{"id":22903,"date":"2011-05-11T10:29:00","date_gmt":"2011-05-11T10:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22903"},"modified":"2011-05-11T10:29:00","modified_gmt":"2011-05-11T10:29:00","slug":"rosa-venerini-educar-para-salvar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/rosa-venerini-educar-para-salvar\/","title":{"rendered":"Rosa Venerini: Educar para salvar"},"content":{"rendered":"<p>Quis ser monja, mas por ter de tomar conta do irm\u00e3o mais novo, provocou uma revolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o italiana: criou as primeiras escolas p\u00fablicas para raparigas.<\/p>\n<p>Rosa Venerini nasceu no dia 9 de Fevereiro de 1656, em Viterbo, cidade no centro de It\u00e1lia, onde est\u00e1 sepultado Jo\u00e3o XXI, o Papa portugu\u00eas. Terceira de quatro irm\u00e3os (Domenico, Maria Madalena, Rosa e Hor\u00e1cio), era filha de Godfredo, um m\u00e9dico conceituado, e de M\u00e1rcia Zampichetti, de uma fam\u00edlia tradicional da cidade.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia deu-lhe s\u00f3lida educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Ainda em crian\u00e7a, Rosa fez o voto de se tornar monja. No cumprimento do voto, entrou para o mosteiro dominicano de Santa Catarina de Sena, para conhecer a vida claustral, mas s\u00f3 l\u00e1 ficou uns meses porque entretanto o seu pai morre subitamente. Regressa a casa para confortar a m\u00e3e e sucede-se uma s\u00e9rie de trag\u00e9dias familiares. Morre aos 27 anos o seu irm\u00e3o mais velho, Dominico. E, passados uns meses, por desgosto, a sua m\u00e3e. Entretanto, Maria Madalena casara-se, pelo que Rosa passa a cuidar do irm\u00e3o mais novo, Hor\u00e1cio. \u00c9 neste contexto que, seguindo a espiritualidade de S. Domingos e S.to In\u00e1cio de Loyola, come\u00e7a a convidar para sua casa, para rezarem, as jovens e as mulheres do seu bairro. Com este gesto, d\u00e1-se logo conta de que as mulheres da sua terra n\u00e3o sabem rezar.<\/p>\n<p>\u201cRosa compreendeu que a mulher do seu tempo era escrava da ignor\u00e2ncia e da pobreza, destinada aos trabalhos mais pesados, e que ningu\u00e9m se preocupava com o seu bem-estar. Ent\u00e3o, (\u2026) com duas amigas, decidiu abrir uma escola para as jovens pobres. Corria ent\u00e3o m\u00eas de Agosto de 1685. A cada dia, pelas ruelas de Viterbo passava uma crian\u00e7a tocando uma sineta e chamando todas as jovens e crian\u00e7as da cidade. As li\u00e7\u00f5es come\u00e7avam com a ora\u00e7\u00e3o, seguida da catequese, dos trabalhos manuais femininos e das li\u00e7\u00f5es para aprenderem a ler e a escrever bem. Em pouco tempo, a escola de Rosa mudou de fisionomia e ela recebeu pedidos para fundar outras escolas, pedidos estes formulados por bispos e cardeais. As professoras n\u00e3o eram religiosas, mas viviam como tais, sendo chamadas Mestras Pias\u201d, relata Ir. Maria Teresa Crescini, que pertence \u00e0 ordem fundada por esta santa.<\/p>\n<p>A escola de Viterbo, autorizada pelo cardeal Urbano Sacchetti, tinha duas mestras, Gerolama Coluzzelli e Porzia Bacci, que tinham sido preparadas previamente. Foi a primeira escola p\u00fablica italiana destinada a raparigas.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia foi um sucesso, mas encontrou forte oposi\u00e7\u00e3o em duas classes de pessoas. Por um lado, o clero considerava que o ensino da religi\u00e3o era actividade exclusiva do estado clerical. Por outro lado, a classe m\u00e9dia da cidade escandalizava-se com o ensino geral ministrado a mulheres e por mulheres. Outros bispos apoiam o projecto e surgem mais escolas na diocese de Montefiascone, sempre no centro de It\u00e1lia, e depois em Roma, no ano de 1706. A primeira experi\u00eancia romana foi um rotundo fracasso, o que causou grande sofrimento na fundadora. Passados seis anos, nova tentativa, desta vez perto do Capit\u00f3lio, bem no centro de Roma.