{"id":22880,"date":"2011-04-20T10:33:00","date_gmt":"2011-04-20T10:33:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22880"},"modified":"2011-04-20T10:33:00","modified_gmt":"2011-04-20T10:33:00","slug":"ve-se-pela-aragem-quem-vem-na-carruagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/ve-se-pela-aragem-quem-vem-na-carruagem\/","title":{"rendered":"\u00abV\u00ea-se pela aragem quem vem na carruagem\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Ao chegar uma antiga dilig\u00eancia, o \u00abar\u00bb de quem vinha l\u00e1 dentro podia dizer muito sobre quem era tal gente\u2026<\/p>\n<p>Os passos excitados das \u00abvisitas pascais\u00bb (ou \u00abcompasso\u00bb), pelas ruas ou pelos montes, parecem anunciar: vem a\u00ed gente nova \u2013 e tem bom ar!<\/p>\n<p>Mas uma aragem inquietante. J\u00e1 os evangelhos falam de gente apressada, de perguntas, de contradi\u00e7\u00f5es, de medos, de experi\u00eancias estranhas, de suspiros de al\u00edvio\u2026 <\/p>\n<p>E a personagem principal deixa-nos de olhos esbugalhados: rodeado triunfalmente por uma guirlanda de rendas e flores\u2026 aparece Jesus crucificado!<\/p>\n<p>\u00c9 bem o s\u00edmbolo da condi\u00e7\u00e3o humana: a vida \u00e9 mistura de prazer e dor. Mas agora, surge uma promessa cheia de optimismo: na linha do mais profundo desejo do ser humano, a \u00abvida imperfeita\u00bb desabrocha em \u00abvida perfeita\u00bb, pondo a render o pr\u00f3prio sofrimento e morte. Uma aragem de novo mundo, que traz seiva nova \u00e0s nossas alegrias, que nas pr\u00f3prias tristezas se v\u00e3o enroscar e crescer e florir. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, no tempo de Jesus como hoje, haveria e h\u00e1 consci\u00eancia do que est\u00e1 em causa? Os \u00abcrentes\u00bb n\u00e3o andar\u00e3o a querer persuadir-se de que a morte \u00e9 apenas uma \u00abperip\u00e9cia\u00bb da vida? N\u00e3o andar\u00e3o a fugir deste mundo, onde queremos (e devemos) gozar o nosso modo de existir?<\/p>\n<p>A aragem diz-nos que Jesus n\u00e3o foi aniquilado pela morte. E diz-nos que homens e mulheres normais fizeram a experi\u00eancia da \u00abnova aragem\u00bb (a \u00abressurrei\u00e7\u00e3o\u00bb de Jesus n\u00e3o pode ser comprovada historicamente, mas j\u00e1 se pode comprovar a seriedade intr\u00ednseca destas experi\u00eancias, pelos tempos fora).<\/p>\n<p>A \u00abcarruagem\u00bb continua a inquietar os seres humanos, at\u00e9 porque muita gente ignorante ou comodista n\u00e3o aprova novas maneiras de ver a realidade e de viver.<\/p>\n<p>Se temos f\u00e9 em algu\u00e9m, \u00e9 porque apreendemos que essa confian\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 razo\u00e1vel como sobretudo d\u00e1 sentido \u00e0 vida (por isso diz S. Paulo: \u00abse Cristo n\u00e3o ressuscitou, \u00e9 v\u00e3 a vossa f\u00e9\u00bb, 1 Cor\u00edntios 15,17). Ao fazer-nos bem, ao contribuir activamente para a felicidade no mundo, a f\u00e9 religiosa mostra o dinamismo que possui.<\/p>\n<p>Em vez do ar pesado de condenados \u00e0 morte, ganhamos uma aragem que harmoniza Deus e a humanidade. Deus deixa de ser \u00abestraga-vidas\u00bb, empecilho para a intelig\u00eancia e afectividade, para ser o \u00abduplo\u00bb nas nossas aventuras. <\/p>\n<p>O discurso de Pedro anuncia esta experi\u00eancia de integridade do ser humano, em que se afirma o valor da vida de cada qual. A consci\u00eancia das falhas (\u00abpecados\u00bb) torna-nos capazes de reconhecer perante os outros o mau procedimento e que estamos dispostos a ter cada vez mais \u00abbom senso\u00bb (e por isso, todos t\u00eam que ser capazes de perdoar \u00abat\u00e9 70&#215;7\u00bb \u2013 ou seja, sem tra\u00e7ar limites mas tamb\u00e9m sem fazer vista grossa ao que est\u00e1 mal feito).<\/p>\n<p>\u00c9 claro, n\u00e3o falta quem use perfumes inebriantes para drogar os que acorrem \u00e0 novidade. \u00abPelos frutos os conhecereis\u00bb, alerta Jesus. Se o ar n\u00e3o se torna mais respir\u00e1vel, se n\u00e3o sentimos um f\u00f4lego novo para nos dedicarmos \u00e0 actividade neste mundo, \u00e9 porque a carruagem traz gente falsa.<\/p>\n<p>Mas Jesus n\u00e3o deu um c\u00f3digo de leis para o que \u00e9 permitido ou proibido. Tinha tanta f\u00e9 na Humanidade, que apenas quis libertar o desejo universal de ser feliz \u2013 que s\u00f3 \u00e9 bem sucedido se fazemos os outros felizes. <\/p>\n<p>Por isso, a P\u00e1scoa \u00e9 sempre um dia bonito. Ent\u00e3o naquelas terras em que a \u00abvisita pascal\u00bb \u00e9 um conviver feito de palmilhar caminhos com cheiro a terra e a flores, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel acompanhar a cruz engalanada sem respirar vida, amizade, saudade e alegria. <\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-22880","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22880\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}