{"id":22912,"date":"2011-05-18T09:22:00","date_gmt":"2011-05-18T09:22:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22912"},"modified":"2011-05-18T09:22:00","modified_gmt":"2011-05-18T09:22:00","slug":"nao-tenho-visao-catastrofica-nem-da-ciencia-nem-dos-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/nao-tenho-visao-catastrofica-nem-da-ciencia-nem-dos-cientistas\/","title":{"rendered":"N\u00e3o tenho vis\u00e3o catastr\u00f3fica nem da ci\u00eancia nem dos cientistas"},"content":{"rendered":"<p>O m\u00e9dico e professor Daniel Serr\u00e3o, figura destacada no campo da bio\u00e9tica e da defesa dos valores fundamentais da vida humana, participar\u00e1 na pr\u00f3xima sexta-feira, no Semin\u00e1rio de Aveiro, numa conversa sobre como a vida pode ser uma boa not\u00edcia, mesmo na fase terminal de uma doen\u00e7a. Nesta entrevista, explica como por vezes a ci\u00eancia n\u00e3o consegue avan\u00e7ar sem \u201cferidas \u00e9ticas\u201d e reflecte sobre quest\u00f5es da bio\u00e9tica como o uso de embri\u00f5es e a clonagem. Entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira.<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA \u2013 A primeira pergunta \u00e9 precisamente sobre o tema que o leva a Aveiro, na noite de 20 de Maio. A vida \u00e9 uma boa not\u00edcia, mesmo na fase terminal de uma doen\u00e7a?<\/p>\n<p>DANIEL SERR\u00c3O \u2013 \u00c9. Todos vamos morrer um dia de uma doen\u00e7a sem cura. Nem que seja a idade avan\u00e7ada. Ent\u00e3o, o que vale n\u00e3o \u00e9 a morte mas a vida vivida bem at\u00e9 ao instante final. Todos temos a obriga\u00e7\u00e3o de dar vida boa, em especial quando o tempo de viver estiver a esgotar-se, a todos. Com mais empenho aos pobres, aos sem fam\u00edlia, aos que n\u00e3o t\u00eam amigos. Nesta fase, cuidar \u00e9 mais importante do que teimar em curar o que j\u00e1 \u00e9 incur\u00e1vel.<\/p>\n<p>Estamos perante um mundo efervescente de quest\u00f5es da bio\u00e9tica, como clonagem, procria\u00e7\u00e3o m\u00e9dica assistida, experi\u00eancias com c\u00e9lulas estaminais&#8230; H\u00e1 uma nebulosa de problemas. Que reflex\u00e3o lhe provoca?<\/p>\n<p>No fundo, o que est\u00e1 em causa \u00e9 uma expectativa, uma esperan\u00e7a terap\u00eautica. O grande motor de toda esta investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 a convic\u00e7\u00e3o de que ser\u00e1 poss\u00edvel, por este meio, encontrar tratamento para algumas doen\u00e7as entre as mais graves que afligem a humanidade e que n\u00e3o t\u00eam, neste momento, tratamento.<\/p>\n<p>A perspectiva de tratamento \u201cjustifica\u201d algumas falhas \u00e9ticas. Quando foi feita a primeira transplanta\u00e7\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o havia nenhuma garantia ou seguran\u00e7a de que o doente n\u00e3o morresse, como efectivamente morreu ao fim de poucos dias. Mas, como foi feita com o objectivo de salvar vidas, continuaram a fazer-se e hoje a t\u00e9cnica de transplante de cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 estabilizada. Os resultados s\u00e3o bons e as pessoas esqueceram-se do que aconteceu, esqueceram essas ofensas \u00e0 \u00e9tica. Eu costumo chamar a isto \u201cferidas \u00e9ticas\u201d. \u00c0s vezes, as feridas \u00e9ticas n\u00e3o s\u00e3o evit\u00e1veis. Mas espera-se sempre que cicatrizem. Hoje, j\u00e1 ningu\u00e9m faz uma transplanta\u00e7\u00e3o de cora\u00e7\u00e3o sem obter o consentimento do doente e do dador, sem cumprir regras \u00e9ticas que n\u00e3o foram nada cumpridas na primeira transplanta\u00e7\u00e3o que se fez.