{"id":22708,"date":"2011-04-20T10:37:00","date_gmt":"2011-04-20T10:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22708"},"modified":"2011-04-20T10:37:00","modified_gmt":"2011-04-20T10:37:00","slug":"baptismo-e-vivencia-da-pascoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/baptismo-e-vivencia-da-pascoa\/","title":{"rendered":"Baptismo e viv\u00eancia da P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<p>Os jornais falaram, nas \u00faltimas semanas, de pedidos pessoais de alguns crist\u00e3os que se tornaram ateus e j\u00e1 n\u00e3o querem ser baptizados. Por isso, exigem que os seus nomes sejam retirados dos livros oficiais da Igreja. Aqui h\u00e1 anos eram emigrantes na Alemanha que, para n\u00e3o pagarem o imposto de religi\u00e3o, declaravam, por escrito, que j\u00e1 n\u00e3o eram cat\u00f3licos, nem sequer religiosos. Esta declara\u00e7\u00e3o era comunicada \u00e0s dioceses de origem, causando fortes engulhos aos signat\u00e1rios quando, nas f\u00e9rias, voltavam \u00e0 sua terra para baptizar os filhos ou se credenciarem, eles pr\u00f3prios, a actos religiosos que lhes dessem prest\u00edgio local.<\/p>\n<p>Nada disto \u00e9 para admirar, mas, antes, para fazer reflectir a Igreja sobre a aten\u00e7\u00e3o dada \u00e0 pastoral dos sacramentos e \u00e0 f\u00e9 exigida para os poder celebrar. N\u00e3o admira que pessoas, baptizadas em crian\u00e7a e sem qualquer inicia\u00e7\u00e3o ou catequese posterior, concluam que serem julgadas crist\u00e3s pelos outros ou pelas estat\u00edsticas n\u00e3o tem qualquer l\u00f3gica e, por isso, digam que \u201cj\u00e1 n\u00e3o querem ser baptizados\u201d.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m pode deixar de ser filho dos pais que o geraram. Pode desconhecer os pais, reneg\u00e1-los, envergonhar-se deles, tornar-se voluntariamente filho pr\u00f3digo, mas os pais ser\u00e3o sempre, por gosto ou a contra gosto, os seus pais. A f\u00e9 crist\u00e3 cr\u00ea e ensina que o Baptismo \u00e9 um \u201cnovo nascimento\u201d. Por ele se adquire uma filia\u00e7\u00e3o espiritual irrevers\u00edvel, com direitos e deveres pr\u00f3prios. Tamb\u00e9m esta se pode desprezar ou menosprezar, mas o Baptismo perdura. Declara-se no livro pr\u00f3prio que a pessoa abjurou da sua condi\u00e7\u00e3o de crist\u00e3o, mas dentro dela persiste a capacidade de um regresso livre e libertador \u00e0 casa paterna. Deus quer ser amado em esp\u00edrito e em verdade e por um acto livre de quem acredita. Por isso, a Igreja n\u00e3o pode deixar de respeitar quem declara descrer de Deus e, ao mesmo tempo, interrogar-se porque motivo isso acontece e qual a culpa que lhe pode caber em tais situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os tempos de cristandade ou de transmiss\u00e3o e viv\u00eancia sociol\u00f3gica da f\u00e9 e da vida religiosa, pessoal e comunit\u00e1ria, esvaneceram-se. Ainda h\u00e1 pais, crentes convictos, que pedem o Baptismo para os seus filhos ainda crian\u00e7as. Outros, ao faz\u00ea-lo, n\u00e3o saem da sua tradi\u00e7\u00e3o e pedem-no por motivos religiosamente muito d\u00e9beis. O que era habitual foi-se tornando mais raro e, por isso, o n\u00famero de baptismos de crian\u00e7as diminui sensivelmente. A Igreja, h\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, despertou para a prepara\u00e7\u00e3o dos pais para o Baptismo dos filhos beb\u00e9s. O direito de todos poderem ser baptizados implica o dever de que este sacramento se celebre com determinadas condi\u00e7\u00f5es, sendo