lico, \u00e9 por causa dos embriagados de Deus que foram, gritando pelas ruas, a tempo e a destempo, a Palavra que os embebedou. E como Sicar, eu tamb\u00e9m sou convidado a esse enamoramento pessoal, a deixar-me seduzir, tocar no pecado e ferida da alma e ser curado, e permitir que um rio de \u00e1gua viva jorre do meu peito, colocando s\u00f3 em Deus o meu pensamento, e ir por a\u00ed gritando, por palavras e obras de amor somente, a Palavra que tudo cria e transforma.<\/p>\n<p>O mundo morre de sede. A fonte est\u00e1 nos teus l\u00e1bios e no teu cora\u00e7\u00e3o para que bebas dela e d\u00eas de beber aos outros. Deus habita em ti. Ent\u00e3o, com Teresa de \u00c1vila, no in\u00edcio das celebra\u00e7\u00f5es do quinto centen\u00e1rio do seu nascimento (nasceu no dia 28 de Mar\u00e7o de 1515), poderemos cantar: \u201cDitoso o cora\u00e7\u00e3o enamorado, que s\u00f3 em Deus p\u00f5e o seu pensamento. Por ele renuncia ao criado, e nele acha gl\u00f3ria e alento\u201d.<\/p>\n<p>P.e Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 75<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-22581","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22581"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22581\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}