{"id":22904,"date":"2011-05-11T10:30:00","date_gmt":"2011-05-11T10:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22904"},"modified":"2011-05-11T10:30:00","modified_gmt":"2011-05-11T10:30:00","slug":"joana-a-louca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/joana-a-louca\/","title":{"rendered":"Joana&#8230; a louca"},"content":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 79 <!--more--> Na hist\u00f3ria do mundo e da Igreja, aparecem muitas Joanas, todas muito especiais e cada qual com o seu ar de santo e de louco, pelo menos nos conceitos de ju\u00edzo dos homens. Vamos considerar algumas delas e veremos como a hist\u00f3ria de Deus na vida dos homens passa pela loucura que trouxe Deus \u00e0 terra para se fazer homem, morto numa cruz, por amor, e ressuscitado da morte.<\/p>\n<p>Nos finais do s\u00e9culo XV, os reis cat\u00f3licos de Espanha tiveram uma filha a quem deram o nome de Joana. A hist\u00f3ria e a lenda nem sempre coincidem, mas, casada com Filipe de Flandres, esta mulher foi encerrada por seu filho num castelo de Tordesilhas, vivendo at\u00e9 os 87 anos em amor e ci\u00fames pelo seu marido que nunca lhe fora fiel. Louca de amor por um homem que era de muitas, Joana \u00e9 na Espanha um \u00edcone de dedica\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica que concorre com os Amantes de Teruel, que teriam inspirado Shakespeare no famoso \u201cRomeu e Julieta\u201d. Vale a pena ir a Teruel contemplar, na catedral, a hist\u00f3ria ver\u00eddica deste caso de amor louco que povoa os sonhos de casais apaixonados em todo o mundo. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em 1491, perto de Madrid, surge outra Joana, chamada de Joana da Cruz, que, n\u00e3o aceitando casar-se com o jovem que lhe fora preparado por seus pais, foge e refugia-se num beat\u00e9rio, algo muito usual na \u00e9poca em toda a Europa (como as famosas beguinas da B\u00e9lgica, Holanda e Alemanha) e a\u00ed acaba fundando um mosteiro a partir do qual, embora tal nunca se tivesse registado na \u00e9poca, faz-se pregadora da palavra, at\u00e9 para cardeais e reis, e p\u00e1roco de Cubas de la Sagra, recebendo os benef\u00edcios paroquiais e tratando das almas com a ajuda do capel\u00e3o da par\u00f3quia, pois o p\u00e1roco era ela. Uma mulher pregadora e p\u00e1roco, nesta \u00e9poca, sabia a loucura. A persegui\u00e7\u00e3o aconteceu mas ela manteve-se firme no seu posto, como \u00e9 pr\u00f3prio dos loucos. O povo chama-a santa. A Igreja considera-a vener\u00e1vel. O seu t\u00famulo \u00e9 lugar de peregrina\u00e7\u00e3o. E chamam a Cubas, por v\u00e1rios motivos  \u201ca Lourdes de Espanha\u201d, bem ali ao lado de Madrid. <\/p>\n<p>Em 1412, uma outra Joana apareceu na Fran\u00e7a e foi mulher-soldado, coisa de loucos para uma Idade M\u00e9dia que colocava a mulher somente na situa\u00e7\u00e3o de freira ou mulher que d\u00e1 filhos ao marido, o qual, normalmente, n\u00e3o a amava. Joana D\u2019Arc dispensa apresenta\u00e7\u00f5es no seu papel  na Guerra dos Cem Anos. A sua morte na fogueira foi decretada pela igreja, influenciada por pol\u00edticos corruptos. A sua imagem precisou de 500 anos para ser reabilitada na Igreja e no mundo, pois o que se disse dela nesses anos foi que era louca e bruxa. S\u00f3 em 1909, com a beatifica\u00e7\u00e3o, Joana come\u00e7ou a ser considerada como daqueles loucos que mudam a hist\u00f3ria ao se deixarem mover pelo bra\u00e7o de Deus. E passou a ser padroeira da Fran\u00e7a em 1922.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em Fran\u00e7a, no s\u00e9c. XIX, outra Joana, Joana Jugan, negando o matrim\u00f3nio com um pretendente que a amava, dedica-se aos pobres e funda uma comunidade com a ajuda de um sacerdote. Qual Teresa de Calcut\u00e1, outra louca, visto que h\u00e1 muitas com o nome de Teresa, Joana foi reconhecida pela sociedade e premiada com algumas condecora\u00e7\u00f5es que ela usava para os seus pobres. O gesto atraiu a inveja do sacerdote que a havia auxiliado. Este submeteu-a a toda a classe de humilha\u00e7\u00f5es, obrigando-a a numa vida escondida e esquecida at\u00e9 sua morte. Joana foi reabilitada na mem\u00f3ria quando as queixas de muitos fi\u00e9is chegaram ao Vaticano e o tal padre foi retirado da ordem. Jo\u00e3o Paulo II beatificou-a em 1982.<\/p>\n<p>Em 1641, uma outra Joana, a de Chantal, colaboradora de S. Francisco de Sales, depois de um casamento, de quatro filhos e de uma viuvez aos 28 anos, fundou a Ordem da Visita\u00e7\u00e3o, tendo ela mesma abra\u00e7ado a vida religiosa quando os filhos j\u00e1 estavam crescidos. Dizem que quando quis entrar no mosteiro um dos filhos se deitou no ch\u00e3o e disse que s\u00f3 ali entraria se passasse por cima dele, o que ela fez sem hesitar. Coisa de loucos, ou lenda, para mostrar como os loucos de Deus deixam tudo para O servir s\u00f3 \u00e0 Ele.<\/p>\n<p>E finalmente, em Aveiro, no Mosteiro de Jesus, nascida em 1452, regente de um trono real, pretendida por promissoras coroas e cortes luxuosas, temos a nossa Joana, que \u00e9 a santa que nunca passou de beata e que ter\u00e1 feito de Aveiro o seu local preferido para se recolher no amor de toda a sua vida. Os historiadores dividem-se em afirma\u00e7\u00f5es e conjecturas, mas seja como for que tenha sido a nossa Joana Princesa, teve as suas virtudes reconhecidas pela Igreja. Era amada pelas gentes de Aveiro, foi louca de amor pelos pobres e por Deus, sob a inspira\u00e7\u00e3o de S. Domingos. Precisa de ser reabilitada na Diocese, pois o nosso povo n\u00e3o a venera o suficiente. A maioria nunca visitou o seu t\u00famulo, uma obra de arte tumular das mais belas do mundo. Joana, que na Gl\u00f3ria s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 o nome da par\u00f3quia onde repousa, intercede por n\u00f3s, gentes de Aveiro. E gostaria de ser aclamada santa, quem sabe numa canoniza\u00e7\u00e3o em 2013, ano jubilar diocesano. Por minha parte vou l\u00e1 v\u00ea-la muitas vezes, sobretudo em duas manh\u00e3s para mim sagradas: a de Quinta-Feira Santa, onde lhe entrego o nosso presbit\u00e9rio com o Sr. Bispo e Bispos, e no dia 12 de Maio, onde me deixo envolver pelo perfume das rosas enquanto a Missa se celebra na S\u00e9.<\/p>\n<p>Que ela, com suas colegas de loucura, nos ajudem a sermos loucos de amor tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>P.e Vitor Espadilha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Po\u00e7o de Jacob &#8211; 79<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-22904","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22904","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22904"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22904\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22904"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22904"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22904"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}