a mais importante a garantia de a crian\u00e7a poder ser educada f\u00e9 crist\u00e3. Esta garantia implica, antes de mais, os pais e outros familiares, como os av\u00f3s e os padrinhos, e, tamb\u00e9m, a pr\u00f3pria comunidade crist\u00e3. No contexto em que vivemos, verifica-se que, em muitos casos, esta garantia moral \u00e9 m\u00ednima, sen\u00e3o mesmo nula, n\u00e3o obstante as promessas feitas. O resultado est\u00e1 \u00e0 vista: as comunidades encheram-se de pag\u00e3os, pela sua vida e rara ades\u00e3o \u00e0 f\u00e9 e ao magist\u00e9rio da Igreja, todos eles baptizados em crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando na Igreja se introduziu o Baptismo de crian\u00e7as, filhas de pais crist\u00e3os e a seu pedido, o ambiente social e religioso era outro. No in\u00edcio, o Baptismo era recebido por adultos convertidos \u00e0 f\u00e9 em Jesus Cristo. Da\u00ed a exig\u00eancia do caminho catecumenal em ordem \u00e0 convers\u00e3o pessoal. Um caminho que podia ser moroso e longo. Ao generalizar-se o Baptismo das crian\u00e7as, o catecumenato foi entrando em desuso. Em meios crist\u00e3os, a convers\u00e3o considerava-se normal, pelo facto de a fam\u00edlia crist\u00e3 ser o meio prop\u00edcio para iniciar e educar na f\u00e9, levando as crian\u00e7as \u00e0 participa\u00e7\u00e3o nos actos de culto e \u00e0 pr\u00e1tica do Evangelho na vida do dia-a-dia.<\/p>\n<p>A Igreja multiplicou agora as exig\u00eancias para celebrar o Baptismo, restaurou o catecumenato, avivou a liga\u00e7\u00e3o do Baptismo \u00e0 P\u00e1scoa de Cristo, com todo o significado que este comporta. O Baptismo \u00e9, na vida de um crist\u00e3o, o primeiro acontecimento pascal e o mais determinante num itiner\u00e1rio de f\u00e9, s\u00e9rio e consequente. Se isto n\u00e3o se explica, n\u00e3o se compreende e n\u00e3o se aceita, o Baptismo n\u00e3o passa de um acto social e de um rito religioso, sem exig\u00eancias nem consequ\u00eancias. Assim, a Igreja, a fam\u00edlia dos baptizados, vai perdendo para muitos o seu significado, bem como a consci\u00eancia da sua miss\u00e3o no mundo.<\/p>\n<p>Sempre a renova\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3 partiu e partir\u00e1 da descoberta e da viv\u00eancia do Baptismo. Repensar a miss\u00e3o evangelizadora, num mundo secularizado e laico, obriga a repensar costumes e tradi\u00e7\u00f5es que perderam, para muita gente, o seu sentido, mas que o povo e alguns respons\u00e1veis parece considerarem ainda como um caminho pastoral normal. Justifica-se este costume de s\u00e9culos de baptizar crian\u00e7as sem garantia s\u00e9ria de educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3? Justifica-se que se baptize com uma prepara\u00e7\u00e3o diminuta um adulto que se disp\u00f5e apenas, por alguma raz\u00e3o, a casar na Igreja? Justifica-se a apatia pastoral ante o n\u00famero crescente de baptizados que abandonam a comunidade crist\u00e3, ou nela vivem, de modo consciente e deliberado, em contradi\u00e7\u00e3o com a f\u00e9 e o Evangelho de Jesus Cristo? Perguntas inc\u00f3modas, ao lado de outras, que n\u00e3o permitem adiar por mais tempo respostas necess\u00e1rias e urgentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os jornais falaram, nas \u00faltimas semanas, de pedidos pessoais de alguns crist\u00e3os que se tornaram ateus e j\u00e1 n\u00e3o querem ser baptizados. Por isso, exigem que os seus nomes sejam retirados dos livros oficiais da Igreja. 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