{"id":22817,"date":"2011-05-04T10:10:00","date_gmt":"2011-05-04T10:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22817"},"modified":"2011-05-04T10:10:00","modified_gmt":"2011-05-04T10:10:00","slug":"embriagado-de-todo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/embriagado-de-todo\/","title":{"rendered":"Embriagado de todo"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 78 <!--more--> Nesta nossa caminhada pelos embriagados de Deus, no rasto da Samaritana, e chegando perto de Maio, ou j\u00e1 nele, n\u00e3o podemos deixar de falar deste homem que embebedou o mundo com o divino, para usar termos de Santa Teresa. Disseram-me as carmelitas de Alba de Tormes, onde est\u00e1 sepultada a santa, que um dia um jovem padre polaco chegou ali para celebrar Missa. Estava em Espanha para aprofundar a sua tese sobre S. Jo\u00e3o da Cruz. As Irm\u00e3s concederam-lhe a possibilidade de celebrar sobre o primeiro t\u00famulo de Santa Teresa, sobre a pedra onde se fizera a exuma\u00e7\u00e3o do seu corpo e que ainda hoje est\u00e1 manchada de sangue. A admira\u00e7\u00e3o delas \u00e9 que, passadas duas horas, o padre ainda ali estava, celebrando a Missa, sozinho, envolvido numa embriaguez de amor. Muitos anos depois, ele ali voltaria\u2026 como Papa da Igreja. O seu nome: Jo\u00e3o Paulo II, o Grande. Grande embriagado do divino, que contagiou o mundo, descendo aos caminhos dos homens de todos os continentes, em mais de 26 anos de pontificado.<\/p>\n<p>Amado e odiado, aplaudido como espect\u00e1culo e seguido como quem \u201csai gritando pelas ruas\u201d, ao jeito da mulher de Sicar, moveu cora\u00e7\u00f5es, fez nascer hist\u00f3rias de amor. Riu e chorou com quem ria e chorava. Abra\u00e7ou as crian\u00e7as, aben\u00e7oou os idosos, exaltou a mulher, repreendeu padres e bispos, derrubou muros, n\u00e3o teve vergonha nem de rezar o ter\u00e7o como sua ora\u00e7\u00e3o predilecta, nem de beijar o ch\u00e3o dos pa\u00edses que visitava, nem de venerar as imagens e rel\u00edquias de santos e de Nossa Senhora, seu grande amor, a quem consagrou sua vida num \u201cTotus Tuus\u201d que virou lema da Igreja e colocou F\u00e1tima no cora\u00e7\u00e3o do mundo, pois em 1984 realizou o pedido, aceite pelo c\u00e9u, finalmente, de consagrar o mundo ao Cora\u00e7\u00e3o de Maria, como Nossa Senhora pediu na Cova da Iria e em Tuy. A sua hist\u00f3ria? Poder\u00edamos dizer tr\u00e1gica? Perdeu a m\u00e3e, depois o irm\u00e3o que tinha, tamb\u00e9m o seu pai. Ficou s\u00f3 numa Pol\u00f3nia dominada pelo nazismo. Estudou clandestino. Poderia ser tudo. Belo homem, n\u00e3o lhe faltavam pretendentes. Culto, n\u00e3o lhe faltariam oportunidades. Trabalhou em tudo o que cria calos profundos nas m\u00e3os. Atropelado por um caminh\u00e3o nazi, sobreviveu. Fugia das rusgas que poderiam lev\u00e1-lo \u00e0 morte. Viu a sua querida Pol\u00f3nia destru\u00edda pelas armas da impiedade. Escondeu amigos judeus da deporta\u00e7\u00e3o que ainda hoje brada aos c\u00e9us\u2026<\/p>\n<p>Padre jovem, viu sua terra submetida a uma outra tirania, embora mais serena que nos outros pa\u00edses sujeitos ao mesmo jugo. Levantou a voz sem medo de ser deportado para a Sib\u00e9ria. Cardeal, levantou um povo e Nova Huta, a cidade que se pretendia sem Deus e que hoje tem uma Igreja cuja porta do sacr\u00e1rio tem uma pedra da lua. Mostrou at\u00e9 onde podem chegar os que se deixam embriagar pelo divino. O seu sorriso, a sua voz, o seu olhar, e aquele \u201cHabemus Papam\u201d que fez engasgar os dirigentes da R\u00fassia e do mundo por ser polaco\u2026 Caiu sob o tiro de uma arma num 13 de Maio e a\u00ed entendeu, como t\u00e3o bem diz Aura Miguel no Livro \u201cO Segredo que Conduz o Papa\u201d, recentemente reeditado e que recomendo, que a sua vida estava ligada a uma apari\u00e7\u00e3o mariana em Portugal e ao olhar meigo da sua virgem de Czestochowa. Era aquele que em 1935 Jesus anunciara a Faustina Kowauska: Da Pol\u00f3nia nascer\u00e1 aquele que introduzir\u00e1 a Igreja no terceiro Milenio\u2026<\/p>\n<p>Perdoou ao seu quase assassino e definhou, depois de ter ido a todos os continentes e ter passado \u00e0 porta das nossas casas. N\u00e3o teve vergonha de mostrar seu aniquilamento ao mundo e como se babava quando lia a sua homilia, ou adormecia, escondendo-se quase desmaiado detr\u00e1s do altar. Abra\u00e7ou a cruz\u2026 Amou e partiu\u2026 O seu funeral n\u00e3o teve nem ter\u00e1 algum outro que se lhe compare. De todo o mundo, todas as religi\u00f5es. Toda a cor pol\u00edtica\u2026 Tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas a encherem ruas e pra\u00e7as de Roma, chorando com bili\u00f5es no mundo inteiro, enquanto d\u00e1vamos gra\u00e7as por tanta bebedeira do divino e grit\u00e1vamos esperan\u00e7ados: \u201cSanto subito\u201d, \u201cSanto j\u00e1\u201d, que tamb\u00e9m, emocionados e saudosos, repetimos neste 1 de Maio de 2011.<\/p>\n<p>Se mais ningu\u00e9m nos vier falar de como Cristo enche e sacia, basta olhar para Jo\u00e3o Paulo II. No meio das nossas dores, poderemos entender, n\u00e3o s\u00f3 que Deus existe, mas que apostar nele \u00e9 o empreendimento mais valioso e o \u00fanico v\u00e1lido da nossa vida.<\/p>\n<p>Obrigado, Senhor, obrigado, Maria, por Karol Wojtyla e pela Pol\u00f3nia, que nos deu este seu filho para nos dizer o que \u00e9 o lema deste pa\u00eds da Divina Miseric\u00f3rdia: Sempre fiel\u2026 Ent\u00e3o, sim, \u201cSanto subito\u201d!<\/p>\n<p>P.e Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 78<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-22817","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22817","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22817"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22817\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}