{"id":22822,"date":"2011-05-11T09:43:00","date_gmt":"2011-05-11T09:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22822"},"modified":"2011-05-11T09:43:00","modified_gmt":"2011-05-11T09:43:00","slug":"e-improvavel-que-se-retome-o-processo-de-canonizacao-de-santa-joana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/e-improvavel-que-se-retome-o-processo-de-canonizacao-de-santa-joana\/","title":{"rendered":"\u00c9 improv\u00e1vel que se retome o processo de canoniza\u00e7\u00e3o de Santa Joana"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista <!--more--> Monsenhor Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar, bi\u00f3grafo e coleccionador de imagens e outros objectos da Santa de Aveiro, fala do processo de canoniza\u00e7\u00e3o. Primeiro n\u00e3o avan\u00e7ou por quest\u00f5es diplom\u00e1ticas. Agora pouco traria de novo. Na imagem, segura a travesseira de Santa Joana. Entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira.<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA \u2013 A prop\u00f3sito da beatifica\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II, tem-se falado muito dos processos de canoniza\u00e7\u00e3o e das suas etapas. Como est\u00e1 o processo de Santa Joana (1452-1490)?<\/p>\n<p>JO\u00c3O GON\u00c7ALVES GASPAR &#8211; Depois da beatifica\u00e7\u00e3o, em 04 de Abril de 1693, certas dificuldades nas rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com a Santa S\u00e9 fizeram com que o processo n\u00e3o avan\u00e7asse. O processo de canoniza\u00e7\u00e3o est\u00e1 meio feito, est\u00e1 no arquivo do Vaticano e \u00e9 conhecido. Um dos principais testemunhos foi o do doutor Br\u00e1s Lu\u00eds de Abreu, m\u00e9dico e sacerdote, ordenado em 1732. Este m\u00e9dico e padre teve uma vida interessante, para n\u00e3o dizer esquisita, de tal forma que Camilo Castelo Branco escreveu um romance hist\u00f3rico sobre ele, chamado \u201cOlho de vidro\u201d. Este homem interveio no processo para analisar os restos mortais de Santa Joana. H\u00e1 diversos testemunhos, entre eles o da sua filha (antes de se ordenar viveu casado quinze anos), Sebastiana, que conta um caso maravilhoso, para n\u00e3o dizer milagroso.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguma possibilidade de se retomar o processo?<\/p>\n<p>O processo foi suspenso por falta de interesse da parte de Portugal, sobretudo da ordem dominicana. Segundo foi dito a D. Manuel de Almeida Trindade e a mim, quando fomos \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o da Causa dos Santos (no Vaticano), em qualquer momento o processo poder\u00e1 ser retomado. Falta a verifica\u00e7\u00e3o de um milagre depois da beatifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 vi\u00e1vel retom\u00e1-lo?<\/p>\n<p>Para mim, desentusiasmou-me ouvir um respons\u00e1vel do Vaticano dizer em espanhol que \u201cvoc\u00eas em Aveiro n\u00e3o se interessem por isso\u201d. Sendo ele dominicano, afirmou \u2013 isto foi em 1978 ou 79 \u2013 que \u201cn\u00f3s \u00e9 que temos interesse nisso\u201d.<\/p>\n<p>Mudaria algo, se fosse canonizada?<\/p>\n<p>N\u00e3o. Em 1965, Santa Joana foi proclamada por Paulo VI, ultrapassando todas as al\u00edneas do direito can\u00f3nico, padroeira \u00fanica da cidade e da diocese de Aveiro. Apesar de ser apenas beata, o seu nome pode ser dito na liturgia como o dos santos canonizados. Pode haver associa\u00e7\u00f5es, par\u00f3quias e templos em seu nome \u2013 o que at\u00e9 a\u00ed n\u00e3o era poss\u00edvel. Da\u00ed o semin\u00e1rio de Aveiro ter o seu nome, mas estar dedicado ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus.<\/p>\n<p>\u00c9 porque a declara\u00e7\u00e3o de santa n\u00e3o traria nada de novo para Aveiro que n\u00e3o h\u00e1 interesse?<\/p>\n<p>H\u00e1 interesse. N\u00e3o h\u00e1 comiss\u00e3o nem fundos para promover a causa. Mas h\u00e1 interesse. D. Domingos ainda nomeou uma comiss\u00e3o que n\u00e3o chegou a trabalhar porque entretanto o bispo faleceu. D. Manuel de Almeida Trindade, vendo as dificuldades do processo, pediu ao Papa Paulo VI, que imediatamente a proclamou padroeira, dada a devo\u00e7\u00e3o popular. Ela tem todos os \u201cdireitos\u201d de um santo canonizado.