<\/p>\n<p>No dia 24 de Outubro de 1716, a escola romana recebe a visita do Clemente XI. O Papa ficou uma manh\u00e3 inteira na escola, juntamente com oito cardeais, ouvindo a li\u00e7\u00e3o de catecismo e interrogando as alunas. No final, chamou Rosa e as suas companheiras, agradeceu-lhes o precioso trabalho, conferiu-lhes uma medalha de prata e disse: \u201cSignora Rosa, est\u00e1 a fazer aquilo que n\u00f3s n\u00e3o somos capazes de fazer. Agrade\u00e7o-lhe muito, porque, com estas escolas, santificar\u00e1 Roma\u201d.<\/p>\n<p>A obra recebia o reconhecimento m\u00e1ximo e podia assim espalhar-se por toda a It\u00e1lia. Quando morreu, no dia 7 de Maio de 1728, tinha a funcionar mais de quarenta escolas.<\/p>\n<p>Actualmente, tendo por lema \u201ceducar para salvar\u201d, as Irm\u00e3s Mestras Pias Venerini est\u00e3o em It\u00e1lia, \u00cdndia, Brasil, Camar\u00f5es, Rom\u00e9nia, Alb\u00e2nia, Chile Venezuela e Nig\u00e9ria.<\/p>\n<p>J.P.F.<\/p>\n<p>As datas de Rosa Venerini<\/p>\n<p>1656 \u2013 Nasce em Viterbo (It\u00e1lia), no dia 9 de Fevereiro<\/p>\n<p>1676 \u2013 Frequenta o Mosteiro de Santa Catarina<\/p>\n<p>1685 \u2013 Abre uma escola para jovens, a primeira escola p\u00fablica feminina em It\u00e1lia<\/p>\n<p>1713 \u2013 Abre uma escola em Roma<\/p>\n<p>1714 \u2013 Publica o livro \u201cRelazione degli Esercizi que si pratticano in Viterbo nelle Scuole destinate per istruire le Fanciulle nella Dottrina Cristiana\u201d, para obter das autoridades eclesi\u00e1sticas a aprova\u00e7\u00e3o do seu m\u00e9todo educativo<\/p>\n<p>1728 \u2013 Morre em Roma, no dia 7 de Maio<\/p>\n<p>1952 \u2013 Beatifica\u00e7\u00e3o de Rosa Venerini<\/p>\n<p>2006 \u2013 Bento XVI proclama-a santa no dia 15 de Outubro<\/p>\n<p>Preocupava-se com a forma\u00e7\u00e3o completa das jovens<\/p>\n<p>Santa Rosa Venerini \u00e9 outro exemplo de disc\u00edpula fiel de Cristo, pronta a abandonar tudo para cumprir a vontade de Deus. Gostava de repetir: \u201cEstou presa a tal ponto na vontade divina, que n\u00e3o me importa nem morte, nem vida: desejo viver o que Ele quer, e desejo servi-lo em tudo o que lhe apraz, e nada mais\u201d. Deste seu abandono a Deus brotava a actividade clarividente que desempenhava com coragem a favor da eleva\u00e7\u00e3o espiritual e da aut\u00eantica emancipa\u00e7\u00e3o das jovens mulheres do seu tempo. Santa Rosa n\u00e3o se contentava em dar \u00e0s jovens uma adequada instru\u00e7\u00e3o, mas preocupava-se em lhes garantir uma forma\u00e7\u00e3o completa, com s\u00f3lidas refer\u00eancias ao ensinamento doutrinal da Igreja. O seu mesmo estilo apost\u00f3lico continua a caracterizar ainda hoje a vida da Congrega\u00e7\u00e3o das Mestras Pias Venerini, por ela fundada. E como \u00e9 actual e importante tamb\u00e9m para a sociedade de hoje o servi\u00e7o que elas desempenham no campo da escola e sobretudo da forma\u00e7\u00e3o da mulher!<\/p>\n<p>Bento XVI, na homilia da canoniza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O meu desejo \u00e9 libertar as jovens da ignor\u00e2ncia e do mal para que Deus seja vis\u00edvel em cada pessoa.<\/p>\n<p>Rosa Venerini<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quis ser monja, mas por ter de tomar conta do irm\u00e3o mais novo, provocou uma revolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o italiana: criou as primeiras escolas p\u00fablicas para raparigas. Rosa Venerini nasceu no dia 9 de Fevereiro de 1656, em Viterbo, cidade no centro de It\u00e1lia, onde est\u00e1 sepultado Jo\u00e3o XXI, o Papa portugu\u00eas. Terceira de quatro irm\u00e3os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-22903","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-santos-de-bento-xvi"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22903","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22903"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22903\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22903"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22903"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22903"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}