{"id":22732,"date":"2011-05-04T09:23:00","date_gmt":"2011-05-04T09:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22732"},"modified":"2011-05-04T09:23:00","modified_gmt":"2011-05-04T09:23:00","slug":"a-cruz-do-condenado-converte-se-em-cruz-florida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-cruz-do-condenado-converte-se-em-cruz-florida\/","title":{"rendered":"&#8220;A cruz do condenado converte-se em cruz florida&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Excertos das homilias de D. Ant\u00f3nio Francisco, Bispo de Aveiro, nas celebra\u00e7\u00f5es da Missa Crismal e do Tr\u00edduo Pascal, na S\u00e9 de Aveiro.<\/p>\n<p>Missa Crismal, manh\u00e3 <\/p>\n<p>de Quinta-feira Santa (21 de Abril)<\/p>\n<p>A Igreja pede-nos a n\u00f3s, sacerdotes, que renovemos as nossas promessas sacerdotais, que nos recordam o dia em que fomos constitu\u00eddos pastores da Igreja ao servi\u00e7o dos nossos irm\u00e3os. Somos convidados a ter presente aquela bela exorta\u00e7\u00e3o de Paulo ao disc\u00edpulo Tim\u00f3teo: \u00abReaviva o dom de Deus que recebeste\u00bb (2 Tim 1, 6). \u00c9 este dom que d\u00e1 sentido \u00e0s nossas vidas. (\u2026)<\/p>\n<p>Aprendemos a ser pastores no exerc\u00edcio do pr\u00f3prio minist\u00e9rio, mas tamb\u00e9m e muito a partir da nossa fraternidade presbiteral. A fraternidade presbiteral \u00e9 uma exig\u00eancia da caridade pastoral. E a caridade pastoral alimenta-se do nosso encontro com Cristo, da nossa entrega ao minist\u00e9rio, porque \u00e9 um amor cujo destinat\u00e1rio imediato \u00e9 a comunidade eclesial. Por seu lado, a comunidade que servimos constitui outro elemento fundamental da nossa espiritualidade. Sabemo-nos disc\u00edpulos e mission\u00e1rios para que as nossas comunidades tenham vida. <\/p>\n<p>Ceia do Senhor, noite <\/p>\n<p>de Quinta-feira Santa (21 de Abril)<\/p>\n<p>Lavando os p\u00e9s aos disc\u00edpulos, Jesus despoja-se de si mesmo em atitude de servi\u00e7o, por amor do Reino. Este \u00e9 um gesto de hospitalidade a que os disc\u00edpulos n\u00e3o estavam habituados. (\u2026)<\/p>\n<p>Estes gestos desgostam, incomodam e desconcertam os que apenas pensam em si mesmos, nos seus desejos e aspira\u00e7\u00f5es e se esquecem facilmente dos outros, dos seus direitos e valores. Mas estes gestos encantam, seduzem e fazem disc\u00edpulos tamb\u00e9m hoje, em tantos volunt\u00e1rios e servidores da fraternidade, da dignidade e da vida. E n\u00e3o faltam, felizmente, exemplos destes na hist\u00f3ria e na vida da nossa cidade e diocese de Aveiro. Na Igreja, a autoridade s\u00f3 pode ter um nome: servi\u00e7o e s\u00f3 pode ser exercida assim: servindo. E o modo de exercer a autoridade ser\u00e1 sempre express\u00e3o desta profecia da aten\u00e7\u00e3o \u00e0queles que ningu\u00e9m atende; de escuta daqueles que ningu\u00e9m ouve; de consola\u00e7\u00e3o e afecto \u00e0queles a quem ningu\u00e9m d\u00e1 valor; de acolhimento fraterno daqueles que s\u00e3o exclu\u00eddos e rejeitados. (\u2026)<\/p>\n<p>Esta \u00e9 tamb\u00e9m a hora mais nobre da gratid\u00e3o ao Senhor que se nos d\u00e1 na Eucaristia e no Sacerd\u00f3cio e em tantos que fazem do mandamento novo a sua maior lei e do gesto do Lava-P\u00e9s a sua melhor escola. E por isso eu rezo em nome de todos: <\/p>\n<p>Senhor Jesus, que nos alimentas com o Teu Corpo e nos redimes com o Teu Sangue, \u00e9s Tu Senhor que dizes a cada um e a n\u00f3s todos: \u00abCompreendestes o que vos fiz: Fazei v\u00f3s tamb\u00e9m\u00bb. Sabemos, Senhor, que s\u00f3 o ousaremos fazer se o fizermos por amor. Como disc\u00edpulos na escola da loucura da cruz; como aprendizes da sabedoria de Deus. Senhor Jesus, ensina-nos a compreender, a crer, a amar, a perdoar e a servir como tu nos amaste, perdoaste e serviste! Faz-nos profetas do gesto do Lava-P\u00e9s para celebrarmos sempre a partir deste memorial da Ceia pascal a alegria de viver, de servir e de acreditar.<\/p>\n<p>Celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o, noite <\/p>\n<p>de Sexta-feira Santa (22 de Abril)<\/p>\n<p>A cruz \u00e9 simultaneamente o grande mist\u00e9rio e o lugar onde o sonho de Deus sobre a humanidade se cumpre e realiza e a grande utopia de um Reino novo, onde o pecado ser\u00e1 vencido e a morte ser\u00e1 destru\u00edda para sempre.