{"id":22606,"date":"2011-04-06T09:21:00","date_gmt":"2011-04-06T09:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22606"},"modified":"2011-04-06T09:21:00","modified_gmt":"2011-04-06T09:21:00","slug":"a-inquietacao-religiosa-e-inerente-a-literatura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-inquietacao-religiosa-e-inerente-a-literatura\/","title":{"rendered":"A inquieta\u00e7\u00e3o religiosa \u00e9 inerente \u00e0 literatura"},"content":{"rendered":"<p>O que diz <!--more--> Jos\u00e9 Rui Teixeira, poeta, professor da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa (UCP), respons\u00e1vel da editora da UCP-Porto, abriu a Semana da Cultura e Identidade Crist\u00e3, na noite de segunda-feira, 4 de Abril. Falou-se de literatura crist\u00e3 e principalmente de Chesterton, um escritor e apologista cat\u00f3lico ingl\u00eas do in\u00edcio do s\u00e9c. XX. Este tema esteve inicialmente previsto para o segundo dia desta iniciativa promovida pelo Instituto Superior de Ci\u00eancias Religiosas de Aveiro (ISCRA). Por motivos de sa\u00fade, o primeiro conferencista, Henrique Manuel Pereira, pediu o adiamento da sua comunica\u00e7\u00e3o de segunda para ter\u00e7a-feira, devendo ter falado ontem \u00e0 noite. Resumo de Jorge Pires Ferreira.<\/p>\n<p>\u00c0 volta de textos<\/p>\n<p>As comunidades crist\u00e3s organizam a sua vida \u00e0 volta de textos. A literatura crist\u00e3 \u00e9 polif\u00f3nica: poesia, teatro, romance, ensaio e at\u00e9 policial. Com dois mil anos de exist\u00eancia, \u00e9 imposs\u00edvel fazer uma mera enumera\u00e7\u00e3o dos seus g\u00e9neros, autores e obras.<\/p>\n<p>Literatura crist\u00e3?<\/p>\n<p>H\u00e1 uma pergunta base a fazer: O que entendemos por literatura crist\u00e3? H\u00e1 tr\u00eas grandes possibilidades de resposta: 1) a literatura de contexto, autores e finalidades crist\u00e3s, como sejam os textos lit\u00fargicos, cartas, ensaios de teologia, etc. Mas h\u00e1 muita produ\u00e7\u00e3o crist\u00e3 que n\u00e3o \u00e9 literatura. 2) obras de autores que se consideram crist\u00e3os, mesmo que n\u00e3o estritamente confessionais; 3) obras de autores que podendo n\u00e3o ser crist\u00e3os s\u00e3o pass\u00edveis de serem interpretadas \u00e0 luz da mundivid\u00eancia crist\u00e3.<\/p>\n<p>Mudan\u00e7a no s\u00e9c. XIX<\/p>\n<p>At\u00e9 ao s\u00e9c. XIX as gr\u00e1ficas estavam cheias de textos claramente crist\u00e3os: livros lit\u00fargicos; vidas de santos; pagelas. No s\u00e9c. XIX d\u00e1-se uma mudan\u00e7a de registo. Os autores deixam a ortodoxia e a subordina\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica, mas interessam-se pela quest\u00e3o humana. Por vezes a literatura \u00e9 anticlerical, mas quase sempre na procura do verdadeiro cristianismo, com uma mundivid\u00eancia crist\u00e3 de fundo. Pensemos em Guerra Junqueiro. Distancia-se da Igreja para a confrontar com o pensamento de Cristo e os Evangelhos.<\/p>\n<p>Entra o humano<\/p>\n<p>Nos s\u00e9culos XIX e XX h\u00e1 autores que na busca do humano e da inteligibilidade da morte colocam a quest\u00e3o crist\u00e3: Dostoi\u00e9vski, Bernanos, Shusaku Endo, entre outros. Nos tempos mais recentes, como mero exemplo, salienta-se Daniel Faria, poeta apreciado fora dos c\u00edrculos cat\u00f3licos que morreu aos 28 anos, em 1999, quando vivia no mosteiro beneditino de Singeverga.<\/p>\n<p>Chesterton<\/p>\n<p>Gilbert Keith Chesterton (1874 &#8211; 1936), autor de \u201cO Homem Eterno\u201d, \u201cOrtodoxia\u201d, \u201cDisparates do mundo\u201d, \u201cO homem que era quinta-feira\u201d e da s\u00e9rie de livros sobre o Padre Brown, detective, exprimiu-se em v\u00e1rios g\u00e9neros, foi jornalista. Era um polemista ex\u00edmio, com paix\u00e3o, mas sem \u00f3dios. Acutilante, mas com cordialidade e simpatia.<\/p>\n<p>Pecados<\/p>\n<p>Quando perguntaram a Chesterton por que \u00e9 que se converteu ao catolicismo (em 1922), respondeu: \u201cPara me libertar dos meus pecados\u201d. Considerava a coisa mais inusitada ser perdoado.<\/p>\n<p>Raz\u00e3o desprezada<\/p>\n<p>Chesterton considerava que cada gera\u00e7\u00e3o era convertida precisamente pelo santo que desprezava. No seu tempo, que ainda \u00e9 o nosso, como a raz\u00e3o \u00e9 o que h\u00e1 de mais desprezado, o santo que nos pode converter \u00e9 Tom\u00e1s de Aquino, que soube equilibrar f\u00e9 e raz\u00e3o. Hoje, quando temos modelos de pensamento formatado, Chesterton pode estimular o reordenamento das ideias.<\/p>\n<p>Inquieta\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas e teol\u00f3gicas<\/p>\n<p>A literatura portuguesa, de Herculano (que tanto foi anticlerical como criticou a expuls\u00e3o das ordens religiosas dizendo que em Portugal os s\u00e1bios andavam a pedir de porta em porta) a Florbela Espanca (autora quase m\u00edstica que, p\u00f5e fim \u00e0 sua vida, suicidando-se), de Virg\u00edlio Ferreira a Saramago, est\u00e1 cheia de interroga\u00e7\u00f5es. A inquieta\u00e7\u00e3o religiosa \u00e9 inerente \u00e0 inquieta\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, ainda que muitas vezes se distancie da matriz crist\u00e3. Teixeira de Pascoaes talvez seja o poeta portugu\u00eas mais religioso do s\u00e9c. XX, sendo gn\u00f3stico. \u00c0 sombra do Mar\u00e3o, todo o seu mundo \u00e9 altamente espiritualizado. Em Portugal, faz-se teologia e filosofia com a literatura. Com rar\u00edssimas excep\u00e7\u00f5es, os fil\u00f3sofos portugueses s\u00e3o fil\u00f3sofos sem filosofia mas com literatura.<\/p>\n<p>Frases de G. K. Chesterton<\/p>\n<p>Quem acende uma luz \u00e9 o primeiro a beneficiar da claridade.<\/p>\n<p>Sou homem e, por conseguinte, trago todos os dem\u00f3nios no meu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os homens que realmente acreditam em si mesmos est\u00e3o todos em asilos de loucos.<\/p>\n<p>Louco n\u00e3o \u00e9 o homem que perdeu a raz\u00e3o. Louco \u00e9 o homem que perdeu tudo menos a raz\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 grandes homens que fazem com que todos se sintam pequenos. Mas o verdadeiro grande homem \u00e9 aquele que faz com que todos se sintam grandes.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que eles n\u00e3o possam ver a solu\u00e7\u00e3o. \u00c9 que eles n\u00e3o conseguem ver o problema.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que diz<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-22606","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22606","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22606"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22606\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22606"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22606"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22606"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}