<\/p>\n<p>H\u00e1 feridas \u00e9ticas quando se fala de experi\u00eancias com c\u00e9lulas estaminais, por exemplo?<\/p>\n<p>Estamos a fazer feridas \u00e9ticas em rela\u00e7\u00e3o ao embri\u00e3o humano, mas se se conseguir, com algumas dessas feridas, dentro de pouco tempo, podermos ter o mesmo resultado sem utilizar embri\u00f5es, a sociedade acaba por aceitar que essas experi\u00eancias abriram o caminho para trabalharmos com c\u00e9lulas estaminais que n\u00e3o sejam de origem embrion\u00e1ria. Mas sem se ter passado por investiga\u00e7\u00e3o com embri\u00f5es, se calhar n\u00e3o se conseguia o que j\u00e1 se consegue com c\u00e9lulas estaminais obtidas em organismos adultos. Hoje j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 necessidade de destruir embri\u00f5es humanos para obter essas c\u00e9lulas com capacidade de serem usadas em tratamentos.<\/p>\n<p>Na fecunda\u00e7\u00e3o \u201cin vitro\u201d, as feridas est\u00e3o ultrapassadas\u2026<\/p>\n<p>Sobre a fecunda\u00e7\u00e3o \u201cin vitro\u201d, o debate come\u00e7ou na Inglaterra h\u00e1 30 anos e est\u00e1 feito. Felizmente, nesta fase, as tais feridas \u00e9ticas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias como talvez tenham sido no in\u00edcio quando a fertiliza\u00e7\u00e3o come\u00e7ou. Hoje sabemos que \u00e9 poss\u00edvel obter bons resultados da fecunda\u00e7\u00e3o \u201cin vitro\u201d, ou medicamente assistida, sem necessidade de criar embri\u00f5es excedent\u00e1rios e, portanto, sem necessidade de utilizar dadores, porque, na maior parte dos casos de espermatoz\u00f3ides fracos, consegue-se corrigir com a injec\u00e7\u00e3o intra-ovocit\u00e1ria ou intra-citoplasm\u00e1tica do espermatoz\u00f3ide. J\u00e1 se, realmente, h\u00e1 uma aus\u00eancia completa de espermatoz\u00f3ide, isso n\u00e3o tem pura e simplesmente cura. Um casal em que um dos progenitores, a mulher ou o homem, n\u00e3o tem g\u00e2metas, n\u00e3o tem ov\u00f3citos ou n\u00e3o tem espermatoz\u00f3ide, \u00e9 absolutamente inf\u00e9rtil. N\u00e3o h\u00e1 procria\u00e7\u00e3o medicamente assistida que lhe possa dar um filho. A n\u00e3o ser que utilizemos uma coisa n\u00e3o \u00e9tica que \u00e9 introduzir no casal g\u00e2metas de outra pessoa qualquer. H\u00e1 quem fa\u00e7a isso.<\/p>\n<p>Essa introdu\u00e7\u00e3o de patrim\u00f3nio gen\u00e9tico exterior ao casal j\u00e1 \u00e9 reprov\u00e1vel\u2026<\/p>\n<p>Quando um casal se defronta com uma situa\u00e7\u00e3o de infertilidade total, muitos casais n\u00e3o aceitam essa t\u00e9cnica. Dizem que n\u00e3o querem. Nessa altura, adoptam uma crian\u00e7a, ou tentam satisfazer os seus desejos de paternidade de outra forma, mas n\u00e3o atrav\u00e9s daquilo a que eu tenho chamado de \u201cadult\u00e9rio m\u00e9dico\u201d consentido. Mesmo que uma maioria no parlamento aprovasse, como aprovou, isso continuaria a ser eticamente inaceit\u00e1vel. Poderia ser legal, mas n\u00e3o \u00e9 leg\u00edtimo que se contamine a realidade de um casal progenitor com g\u00e2metas alheios ao casal.