{"id":22766,"date":"2011-04-06T10:14:00","date_gmt":"2011-04-06T10:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22766"},"modified":"2011-04-06T10:14:00","modified_gmt":"2011-04-06T10:14:00","slug":"presente-e-futuro-dos-partidos-politicos-e-da-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/presente-e-futuro-dos-partidos-politicos-e-da-democracia\/","title":{"rendered":"Presente e futuro dos partidos pol\u00edticos e da democracia"},"content":{"rendered":"<p>Perante a situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica que se est\u00e1 vivendo e o comportamento p\u00fablico de muitos pol\u00edticos em cena, a interroga\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o sobre o presente e o futuro das associa\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias, n\u00e3o \u00e9 apenas um tema pertinente, mas actual e urgente, se orientado para ajudar os cidad\u00e3os a reflectir, decidir e optar conscientemente.<\/p>\n<p>N\u00e3o falta j\u00e1 quem se interrogue sobre se este \u00e9 o melhor regime, dado que est\u00e1 sendo posto em causa em muitos pa\u00edses, n\u00e3o apenas da Europa. As democracias respondem \u00e0s ditaduras, mas quando elas pr\u00f3prias perdem o sentido e o rumo de servi\u00e7o \u00e0 comunidade, s\u00e3o sempre porta aberta para novas ditaduras. A hist\u00f3ria recente vai-nos abrindo p\u00e1ginas novas para que assim se possa ler com objectividade e proveito. Tamb\u00e9m, entre n\u00f3s, a experi\u00eancia acentuada de uma democracia de interesses multiplica os nost\u00e1lgicos de tempos passados, mas recentes.<\/p>\n<p>Em Dezembro de 1998, por motivo dos 50 anos da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, em Carta Pastoral, os bispos portugueses deixaram dito: \u201cA partidocracia, levada ao extremo, \u00e9 um caminho prop\u00edcio para o desrespeito dos direitos humanos fundamentais, mesmo que se advogue a liberdade pessoal e o pluralismo cultural e religioso\u201d. E prosseguem: \u201cTratando-se de mat\u00e9ria com tantas repercuss\u00f5es na vida da comunidade e das pessoas, julgamos que os partidos pol\u00edticos devem ter especial cuidado na escolha dos seus candidatos para que se possa dotar o pa\u00eds com leis que n\u00e3o lesem, antes defendam e promovam os direitos da pessoa, as condi\u00e7\u00f5es de bem comum, os valores universais, a cultura tradicional do povo, o favorecimento da conviv\u00eancia sadia\u201d. Na altura, alguns pol\u00edticos de renome, manifestaram o seu apoio \u00e0 Carta Pastoral dos bispos, pondo apenas retic\u00eancias ao que nela se dizia dos partidos pol\u00edticos. No entanto, \u00e0 medida que o tempo passa, mais fica a claro como este \u00e9 um problema nacional a que n\u00e3o se tem dado especial import\u00e2ncia. <\/p>\n<p>A liberdade de associa\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito consignado na Constitui\u00e7\u00e3o. A democracia exprime-se atrav\u00e9s do pluralismo de opini\u00f5es, propostas e interven\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, isto exige que seja exercido por gente que n\u00e3o se considere \u00fanica nem indispens\u00e1vel, que n\u00e3o despreze os outros, nem as suas opini\u00f5es leg\u00edtimas. O caminho das melhores solu\u00e7\u00f5es para os problemas da comunidade constr\u00f3i-se com todos, com as propostas v\u00e1lidas de todos e no respeito para com todos. N\u00e3o t\u00eam lugar na democracia os ditadores que pensam ser os \u00fanicos capazes. Nem os orgulhosos que n\u00e3o respeitam os outros. Nem os avessos ao di\u00e1logo que julgam que o pa\u00eds lhes pertence. Todos estes contribuem para um resvalar progressivo que s\u00f3 para no abismo.<\/p>\n<p>Os que julgam ter sempre raz\u00e3o, pelo que n\u00e3o h\u00e1 que aceitar mais as raz\u00f5es dos outros, s\u00e3o psicologicamente doentes e, quando exercem cargos p\u00fablicos, seja a que n\u00edvel for, s\u00e3o tamb\u00e9m perigosos. Por vezes, parece que a actividade pol\u00edtica se vai realizando num manic\u00f3mio aberto, onde todos s\u00e3o advers\u00e1rios, as opini\u00f5es se desvirtuam, a mentira \u00e9 moeda corrente, o poder pelo poder \u00e9 o grande objectivo, o medo de perder um lugar confort\u00e1vel e honroso se sobrep\u00f5e ao cuidado de prevenir o pa\u00eds de crises sociais e morais, econ\u00f3micas e pol\u00edticas. Quem na pol\u00edtica pensa mais em si e nos interesses do seu partido, n\u00e3o tem lugar que legitime o que ganha. Alguns partidos, de h\u00e1 muito deixaram de falar no bem comum dos cidad\u00e3os, o grande objectivo da governa\u00e7\u00e3o, e falam s\u00f3 do \u201cestado social\u201d, interpretado segundo a sua cartilha e caminho de conquista do povo interesseiro e amorfo.<\/p>\n<p>Falta a muita gente da classe pol\u00edtica a cultura que permite entender, pela positiva, os objectivos nacionais e o modo de os realizar. E a candidatos que se perfilam para se tornarem pol\u00edticos profissionais, falta-lhes ainda a experi\u00eancia de servi\u00e7o aos outros, a maturidade e o bom senso para lerem o pa\u00eds real e o que deles se pode esperar. <\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e9 grave. Os pol\u00edticos n\u00e3o podem brincar, pensar s\u00f3 em vit\u00f3rias pessoais e partid\u00e1rias, levantar muros que dividem, quando a hora \u00e9 de dar as m\u00e3os sem preconceitos. Ser\u00e3o eles capazes de pensar neste pa\u00eds gravemente doente? De alguns que teimam permanecer no poder, j\u00e1 sabemos que n\u00e3o s\u00e3o capazes de abdicar de si. Dos outros, perceberemos, nos tempos pr\u00f3ximos, pela sua linguagem e atitudes, qual \u00e9 o seu horizonte de vida e por onde navegam os seus interesses. <\/p>\n<p>Os cidad\u00e3os t\u00eam amadurecido, olham a vida com outros olhos, come\u00e7am a intervir \u00e0 margem dos partidos. N\u00e3o s\u00e3o menores necessitados de tutela, nem crian\u00e7as que se enganam com rebu\u00e7ados ou promessas f\u00e1ceis. A anestesia do povo est\u00e1 perdendo o efeito e surgem, felizmente, gritos, antes n\u00e3o gritados. Ser\u00e1 que os pol\u00edticos j\u00e1 se aperceberam? <\/p>\n<p>A democracia n\u00e3o prescinde dos partidos, mas os partidos n\u00e3o esgotam a participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Outras for\u00e7as devem ser reconhecidas, respeitadas e promovidas, sem o que o pa\u00eds fica sempre mais pobre. Os ditadores incomodam-se com o que n\u00e3o sai deles e a eles n\u00e3o torna, como coroa de gl\u00f3ria. Portugal j\u00e1 disse que n\u00e3o quer ditadores e o povo depressa descobre os que se disfar\u00e7am para ganhar o poder.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perante a situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica que se est\u00e1 vivendo e o comportamento p\u00fablico de muitos pol\u00edticos em cena, a interroga\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o sobre o presente e o futuro das associa\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias, n\u00e3o \u00e9 apenas um tema pertinente, mas actual e urgente, se orientado para ajudar os cidad\u00e3os a reflectir, decidir e optar conscientemente. 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