{"id":22682,"date":"2011-04-06T10:11:00","date_gmt":"2011-04-06T10:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22682"},"modified":"2011-04-06T10:11:00","modified_gmt":"2011-04-06T10:11:00","slug":"movimento-da-igreja-e-igreja-nos-movimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/movimento-da-igreja-e-igreja-nos-movimentos\/","title":{"rendered":"Movimento da Igreja e Igreja nos movimentos"},"content":{"rendered":"<p>LIC\u00cdNIO CARDOSO<\/p>\n<p>Padre<\/p>\n<p>O fen\u00f3meno dos movimentos na Igreja n\u00e3o \u00e9 recente. Sempre os houve. <\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas floresceram diversos movimentos e novas comunidades um pouco por todo o lado. Com o respaldo da hierarquia tem-se afirmado na vida da Igreja, internacionalizando-se e solidificando-se enquanto organiza\u00e7\u00f5es aut\u00f3nomas, sustent\u00e1veis economicamente e canonicamente erectas. Apresentarem-se como associa\u00e7\u00f5es de direito pontif\u00edcio (reconhecidas pela Santa S\u00e9) \u00e9 a grande meta a atingir e o cart\u00e3o de visita de alguns destes movimentos.<\/p>\n<p>Quem s\u00e3o estes movimentos? Na sua maioria, os que mais visibilidade t\u00eam, s\u00e3o integristas na linguagem e nos s\u00edmbolos, apresentam dificuldades no di\u00e1logo com a diferen\u00e7a e com a pluralidade no seio da Igreja. S\u00e3o um baluarte (afirmam algumas vozes) na vida actual da Igreja, mobilizando milhares de pessoas, enchendo os semin\u00e1rios e dando muitas voca\u00e7\u00f5es sacerdotais. Numa \u00e9poca de escassez de voca\u00e7\u00f5es sacerdotais, s\u00e3o o melhor que podia acontecer\u2026 dizem muitos bispos.<\/p>\n<p>Mas\u2026 H\u00e1 sempre um \u201cmas\u201d. Vemos muitos destes movimentos a diabolizarem o mundo, a olharem para a sociedade apenas no que tem de mal, de pecado, de anti-igreja. Em termos doutrinais n\u00e3o admitem a pluralidade e a diversidade de leituras (n\u00e3o \u00e9 o mesmo que relativismo, como tantas vezes querem deixar transparecer; o pr\u00f3prio Evangelho \u00e9 plural, pois n\u00e3o temos um, mas quatro). Esquecem que o mundo \u00e9 o lugar onde acontece a din\u00e2mica da salva\u00e7\u00e3o realizada em Jesus. N\u00e3o \u00e9 esta a mensagem da cruz, do ir at\u00e9 ao fim na assump\u00e7\u00e3o dos desafios deste mundo \u00e0 justi\u00e7a, \u00e0 liberdade, \u00e0 paz e \u00e0 defesa da dignidade humana? O an\u00fancio do Evangelho e do Reino de Deus como Jesus nos prop\u00f5e \u00e9 confundido, mais vezes do que seria desej\u00e1vel, com a l\u00f3gica da promo\u00e7\u00e3o do movimento. N\u00e3o s\u00e3o todos assim, mas cada vez mais vejo assim muitos movimentos. <\/p>\n<p>N\u00e3o entendo os movimentos a n\u00e3o ser na aceita\u00e7\u00e3o de que o Esp\u00edrito Santo sopra onde quer e suscita m\u00faltiplos dons para o bem de todos. Encontrar o bem que cada movimento traz para as comunidades \u00e9 um crit\u00e9rio a considerar.<\/p>\n<p>Em tempos de apagamento espiritual, as comunidades paroquiais tornaram-se vulner\u00e1veis e at\u00e9 dispens\u00e1veis. Diz-se que o fim das par\u00f3quias est\u00e1 a\u00ed e \u00e9 chegado o tempo dos movimentos.<\/p>\n<p>E \u00e9 verdade!<\/p>\n<p>De outro modo n\u00e3o se entende a vida paralela em muitas comunidades (missas da par\u00f3quia e missas do movimento) em que n\u00e3o se vive a eucaristia dominical como o ponto de encontro de toda a comunidade. N\u00e3o entendo, por exemplo, a necessidade que haver um grupo nascido na Am\u00e9rica Latina, com simbologia da cavalaria medieval vir para Portugal ensinar-nos a devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora de F\u00e1tima. N\u00e3o entendo nem aceito movimentos que n\u00e3o sabem unir-se e reunir-se com os demais servi\u00e7os, sectores e movimentos de uma par\u00f3quia. N\u00e3o entendo os movimentos que n\u00e3o v\u00eaem no bispo diocesano (quem quer que ele seja) o rosto do bom pastor que apascenta a suas ovelhas, preterindo-o a favor do l\u00edder nacional ou internacional. N\u00e3o entendo movimentos que querem ser igreja \u00e0 sua maneira e n\u00e3o trabalham para que a Igreja seja outra, isto \u00e9, mais conforme com o Evangelho e a miss\u00e3o atribu\u00edda por Jesus.<\/p>\n<p>N\u00e3o entendo, nesta Igreja que eu amo, a l\u00f3gica do triunfalismo, do quantitativo em detrimento do qualitativo, da mera sobreviv\u00eancia institucional que, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 a garantia de uma verdadeira evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Jesus pediu-nos que fossemos sal da terra, luz do mundo e fermento na massa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LIC\u00cdNIO CARDOSO Padre O fen\u00f3meno dos movimentos na Igreja n\u00e3o \u00e9 recente. Sempre os houve. 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