<\/p>\n<p>Est\u00e1 ultrapassada a quest\u00e3o do congelamento de embri\u00f5es humanos em grande n\u00famero?<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de vinte anos que na Alemanha, \u00c1ustria, Su\u00ed\u00e7a, Canad\u00e1 ou Estados Unidos \u00e9 feita a procria\u00e7\u00e3o medicamente assistida, com a mesma efic\u00e1cia sem ter embri\u00f5es em excesso e sem ter que sacrificar a mulher, que n\u00e3o vai ter de fazer mais estimula\u00e7\u00f5es, ao contr\u00e1rio do que \u00e0s vezes se diz. Os embri\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o criados; \u00e9 mantida congelada uma estrutura que ainda n\u00e3o \u00e9 o embri\u00e3o. Nem sequer \u00e9 um zigoto. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 um novo genoma. <\/p>\n<p>Se n\u00e3o h\u00e1 um novo genoma, n\u00e3o h\u00e1 um novo indiv\u00edduo. Quando porventura a primeira tentativa n\u00e3o resultar, essas estruturas congeladas s\u00e3o deixadas aquecer para passarem a ser embri\u00f5es e ent\u00e3o s\u00e3o introduzidas no \u00fatero da mulher. N\u00e3o h\u00e1 congela\u00e7\u00e3o de embri\u00f5es, nem h\u00e1 embri\u00f5es excedent\u00e1rios. E, como digo, o rendimento do processo \u00e9 id\u00eantico.<\/p>\n<p>Vivemos um tempo de esperan\u00e7as ou de amea\u00e7as?<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sou pessimista. Vivemos de facto um tempo de esperan\u00e7a. A procria\u00e7\u00e3o \u201cin vitro\u201d quando come\u00e7ou tamb\u00e9m foi muito atacada e hoje j\u00e1 s\u00e3o provavelmente milh\u00f5es de crian\u00e7as que nasceram por esse processo e que deram muita felicidade e muita alegria a casais que de outra forma n\u00e3o poderiam ter filhos. Deram at\u00e9 estabilidade a esses matrim\u00f3nios. \u00c9 uma prova de amor. Um casal que se sujeita aos trabalhos, que s\u00e3o bem pesados e penosos, para fazer uma procria\u00e7\u00e3o assistida, com uma interven\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e laboratorial, esse casal deve ter muito amor entre si e muita vontade de que esse amor se prolongue nos filhos. N\u00e3o vejo aqui uma postura ego\u00edsta, mas uma postura \u00e9tica que deve ser respeitada e valorizada. Mas sem que haja sacrif\u00edcio de embri\u00f5es nem a intromiss\u00e3o, neste casal que se ama, de um g\u00e2meta que vem de fora. Isso j\u00e1 \u00e9 inaceit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Em algum caso poder\u00e1 haver a participa\u00e7\u00e3o de terceiros na gera\u00e7\u00e3o do filho de um casal?<\/p>\n<p>Sim, imagine que a mulher casou e depois teve um acidente de via\u00e7\u00e3o e foi preciso tirar-lhe o \u00fatero. Ficou com ov\u00e1rios, mas ficou sem \u00fatero. Ela pode ter um filho, com os seus ov\u00e1rios, os seus ov\u00f3citos, mas n\u00e3o pode cri\u00e1-lo porque n\u00e3o tem \u00fatero. O seu pr\u00f3prio matrim\u00f3nio poder\u00e1 ter dificuldades em sobreviver. Se uma pessoa da fam\u00edlia dela, ou uma pessoa muito amiga, quiser fazer esse imenso trabalho que \u00e9, durante nove meses ter em si uma crian\u00e7a que vai  nascer e ser entregue \u00e0 m\u00e3e biol\u00f3gica e gen\u00e9tica, se o faz por amor, n\u00e3o por neg\u00f3cio, aqui at\u00e9 h\u00e1 algum valor \u00e9tico que deve ser ponderado caso a caso. Mas nunca fazer uma lei a dizer que \u00e9 permitido usar \u00fateros de aluguer. Numa lei, \u00e9 uma estupidez completa.