{"id":2272,"date":"2010-07-28T17:23:00","date_gmt":"2010-07-28T17:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=2272"},"modified":"2010-07-28T17:23:00","modified_gmt":"2010-07-28T17:23:00","slug":"retorno-ao-religioso-uma-marca-deste-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/retorno-ao-religioso-uma-marca-deste-tempo\/","title":{"rendered":"Retorno ao religioso, uma marca deste tempo"},"content":{"rendered":"<p>Muitas vezes, e para muitos, o retorno ao religioso \u00e9 o simples retorno a uma nova op\u00e7\u00e3o pelos \u00eddolos do tempo. Tamb\u00e9m se faz o encontro com novas formas religiosas ex\u00f3ticas, locais ou de importa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o falta ainda quem regresse ao amor primeiro, que deixara quando as exig\u00eancias do acreditar cederam a gostos pessoais e \u00e0s sedu\u00e7\u00f5es tentadoras do mais f\u00e1cil. Foi o alijar de um peso que se trazia de longe.<\/p>\n<p>A verdade, por\u00e9m, \u00e9 que o apelo ao religioso \u00e9 grito que vai dentro de cada um de n\u00f3s e n\u00e3o se cala. Apenas se disfar\u00e7a em novas experi\u00eancias, por vezes de vazio, que tentam responder-lhe e que n\u00e3o se verbalizam com facilidade. Santo Agostinho, falando da experi\u00eancia pessoal de um cora\u00e7\u00e3o inquieto, diz que este, esgotado por tanto procurar, s\u00f3 sossegou ao dar de caras com a resposta definitiva: o Deus que ia dentro dele.<\/p>\n<p>O ate\u00edsmo torna-se militante quando o ateu inconformado sente a perda daquilo que precisa e, por via de uma tens\u00e3o dolorosa, luta entre o n\u00e3o querer e o n\u00e3o poder dispensar. \u00c9 ent\u00e3o que o amor deriva para a indiferen\u00e7a, o desprezo e at\u00e9 para o \u00f3dio.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos tempos, jornais e revistas, di\u00e1rios e semanais, t\u00eam publicado reportagens de grupos religiosos novos ou s\u00f3 agora conhecidos. Uns dedicam-se ao culto da natureza, outros celebram a sua cren\u00e7a na clandestinidade de uma moradia da cidade, outros, ainda, dedicam-se a rituais inici\u00e1ticos, onde o sexo, livre e prom\u00edscuo, se torna uma obriga\u00e7\u00e3o sagrada. <\/p>\n<p>O retorno ao sagrado \u00e9 hoje estudado como uma forma de regresso ao passado que marcou a vida em fam\u00edlia, em comunidade de livre op\u00e7\u00e3o, ou por rela\u00e7\u00f5es pessoais de especial sentido.<\/p>\n<p>A crise de valores consistentes, que um secularismo laico vai destruindo de modo progressivo e inexor\u00e1vel, esvazia de sentido a vida pessoal e comunit\u00e1ria. Reside aqui o pre\u00e2mbulo do naufr\u00e1gio. <\/p>\n<p>Todo aquele que se sente a naufragar luta por todos os meios, grita e pede socorro, lembra-se de quem o pode ajudar, volta \u00e0 f\u00e9 que julgava perdida, invoca Deus e os santos\u2026 Se consegue a sobreviv\u00eancia, ser\u00e1, para sempre, uma pessoa humilde e agradecida, logo fala de milagre e n\u00e3o cessa de contar a todos a sua impot\u00eancia, mas, tamb\u00e9m, a sua confian\u00e7a e a gra\u00e7a do bom \u00eaxito, quando tudo parecia j\u00e1 perdido.<\/p>\n<p>O mar da vida, ao lado de coisas maravilhosas, tem hoje mais perigos e escolhos que o mar imenso de \u00e1gua, que fascina e atrai, incute sempre respeito pela sua magia, traduzida em for\u00e7a, fecundidade, beleza e serenidade, pelo segredo de cada onda e mar\u00e9. <\/p>\n<p>Hoje so\u00e7obra-se mais no mar encapelado da vida. A cada canto se encontram sereias com melodias tentadoras, tudo convida ao mais f\u00e1cil e agrad\u00e1vel. Facilmente se diz que os perigos ou n\u00e3o existem ou s\u00e3o coisas que s\u00f3 afectam crian\u00e7as desprevenidas e adultos medrosos\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 neste mar sem limites e cheio de encantos que um dia, numa paragem inesperada, que pode tamb\u00e9m ser progra-mada, surge ao vivo a experi\u00eancia das limita\u00e7\u00f5es e fraquezas que nos acompanham, mas, tamb\u00e9m, das riquezas interiores que s\u00e3o fonte de liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O vazio, ent\u00e3o, pede resposta e j\u00e1 n\u00e3o se contenta com uma resposta qualquer. Exige algo que n\u00e3o iluda, nem desiluda, exprima seriedade, mesmo se carregado de novas exig\u00eancias, ainda maiores do que aquelas que antes fizeram desertar do caminho.<\/p>\n<p>Nem sempre o retorno se d\u00e1 ao Deus que nos criou divinos e da sua estirpe, com marcas pr\u00f3prias e \u00fanicas que nos acompanham desde o sei materno. <\/p>\n<p>O retorno d\u00e1-se, por vezes e para alguns, a uma religiosidade mais privada, que reage a formas institucionais. Mas a escada sobe-se degrau a degrau. Quem se decidiu subir e a procurar j\u00e1 \u00e9 atra\u00eddo pelo Alto. <\/p>\n<p>O retorno ao religioso s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aos indiferentes, que apenas olham o ch\u00e3o, e aos satisfeitos de si mesmos, que dizem n\u00e3o precisar de nada, nem ningu\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitas vezes, e para muitos, o retorno ao religioso \u00e9 o simples retorno a uma nova op\u00e7\u00e3o pelos \u00eddolos do tempo. 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