{"id":22908,"date":"2011-05-11T10:35:00","date_gmt":"2011-05-11T10:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22908"},"modified":"2011-05-11T10:35:00","modified_gmt":"2011-05-11T10:35:00","slug":"crise-economica-e-outras-crises","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/crise-economica-e-outras-crises\/","title":{"rendered":"Crise econ\u00f3mica e outras crises"},"content":{"rendered":"<p>Certamente que da troika n\u00e3o se esperavam reflex\u00f5es ou orienta\u00e7\u00f5es para al\u00e9m do que se refere \u00e0 crise econ\u00f3mica e financeira que lhes dizia respeito. Por\u00e9m, a crise mais conhecida e que toca mais visivelmente a todos, se, como se diz, exige restri\u00e7\u00f5es e medidas que permitam pagar as d\u00edvidas e, depois, um maior crescimento, investimento, concorr\u00eancia, alargamento das exporta\u00e7\u00f5es e, por a\u00ed adiante, parece urgente dizer que a crise que nos toca a todos n\u00e3o envolve apenas milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>Aceitemos que a situa\u00e7\u00e3o penosa e cr\u00edtica, alargada \u00e0 Europa e a outros pa\u00edses long\u00ednquos, teve tamb\u00e9m influ\u00eancia no que se passou e se passa no nosso pa\u00eds. Mas, ainda neste caso, quais as causas reais que nos levaram a uma tal situa\u00e7\u00e3o? O dinheiro, s\u00f3 por si, n\u00e3o provoca crises. Quem as provoca s\u00e3o os homens e mulheres que mandam, segundo os princ\u00edpios e valores que comandam as suas vidas e determinam as suas op\u00e7\u00f5es; segundo a sua vis\u00e3o da economia e do servi\u00e7o ao bem de todos; segundo a import\u00e2ncia que se d\u00e1 \u00e0s pessoas e aos seus direitos fundamentais; segundo o conceito que se tem de economia social e de Estado Social; segundo o modo como se faz o jogo democr\u00e1tico ou se \u00e9 dono e senhor, que a ningu\u00e9m tem de dar contas. Mas, tamb\u00e9m, outras institui\u00e7\u00f5es e dinamismos sociais, segundo a educa\u00e7\u00e3o que promovem a um povo que se deixa aliciar pelos bancos que tudo facilitam e nada perdoam e pela publicidade aguerrida que n\u00e3o permite respirar e, de modo inclemente, empurra para um consumismo descontrolado e asfixiante; e segundo a consci\u00eancia de que todos podem atirar o pa\u00eds ao charco, por ac\u00e7\u00f5es e omiss\u00f5es graves\u2026 Ora, de tudo isto se verificou e verifica entre n\u00f3s, com influ\u00eancia na crise que atinge o pa\u00eds, mas n\u00e3o foi causada do mesmo modo por todos.<\/p>\n<p>A vida em sociedade n\u00e3o se compadece com ego\u00edsmos de qualquer ordem, n\u00e3o se ordena \u00e0 base da batuta de um qualquer g\u00e9nio ou que julga s\u00ea-lo, n\u00e3o progride sem o respeito por todos e o leg\u00edtimo aproveitamento dos mais diversos contributos, tanto dos cidad\u00e3os individuais, como das institui\u00e7\u00f5es da sociedade civil. As ditaduras, claras ou disfar\u00e7adas, faliram e, se teimam em ressuscitar, a sua vida ser\u00e1 sempre ef\u00e9mera O socialismo democr\u00e1tico, que jurou tornar o estado provid\u00eancia em verdadeiro estado social, com projectos incomport\u00e1veis, entrou em derrapagem na Europa e j\u00e1 sofre de convuls\u00f5es de morte. As pessoas normais, s\u00e1bias, sensatas, com um esclarecido sentido de responsabilidade e de cidadania, s\u00e3o, como sempre foram, determinantes na ordena\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e reconcilia\u00e7\u00e3o das sociedades.<\/p>\n<p>De h\u00e1 muito, por todo o lado, a pretexto de progresso cultural, as pessoas sacudiram valores e normas morais e \u00e9ticas. Deus e os deuses tornaram-se inc\u00f3modos, as refer\u00eancias comportamentais desnecess\u00e1rias. A inseguran\u00e7a pessoal e social instalou-se por todo o lado, os \u00eddolos ocos multiplicaram-se, abafaram-se os medos para dar lugar e emoldurar mitos e preconceitos. A sociedade foi perdendo a coes\u00e3o e as pessoas, o sentido da vida e da solidariedade di\u00e1ria, bem como os horizontes estimulantes para agirem de modo respons\u00e1vel e solid\u00e1rio. Solu\u00e7\u00f5es imediatas, interesses pessoais e ideol\u00f3gicos, \u00eaxito sem esfor\u00e7o, agir irrespons\u00e1vel, individualismo doentio, valores econ\u00f3micos e dinheiro, acima de tudo e de todos, fobia de inimigos a cada canto, tudo tem a ver com a crise, as suas causas e a capacidade de a superar. Uma sociedade sem cultura e sem moral e com dirigentes do mesmo tom, entra em crise e instala-se na crise, gerando novas crises. Onde as pessoas n\u00e3o contam como pessoas, tudo o resto conta a mais e vale a menos.<\/p>\n<p>O problema da sociedade actual, como tanto se tem dito, n\u00e3o \u00e9 apenas econ\u00f3mico: \u00e9 cultural, moral e \u00e9tico. Aqui se devem procurar as causas e apreciar os efeitos \u00e0 vista. A comunidade humana sem dimens\u00e3o religiosa e sem respeitar e promover a fam\u00edlia, c\u00e9lula fundamental de uma sociedade forte e consistente, torna-se irrespir\u00e1vel e perigosa. A troika p\u00f4de verificar as falhas e incoer\u00eancias da administra\u00e7\u00e3o com influ\u00eancia na crise financeira do pa\u00eds. N\u00e3o lhe faltaram dados para um ju\u00edzo cr\u00edtico sobre n\u00f3s e as nossas capacidades. Mas ela n\u00e3o \u00e9 uma inst\u00e2ncia de reflex\u00e3o moral, nem um grupo de bons conselheiros. O seu horizonte imediato era de dinheiro mal gasto, de despesas desnecess\u00e1rias, de gastos em coisas secund\u00e1rias e proteccionismos, de vis\u00e3o errada sobre crescimento e progresso, de falta de clareza nas prioridades sociais\u2026 N\u00e3o veio fazer caridade. Por isso, deu orienta\u00e7\u00f5es exigentes que s\u00e3o ordens a respeitar. Tamb\u00e9m aqui, onde est\u00e1 o dinheiro, est\u00e1 o poder de exigir <\/p>\n<p>Aos respons\u00e1veis de toda a ordem, cabe uma tarefa que vai para al\u00e9m da crise e das crises, e que implica a promo\u00e7\u00e3o de uma educa\u00e7\u00e3o de valores, objectiva, alargada e consequente. O povo n\u00e3o lhes desculpar\u00e1 as omiss\u00f5es, nem a fuga para desvios sem horizontes de bem comum, nem os sil\u00eancios comprometedores, nem muito menos o fixarem-se em si, virando-lhe costas, por desprezo ou desrespeito. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certamente que da troika n\u00e3o se esperavam reflex\u00f5es ou orienta\u00e7\u00f5es para al\u00e9m do que se refere \u00e0 crise econ\u00f3mica e financeira que lhes dizia respeito. 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