<\/p>\n<p>O Monsenhor, al\u00e9m de ter escrito diversas obras sobre Santa Joana, \u00e9 um coleccionador de objectos relativos \u00e0 princesa\u2026<\/p>\n<p>Sim, o mais precioso recebi-o h\u00e1 dois anos: a almofada em que Santa Joana reclinou a cabe\u00e7a antes de morrer. Deram-ma as dominicanas. Tive a oportunidade de consultar uma especialista em panejamentos antigos que me confirmou que o tecido \u00e9 do s\u00e9c. XV. Na Casa Episcopal temos tamb\u00e9m a chave da urna de Santa Joana. Foi dada a D. Jo\u00e3o Evangelista em 1909, a quando da ordena\u00e7\u00e3o de Bispo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessas rel\u00edquias, que outros objectos h\u00e1 sobre Santa Joana, numa cidade em que h\u00e1 uma livraria, uma funer\u00e1ria, uma escola de condu\u00e7\u00e3o, freguesia\u2026<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas pinturas e escritos sobre Santa Joana. A primeira biografia em l\u00edngua portuguesa surgiu em 1585. Passados dez anos, saiu outra em espanhol. De antes da beatifica\u00e7\u00e3o conhecem-se tr\u00eas pinturas no Museu de Aveiro, al\u00e9m da mais famosa, feita durante a vida da princesa, atribu\u00edda \u00e0 escola de Nuno Gon\u00e7alves. Depois da beatifica\u00e7\u00e3o h\u00e1 muitas mais. H\u00e1 tr\u00eas em Roma, uma na Sic\u00edlia, num hotel que fora convento dominicano, na Holanda, no Brasil, onde h\u00e1 uma par\u00f3quia de Santa Joana\u2026<\/p>\n<p>O quadro de Nuno Gon\u00e7alves ou da sua escola, quanto a mim, at\u00e9 me provarem o contr\u00e1rio, foi feito para percorrer a Europa, porque Afonso V tinha interesse em casar a sua filha. N\u00e3o sei se ele saiu alguma vez de Portugal, mas diz-se que o imperador da Alemanha caiu de joelhos, quando viu\u2026 Como veio parar a Aveiro? Ou ela a trouxe, ou a sua tia, D. Filipa.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguma imagem que aprecie especialmente?<\/p>\n<p>H\u00e1 uma no convento Corpus Christi, em Vila Nova de Gaia, muito curiosa. Toda a gente pinta Joana com o h\u00e1bito completo: t\u00fanica branca, capa preta e v\u00e9u preto. Mas ela n\u00e3o andava assim porque n\u00e3o chegou a fazer os votos perp\u00e9tuos. Era \u201cfreira sem profiss\u00e3o\u201d, como diz Fr. Lu\u00eds de Sousa. Usou sempre o v\u00e9u de novi\u00e7a.<\/p>\n<p>Gosto muito da est\u00e1tua de H\u00e9lder Bandarra, frente ao Museu. Mostra uma presen\u00e7a monumental e solene, uma mulher de vontade firme, determinada, com um p\u00e9 a sair do pedestal. Se tivesse o p\u00e9 um pouco mais \u00e0 frente, ca\u00eda da est\u00e1tua\u2026 <\/p>\n<p>Que outros objectos h\u00e1 sobre santa Joana?<\/p>\n<p>Selos, chocolates, pain\u00e9is de moliceiro, estatuetas\u2026 Tenho umas 25 estatuetas de Santa Joana, desde a da Vista Alegre \u00e0 de qualquer ateli\u00ea que, ao vir para uma feira de Aveiro, traz sempre uma imagem da princesa. E j\u00e1 h\u00e1 estatuetas feitas na China.<\/p>\n<p>Gostou da exposi\u00e7\u00e3o de pinturas modernas de Santa Joana, no Museu de Aveiro (ver CV de 13 de Abril; pode ser vista at\u00e9 hoje)?<\/p>\n<p>Fiquei surpreendido. De uma ou outra n\u00e3o gosto. Os autores l\u00e1 saber\u00e3o explicar. Mas foi uma ideia muito boa de Paulo Catarino. Algumas das pinturas s\u00e3o excepcionais.<\/p>\n<p>Celebra\u00e7\u00e3o da Padroeira da Cidade e da Diocese<\/p>\n<p>12 de Maio de 2011<\/p>\n<p>* Pelas 09h30, realiza-se a investidura dos novos irm\u00e3os da Irmandade de Santa Joana, na igreja de Jesus (junto do t\u00famulo), por D. Ant\u00f3nio Francisco dos Santos. <\/p>\n<p>* Na S\u00e9, com in\u00edcio \u00e0s 10h30, o Sr. Bispo preside \u00e0 concelebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia festiva. Durante a celebra\u00e7\u00e3o ser\u00e1 benzida a primeira pedra da Casa Sacerdotal de Aveiro. O programa da manh\u00e3 termina, como \u00e9 costume, com uma prece \u00e0 Padroeira junto do seu mausol\u00e9u, no Museu de Aveiro.<\/p>\n<p>* \u00c0 tarde, a partir das 16h00, a prociss\u00e3o sair\u00e1 da pra\u00e7a fronteira ao Museu de Aveiro, percorrendo algumas ruas de Aveiro; nela participar\u00e3o as autoridades civis, acad\u00e9micas e militares, al\u00e9m das confrarias e associa\u00e7\u00f5es, mesmo de outras par\u00f3quias do concelho de Aveiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-22822","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22822","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22822"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22822\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22822"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22822"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}