<\/p>\n<p>Ainda em rela\u00e7\u00e3o aos embri\u00f5es congelados, concorda com o seu uso para fins de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica?<\/p>\n<p>\u00c9 outra coisa que n\u00e3o posso aceitar, porque s\u00e3o seres vivos da esp\u00e9cie humana, que n\u00e3o podemos tratar como se fossem coisas. Por\u00e9m, mesmo que uma lei venha a proibir terminantemente que se continuem a criar embri\u00f5es excedent\u00e1rios, temos o problema daqueles que j\u00e1 existem. O que fazer? Deixamo-los morrer de velhos? Ao fim de dez anos, na pr\u00e1tica, est\u00e3o todos mortos, mesmo estando congelados. Ou vamos utiliz\u00e1-los na investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que pode ser ben\u00e9fica para a humanidade? \u00c9 um problema \u00e9tico complicado. Mas \u00e9 mais \u00e9tico us\u00e1-los para investiga\u00e7\u00e3o, do que pura e simplesmente deit\u00e1-los fora. Salv\u00e1-los \u00e9 que os m\u00e9dicos j\u00e1 n\u00e3o podem. O erro grave est\u00e1 em t\u00ea-los criado. Depois us\u00e1-los para investiga\u00e7\u00e3o, para alguns at\u00e9 \u00e9 melhor do que deit\u00e1-los fora. Em Fran\u00e7a, durante cinco anos, os investigadores est\u00e3o autorizados a apresentar projectos de investiga\u00e7\u00e3o e podem ser autorizados, caso a caso, a utilizar esses embri\u00f5es excedent\u00e1rios. Durante cinco anos. Ao fim de cinco anos, mesmo que sobrem alguns, j\u00e1 n\u00e3o podem mais ser usados. \u00c9 uma morat\u00f3ria, como se diz.<\/p>\n<p>Relacionada com a quest\u00e3o dos embri\u00f5es, temos a clonagem\u2026<\/p>\n<p>A minha posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 clonagem vai ao arrepio da maior parte das posturas. Foi um erro terem chamado embri\u00e3o a um produto t\u00e9cnico e laboratorial que resulta de uma c\u00e9lula do corpo humano como a da pele, que \u00e9 manipulada para se dividir como se fosse um embri\u00e3o. A partir do momento em que chamaram embri\u00e3o, depositaram em toda essa estrutura, todo o respeito que devemos ao embri\u00e3o verdadeiro, que \u00e9 aquele que resulta de um projecto parental de um homem e de uma mulher, com a conjuga\u00e7\u00e3o dos g\u00e2metas \u2013 espermatoz\u00f3ides e ov\u00f3citos. Esse tem a maior dignidade. \u00c9 um novo ser humano. Merece o maior respeito. Agora o produto t\u00e9cnico de manipula\u00e7\u00e3o das minhas c\u00e9lulas, metido no \u00fatero das f\u00eameas, at\u00e9 deu origem a um corpo igual \u2013 mas nunca se demonstrou que isso fosse poss\u00edvel no homem \u2013 n\u00e3o lhe vamos chamar embri\u00e3o. Neste momento podemos dizer que esse produto n\u00e3o fez prova de ser embri\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 embri\u00e3o, porque n\u00e3o resulta da conjuga\u00e7\u00e3o de g\u00e2metas, no quadro de um projecto de parentalidade de uma mulher e um homem. Para mim, utilizar esta estrutura, que n\u00e3o \u00e9 embri\u00e3o, repito, para tirar c\u00e9lulas estaminais, n\u00e3o tem problema nenhum. Mas aqueles que lhe chamam embri\u00e3o atribuem-lhe os mesmos n\u00edveis de protec\u00e7\u00e3o que tem um embri\u00e3o verdadeiro. Est\u00e3o a dar ao falso embri\u00e3o a mesma protec\u00e7\u00e3o que deviam dar ao embri\u00e3o verdadeiro, enfraquecendo a protec\u00e7\u00e3o do embri\u00e3o verdadeiro. A mim, n\u00e3o me causa problema \u00e9tico nenhum \u2013 mas n\u00e3o \u00e9 um assunto pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Concorda com o congelamento do cord\u00e3o umbilical a quando do nascimento de uma crian\u00e7a?