{"id":22679,"date":"2011-03-30T11:57:00","date_gmt":"2011-03-30T11:57:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22679"},"modified":"2011-03-30T11:57:00","modified_gmt":"2011-03-30T11:57:00","slug":"sempre-inclinados-para-os-idolos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/sempre-inclinados-para-os-idolos\/","title":{"rendered":"Sempre inclinados para os \u00eddolos?"},"content":{"rendered":"<p>Todas as pessoas, homens e mulheres, levam consigo, a tempo inteiro, e sem que algu\u00e9m possa interferir nesta sua capacidade, serem capazes tanto do bem como do mal. O ambiente que nos cerca e os tempos que vivemos nem sempre favorecem a melhor op\u00e7\u00e3o, empurrando-nos para o que muitas vezes n\u00f3s detestamos. Ser\u00e1 sempre actual a palavra de S. Paulo ao dar conta, desolado, do que lhe ia na alma: \u201cAi de mim, que fa\u00e7o o mal que n\u00e3o quero e n\u00e3o fa\u00e7o o bem que quero!\u201d Quem h\u00e1 a\u00ed que n\u00e3o tenha tido, em algum dia ou em muitos dias, esta dolorosa sensa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Da inclina\u00e7\u00e3o para os \u00eddolos j\u00e1 falava Mois\u00e9s aos israelitas rebeldes, quando, nost\u00e1lgicos de uma escravid\u00e3o da qual antes tanto se queixavam, ca\u00edam de novo na tenta\u00e7\u00e3o de quererem regressar ao lugar do cativeiro, frente aos normais inc\u00f3modos do deserto, que era preciso atravessar. <\/p>\n<p>Os \u00eddolos s\u00e3o muitos, sempre aliciantes e portadores de mensagens atraentes e facilitadoras. Mas s\u00e3o \u00eddolos e nunca deixar\u00e3o de o ser, mesmo que entronizados, cuidadosamente, em lindos altares ou colocados em m\u00edsulas douradas. Traduzem-se na \u00e2nsia do ter, do poder e do gozar sem limites; nas atitudes orgulhosas de quem se julga o centro do mundo e n\u00e3o reconhece aos outros o seu valor nem o direito a terem opini\u00e3o; na insensibilidade perante os mais pobres, fazendo vista grossa a uma vida enterrada em provocantes sup\u00e9rfluos; no comodismo de em nada querer participar em rela\u00e7\u00e3o ao bem da comunidade; na arrog\u00e2ncia em desejar que tudo e todos rodem \u00e0 sua volta e nunca admitir os erros pr\u00f3prios; na indiferen\u00e7a empobrecedora perante pessoas e situa\u00e7\u00f5es que pedem compreens\u00e3o e ajuda\u2026<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o podemos esquecer quantos se inclinam e optam pelo bem gratuito e s\u00e3o volunt\u00e1rios, em muitas causas necess\u00e1rias e \u00fateis, \u00e0 comunidade e at\u00e9 a pessoas singulares, n\u00e3o amadas e esquecidas; quantos se demarcam da corrup\u00e7\u00e3o e da tenta\u00e7\u00e3o do ganho f\u00e1cil; quantos optam pela honestidade no trabalho, nas rela\u00e7\u00f5es, no respeito pelos outros e pelos seus direitos; quantos lutam pela verdade e pela justi\u00e7a, pelos direitos dos mais fracos e menos ouvidos; quantos partilham os seus bens, de toda a natureza, com outras pessoas que deles podem beneficiar\u2026<\/p>\n<p>H\u00e1 muita gente que dorme serenamente, porque viveu o seu dia no cumprimento do dever e ao servi\u00e7o do bem, procurou n\u00e3o desperdi\u00e7ar as ocasi\u00f5es que se lhe proporcionaram para ser solid\u00e1rio e fraterno com os que se cruzaram no seu caminho.<\/p>\n<p>Neste mundo que lan\u00e7ou a confus\u00e3o sobre o sentido da vida e os valores que contam, propendemos para sublinhar mais as coisas negativas, como se as positivas n\u00e3o tivessem hist\u00f3ria, nem entrassem na hist\u00f3ria. O bem \u00e9 sempre discreto e diz o povo que ele \u201cn\u00e3o faz barulho\u201d.  Por\u00e9m, \u00e9 ele que persiste, humaniza e refor\u00e7a os alicerces da sociedade que n\u00e3o desiste de querer ser lugar aberto \u00e0 dignifica\u00e7\u00e3o de todos e dotada de valores morais e \u00e9ticos, que s\u00f3 os n\u00e9scios podem ignorar ou negar. <\/p>\n<p>Os grandes da hist\u00f3ria n\u00e3o foram os que fizerem guerras ou inventaram objectos de morte. Ainda que discretos na sua hist\u00f3ria pessoal &#8211; s\u00e3o sempre assim as pessoas grandes &#8211; eles s\u00e3o os que a mem\u00f3ria do tempo guarda e apresenta como modelos estimulantes de bem-fazer. Dos nossos tempos, basta recordar Teresa de Calcut\u00e1 e o Padre Am\u00e9rico, que n\u00e3o se desviaram nunca do projecto que conduzia a sua vida. Por isso ela deixou sulcos inapag\u00e1veis. Na mesma linha est\u00e3o milhares de an\u00f3nimos das nossas terras. S\u00e3o eles que n\u00e3o deixam que este mundo, tonto e desfigurado, resvale para a barb\u00e1rie. O seu n\u00famero pode sempre crescer e \u00e9 preciso que cres\u00e7a. Todos l\u00e1 temos lugar, se \u00e9 que ainda o n\u00e3o ocupamos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todas as pessoas, homens e mulheres, levam consigo, a tempo inteiro, e sem que algu\u00e9m possa interferir nesta sua capacidade, serem capazes tanto do bem como do mal. O ambiente que nos cerca e os tempos que vivemos nem sempre favorecem a melhor op\u00e7\u00e3o, empurrando-nos para o que muitas vezes n\u00f3s detestamos. 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