{"id":22753,"date":"2011-03-23T10:39:00","date_gmt":"2011-03-23T10:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22753"},"modified":"2011-03-23T10:39:00","modified_gmt":"2011-03-23T10:39:00","slug":"um-dado-preocupante-que-obriga-a-reflectir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/um-dado-preocupante-que-obriga-a-reflectir\/","title":{"rendered":"Um dado preocupante que obriga a reflectir"},"content":{"rendered":"<p>A vida permite-se hoje, mais ainda do que antes, auscultar, quanto poss\u00edvel, a sensibilidade e o empenhamento consequente de muitos crist\u00e3os e comunidades crist\u00e3s em rela\u00e7\u00e3o aos problemas concretos da sociedade. Por esse pa\u00eds fora, o contacto com padres, com casais, com movimentos apost\u00f3licos, com leigos em geral, ajuda-me a manter uma cuidada aten\u00e7\u00e3o \u00e0 vida e ao eco que a mesma provoca na vida dos crist\u00e3os. Tamb\u00e9m a leitura da imprensa ligada \u00e0 Igreja d\u00e1 um bom contributo neste sentido. Assim se pode verificar que, para muita gente de pr\u00e1tica de culto regular h\u00e1 mais tend\u00eancia e sensibilidade para as situa\u00e7\u00f5es estritamente religiosas, que para os problemas e situa\u00e7\u00f5es sociais. Alguns exemplos elucidativos.<\/p>\n<p>A sociedade portuguesa vem enfrentando uma situa\u00e7\u00e3o grave que toca em direitos fundamentais dos pais e dos filhos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 livre escolha do projecto educativo e, tamb\u00e9m, \u00e0 leg\u00edtima interven\u00e7\u00e3o da sociedade civil e dos cidad\u00e3os em geral, no campo do ensino escolar. N\u00e3o faltam decis\u00f5es arbitr\u00e1rias e totalit\u00e1rias por parte de quem governa, pass\u00edveis de pron\u00fancia judicial. Negam-se ou, no m\u00ednimo, esquecem-se, por raz\u00f5es ideol\u00f3gicas e interesses pol\u00edticos, contributos not\u00e1veis da sociedade civil e neta se inclui a Igreja, referidas ao mundo do ensino escolar. Refiro-me \u00e0s escolas privadas, ao direito dos pais, \u00e0 den\u00fancia unilateral do governo de acordos p\u00fablicos, \u00e0 atitude inaceit\u00e1vel de p\u00f4r em causa escolas necess\u00e1rias, obrigando, para j\u00e1 a despedimentos de professores e de outros dos seus servidores e a inc\u00f3modos familiares graves. Tal problema, que \u00e9 nacional, parece, por\u00e9m, ter deixado indiferentes muitos crist\u00e3os, pensando que o caso apenas diz respeito \u00e0queles a que directamente toca: entidades respons\u00e1veis das escolas, pais dos alunos que as frequentam, professores e pessoal n\u00e3o docente que nelas trabalham. Numa diocese do pa\u00eds com v\u00e1rias escolas atingidas, no fim da reuni\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o diocesano de corresponsabilidade eclesial, um participante disse que o assunto n\u00e3o tinha sido tratado, porque n\u00e3o era priorit\u00e1rio para a diocese&#8230; <\/p>\n<p>Os problemas do desemprego e outros do mundo do trabalho provocam diminuta aprecia\u00e7\u00e3o, a menos que ocorram em zonas onde estes problemas queimam mais e multiplicam as suas v\u00edtimas. <\/p>\n<p>V\u00eam a lume dados sobre a pr\u00e1tica legal do aborto. Sabe-se do desprezo pelo estatu\u00eddo em rela\u00e7\u00e3o a quem pede o aborto ou o repete, de como as abortadoras passam \u00e0 frente de doentes graves nas urg\u00eancias hospitalares, e ainda recebem subs\u00eddios de maternidade por se negaram a ser m\u00e3es. Tudo isto com um governo que retira o abono familiar a casais modestos e atira gente para a valeta da fome e do desespero. Uma realidade injusta que parece s\u00f3 incomodar alguns crist\u00e3os, atentos e militantes.<\/p>\n<p>A desaten\u00e7\u00e3o aos cont\u00ednuos ultrajes \u00e0 institui\u00e7\u00e3o familiar, que a pouco e pouco a v\u00e3o destruindo, \u00e9 outra situa\u00e7\u00e3o ao lado da qual muitos passam sem enfado. Em momento solene o Presidente da Rep\u00fablica falou da profunda crise de valores, salientando \u201co papel o papel absolutamente nuclear da fam\u00edlia\u201d. Reac\u00e7\u00f5es, s\u00f3 as dos que n\u00e3o gostaram e disseram que era apenas uma frase pr\u00f3pria de campanha eleitoral\u2026<\/p>\n<p>Os problemas da vida, das pessoas e da sociedade, n\u00e3o se resolvem s\u00f3 com boa vontade ou com preces ao c\u00e9u. Exigem f\u00e9 coerente, empenhamento, ac\u00e7\u00e3o organizada, interven\u00e7\u00e3o oportuna, den\u00fancia corajosa. Vivemos um clima de abusos do poder nas mais diversas express\u00f5es. Quem se v\u00ea a reagir com propostas v\u00e1lidas?<\/p>\n<p>Uma f\u00e9 esclarecida pede aos crist\u00e3os que sejam presen\u00e7a viva no mundo para a\u00ed anunciarem e constru\u00edrem um reino de verdade e de justi\u00e7a, onde tenham lugar de prioridade aos mais pobres e exclu\u00eddos da sociedade. Isto obriga a reformular muitas propostas de forma\u00e7\u00e3o que parecem ter no horizonte apenas o regresso ao templo.<\/p>\n<p>Com uma sociedade a arder e a sofrer, d\u00f3i verificar-se que muitos crist\u00e3os de consci\u00eancia tranquila se foram alheando da vida e da realidade. Tanto a mensagem evang\u00e9lica como as determina\u00e7\u00f5es conciliares do Vaticano II mostram o horizonte da vida crist\u00e3 activa que n\u00e3o \u00e9, por certo, aquele que parece fascinar muitos crentes. <\/p>\n<p>A aten\u00e7\u00e3o comprometida \u00e0 hist\u00f3ria humana \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para que nela aconte\u00e7a a hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o. Deus n\u00e3o age no vazio. Que esta Quaresma, na qual se vai pregar e rezar mais, abra os olhos do cora\u00e7\u00e3o de pregadores e ouvintes, para os gritos, agora mais gritados, de muita gente que precisa de se sentir amada, escutada e ajudada. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida permite-se hoje, mais ainda do que antes, auscultar, quanto poss\u00edvel, a sensibilidade e o empenhamento consequente de muitos crist\u00e3os e comunidades crist\u00e3s em rela\u00e7\u00e3o aos problemas concretos da sociedade. 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