<\/p>\n<p>H\u00e1 dois elementos. Primeiro, a indefini\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Ningu\u00e9m provou que aquelas c\u00e9lulas, passados 10, 15 ou 20 anos, estejam capazes de substituir as c\u00e9lulas da medula \u00f3ssea ou originar c\u00e9lulas estaminais. N\u00e3o est\u00e1 provado. Portanto, \u00e9 uma aposta. Tem este elemento de indefini\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tem outro mais grave que \u00e9 o da chantagem em rela\u00e7\u00e3o aos pais: \u201cVoc\u00eas n\u00e3o querem conservar as c\u00e9lulas dos vossos filhos acabados de nascer? E se ele daqui a sete anos tiver uma leucemia?\u201d \u00c9 uma roleta, como quem joga a lotaria. Eu n\u00e3o jogo.<\/p>\n<p>A maior vantagem seria que as c\u00e9lulas servissem n\u00e3o s\u00f3 para uma leucemia, um sarcoma da juventude, mas para uma mulher que tivesse um cancro da mama aos 45 anos, que vai ter de fazer uma quimioterapia, precisa de substituir as c\u00e9lulas da medula. Agora, aquelas c\u00e9lulas congeladas estar\u00e3o eficazes ap\u00f3s 45 anos? Ningu\u00e9m sabe. Penso que h\u00e1 ali algum abuso.<\/p>\n<p>A melhor solu\u00e7\u00e3o foi a cria\u00e7\u00e3o de um banco p\u00fablico do cord\u00e3o, o Lusocord, que est\u00e1 funcionar muito bem e que conserva as c\u00e9lulas para serem usadas pelo pr\u00f3prio, se vier a precisar, ou por outras pessoas para as quais possam ser compat\u00edveis.<\/p>\n<p>Para onde vamos na investiga\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica m\u00e9dica nestas quest\u00f5es sens\u00edveis?<\/p>\n<p>Sou homem de f\u00e9, esperan\u00e7a e de amor, \u201ccaritas\u201d. E \u00e9 exactamente por isso que acho que tudo o que de bom vai aparecendo no mundo \u00e9 para felicidade dos seres humanos. N\u00e3o tenho nenhuma vis\u00e3o catastr\u00f3fica nem da ci\u00eancia nem dos cientistas. O cientista tem tanta responsabilidade de cidad\u00e3o como eu. Ele n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 parte da cidade. E como tal tem a mesma responsabilidade. H\u00e1 sempre uns loucos. Tamb\u00e9m h\u00e1 um juiz que pode ser louco, um militar que pode desatar aos tiros, um pol\u00edcia&#8230; E no entanto esperamos do juiz, do militar e do pol\u00edcia que procedam bem. O cientista, a maior parte das vezes, procede bem. E tem o nobre objectivo de melhorar a condi\u00e7\u00e3o humana. Isso \u00e9 o fundamental da bio\u00e9tica: fazer com que cada cidad\u00e3o seja melhor e com que a condi\u00e7\u00e3o humana em geral melhore. E para melhorar, exige-se muito conhecimento e muita investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O m\u00e9dico e professor Daniel Serr\u00e3o, figura destacada no campo da bio\u00e9tica e da defesa dos valores fundamentais da vida humana, participar\u00e1 na pr\u00f3xima sexta-feira, no Semin\u00e1rio de Aveiro, numa conversa sobre como a vida pode ser uma boa not\u00edcia, mesmo na fase terminal de uma doen\u00e7a. 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