{"id":22848,"date":"2011-04-13T10:03:00","date_gmt":"2011-04-13T10:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22848"},"modified":"2011-04-13T10:03:00","modified_gmt":"2011-04-13T10:03:00","slug":"outro-embriagado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/outro-embriagado\/","title":{"rendered":"Outro embriagado"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 76 <!--more--> Chama-se Mois\u00e9s Azevedo. Tem 50 anos. Natural do Brasil, Bahia. A sua m\u00e3e queria um filho homem e s\u00f3 o conseguiu depois de cinco meninas e uma espera de perto de 25 anos. Engravidou aos 45. Consagrou-o a Deus como desejava, na linha das m\u00e3es b\u00edblicas do Antigo e Novo Testamento, como a m\u00e3e do P.e Jos\u00e9 Kentenich, como a de D. Bosco, como Teresa de \u00c1vila e Teresinha de Lisieux. Aos doze anos decidiu que n\u00e3o ia mais \u00e0 Missa. N\u00e3o estava de bem com a Igreja, pois para entend\u00ea-la e am\u00e1-la, s\u00f3 baseados na f\u00e9. Se a vemos com olhos meramente humanos, as fragilidades dos seus membros, como as dos ap\u00f3stolos, s\u00e3o tantas que sa\u00edmos e n\u00e3o a amamos.<\/p>\n<p>O seu pai, praticante ass\u00edduo e convicto, disse-lhe, sem medo de ferir ou violentar a liberdade do menino, como hoje por a\u00ed se diz na educa\u00e7\u00e3o de libertinos que se d\u00e1 aos filhos: \u201cEnquanto estiveres sob o meu tecto, fazes o que eu mandar\u2026\u201d E assim foi. Hoje agradece. Eu lembro-me que a professora que eu mais agrade\u00e7o em toda a minha vida, entre tantos maravilhosos que tive, foi uma de Portugu\u00eas, na escola Jos\u00e9 Est\u00eav\u00e3o de Aveiro. T\u00ednhamos medo dela. Exigente. Avaliava por baixo. Mas ensinou-me a levar a s\u00e9rio o estudo. Quando me ordenei, procurei o seu paradeiro e disse-lhe: \u201cObrigado\u201d. Conhe\u00e7o homens de 30 anos que n\u00e3o fazem nada sem a m\u00e3e, que assim os educou, lhes colocar tudo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o incapazes de criar e, se puderem, dormem at\u00e9 o meio-dia, at\u00e9 que a m\u00e3e ou a esposa os acordem para tomar caf\u00e9. Esses n\u00e3o far\u00e3o uma hist\u00f3ria linda, nunca.<\/p>\n<p>Mois\u00e9s disse que agradecia os pais que teve e o obrigaram a obedecer, ainda que contrariado. Disse que o ser humano \u00e9 para se educar. No fundo, todos nascemos mat\u00e9ria bruta. E a educa\u00e7\u00e3o implica ren\u00fancia, sofrimento, exig\u00eancia, luta, humilha\u00e7\u00e3o, trabalho, obedi\u00eancia. Um dia, com 20 anos, participou, contrariado, num retiro e deu-se o encontro com Jesus. Descobriu o Po\u00e7o da \u00c1gua Viva. Diz ele que a felicidade bateu \u00e0 sua porta e viu que ela s\u00f3 se encontra n\u2019Ele, n\u00e3o nos caminhos que os jovens de ontem e de sempre procuram e trilham\u2026 Um dia, o bispo, em 1985, na visita do futuro beato Jo\u00e3o Paulo II disse-lhe que ele iria entregar ao Papa um presente. E seria o Mois\u00e9s a escolher o que dar ao Papa. Tinha 20 anos! Rezou\u2026 para decidir \u00e0 luz de Deus, como todos dever\u00edamos fazer sempre, em todas as circunst\u00e2ncias decisivas de nossa vida. E Deus disse-lhe, sentiu ele assim, no fundo do seu cora\u00e7\u00e3o: \u201cD\u00e1 a tua vida, em liberdade, para que os outros possam ser felizes como tu, especialmente os jovens\u201d. E foi esse o presente que, em forma de envelope, ele entregou ao Santo Padre: a sua vida! Afinal, a m\u00e3e j\u00e1 o tinha dado ao Senhor! O tempo foi passando e ele interrogava-se sobre como chegar aos jovens que via na rua em busca de felicidade, no sexo, na droga, na moda, na fama, no dinheiro\u2026 Um dia, com um grupo que se lhe foi juntando, com o mesmo ideal, abriu uma pastelaria. Ali se serviam doces, bebidas. Os nomes eram b\u00edblicos. A B\u00edblia sobre cada mesa. O jovem era acolhido. Um outro o interpelava. E acabava por o levar para os fundos da pastelaria (?!). Estava ali o Sant\u00edssimo Sacramento exposto, numa capela, com as devidas autoriza\u00e7\u00f5es\u2026 e Jesus fazia o resto.<\/p>\n<p>Ah, se na Avenida Louren\u00e7o Peixinho, a nossa diocese tivesse a coragem de fazer algo parecido. Como o nosso povo precisa disso nas ruas de Aveiro e ningu\u00e9m acorda para dar a sua vida e abrir um espa\u00e7o onde Jesus fa\u00e7a o resto no cora\u00e7\u00e3o dos que ali entrarem. H\u00e1 tanta loja devoluta. Bem podia ser o espa\u00e7o da felicidade verdadeira! Pois, foi assim que nasceu a Comunidade Shalom, que hoje tem casas por esse mundo fora e mais de cinquenta mil membros. Existe h\u00e1 28 anos e tem casa em Portugal. Vemo-los, alegres e acolhedores a orientar a liturgia em Nazareth, na Galileia, por exemplo. Mois\u00e9s n\u00e3o se quis casar. Nem ser padre. Nem ser di\u00e1cono permanente. S\u00f3 leigo c\u00e9libe. Dando a vida em Alian\u00e7a. Fundador sem o querer. A sua comunidade recebeu o reconhecimento pontif\u00edcio e ele foi nomeado pelo Papa como delegado pontif\u00edcio para tudo quanto se refere ao papel do leigo na Igreja. Ouvi-o h\u00e1 dias na Escola da F\u00e9 da Can\u00e7\u00e3o Nova. Envolveu-me e ajudou-me a renovar o meu sim. Afinal, rico \u00e9 o que d\u00e1. E feliz \u00e9 quem ama. Embriagados de amor. P\u00f3 enamorado por Cristo. Tudo para que os homens alcancem a felicidade e saciem a sede de Deus.<\/p>\n<p>P.e Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 76<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-22848","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22848","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22848"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22848\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}