<\/p>\n<p>\u00c9 a partir deste mist\u00e9rio redentor da cruz que culmina na P\u00e1scoa que a humanidade ser\u00e1 salva. \u00c9 atrav\u00e9s deste mist\u00e9rio redentor que a Igreja se sente enviada a proclamar a salva\u00e7\u00e3o a todos os povos e a liberta\u00e7\u00e3o aos oprimidos e aos que sofrem e a viver em permanente atitude prof\u00e9tica, decidida a percorrer o seu caminho na pobreza e na humildade, no despojamento e na entrega, capaz de dar espa\u00e7o alargado e \u00e2nimo consistente aos que se sentem pequenos e pecadores.<\/p>\n<p>Sempre me interroguei porque gostam tanto os jovens deste s\u00edmbolo redentor da Cruz e dele fazem sinal marcante das suas caminhadas e do seu rumo no horizonte das Jornadas Mundiais. Para os jovens, a cruz n\u00e3o \u00e9 um ornamento. A cruz revela &#8211; lhes o mist\u00e9rio da nossa reden\u00e7\u00e3o mas aponta \u2013 lhes, tamb\u00e9m, o caminho da Igreja que eles amam e que eles sonham, decidida a viver esta radicalidade do Mestre e esta procura insaci\u00e1vel da justi\u00e7a e da paz, da dignidade humana e da igualdade entre todos.<\/p>\n<p>A cruz \u00e9 o estandarte da liberdade; \u00e9 um hino \u00e0 liberdade; \u00e9 a voz dos inocentes que finalmente s\u00e3o ouvidos. Do alto da cruz desponta esta cont\u00ednua e libertadora Boa Nova que \u00e9 a Boa Nova de vida, de liberdade e de comunh\u00e3o feliz entre irm\u00e3os; Boa Nova do perd\u00e3o, da miseric\u00f3rdia e da ternura de Deus. A cruz \u00e9 para muitos que sofrem o \u00fanico \u00abtrono da gra\u00e7a\u00bb, onde encontram serenidade e paz, conforto e esperan\u00e7a. A cruz \u00e9 para tantos dos nossos irm\u00e3os a s\u00edntese mais leg\u00edvel do Evangelho.<\/p>\n<p>Vig\u00edlia Pascal, noite <\/p>\n<p>de S\u00e1bado (23 de Abril)<\/p>\n<p>A hora que vivemos, marcada por acrescidas dificuldades para Portugal, exige de todos n\u00f3s crist\u00e3os, \u00e0 luz da P\u00e1scoa, um compromisso maior e uma disponibilidade efectiva para firmarmos os nossos passos no que \u00e9 verdadeiramente essencial. (\u2026)<\/p>\n<p>O encontro com a pessoa de Jesus \u00e9 fundamental gerando um modo novo de ser humano, de estar na sociedade e de servir o bem comum. A vida n\u00e3o acaba, transforma-se; a cruz do condenado converte-se em cruz florida da P\u00e1scoa; o futuro pertence a quem ama e n\u00e3o a quem apenas pensa em si; o caos cede lugar \u00e0 harmonia e o medo abre caminho \u00e0 esperan\u00e7a. Todos sentimos que neste tempo confuso e fragmentado por tantas e desnecess\u00e1rias divis\u00f5es, diminuem as esperan\u00e7as de prosperidade e aumentam as inquieta\u00e7\u00f5es perante o futuro e isso gera ansiedade nas fam\u00edlias a bra\u00e7os com acrescidas dificuldades e provoca perplexidade sobretudo nos jovens para quem o futuro \u00e9 mais inseguro. Esta ansiedade pode conduzir-nos a sobressaltos e conflitos sociais que coloquem em quest\u00e3o um pac\u00edfico e sereno viver comum. Precisamos neste momento da sabedoria, da lucidez e da determina\u00e7\u00e3o de todos para que d\u00eaem ao di\u00e1logo a chave da harmonia e da concerta\u00e7\u00e3o entre todos os cidad\u00e3os e para que um futuro de consenso, de justi\u00e7a e de progresso seja poss\u00edvel. <\/p>\n<p>Os crist\u00e3os n\u00e3o se podem contentar em ser simples servidores de causas generosas. Somos defensores de uma aut\u00eantica concep\u00e7\u00e3o da vida e da dignidade humana em todas as suas dimens\u00f5es; devemos participar nos esfor\u00e7os comuns para que haja equidade e justi\u00e7a na nossa sociedade e para que o ser impere sobre o ter; temos responsabilidades na consci\u00eancia colectiva a criar para que se eduquem as novas gera\u00e7\u00f5es para uma vida s\u00f3bria, para uma partilha solid\u00e1ria, para uma responsabilidade universal na constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Excertos das homilias de D. Ant\u00f3nio Francisco, Bispo de Aveiro, nas celebra\u00e7\u00f5es da Missa Crismal e do Tr\u00edduo Pascal, na S\u00e9 de Aveiro. 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