{"id":22975,"date":"2011-05-18T10:05:00","date_gmt":"2011-05-18T10:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22975"},"modified":"2011-05-18T10:05:00","modified_gmt":"2011-05-18T10:05:00","slug":"a-pedra-e-o-caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/a-pedra-e-o-caminho\/","title":{"rendered":"A Pedra e o Caminho"},"content":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu <!--more--> Lembra o t\u00edtulo de uma f\u00e1bula antiga. E bem que parece uma f\u00e1bula, toda esta hist\u00f3ria t\u00e3o estranha de um Jesus homem e partilhando da \u00abgl\u00f3ria de Deus\u00bb; morto e vencedor da morte; abandonado pelos disc\u00edpulos e por estes adorado; esquecido e repudiado por milh\u00f5es e por outros milh\u00f5es amado; pedra s\u00f3lida para construir a casa que resiste \u00e0s maiores tempestades e pedra abandonada que atrapalha o caminhante. Caminho e trope\u00e7o.<\/p>\n<p>As tr\u00eas leituras de hoje abordam conceitos riqu\u00edssimos, como o de \u00abora\u00e7\u00e3o\u00bb (1.\u00aa leitura), \u00abpedras vivas\u00bb (2.\u00aa leitura), e Jesus como \u00abcaminho, verdade e vida\u00bb (Evangelho). <\/p>\n<p>A \u201cfilosofia crist\u00e3\u201d, logo desde o in\u00edcio, desenvolveu imensas especula\u00e7\u00f5es \u00e0 volta destes conceitos extremamente densos, como se pode verificar notoriamente no movimento gn\u00f3stico (para o qual s\u00f3 alguns iluminados \u00e9 que podem ter o conhecimento da verdade e do mundo divino). <\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de v\u00e1rios especialistas, \u00abcaminho, verdade e vida\u00bb teria o seguinte sentido: s\u00f3 h\u00e1 um modo de acesso ao Pai, um \u00fanico verdadeiro caminho, que conduz \u00e0 vida. O evangelho de Jo\u00e3o identifica Jesus com este caminho e da\u00ed a sua misteriosa uni\u00e3o com o Pai. Jesus \u00e9 apresentado como o momento alto da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a uni\u00e3o dos Homens com Deus.<\/p>\n<p>O conceito hebraico de \u00abverdade\u00bb n\u00e3o \u00e9 o tradicional \u201cdizer as coisas tal como elas s\u00e3o\u201d ou a \u201cmanifesta\u00e7\u00e3o da realidade do que \u00e9 existente\u201d (o que n\u00e3o se pode aplicar \u00e0 realidade divina, imposs\u00edvel de conhecer adequadamente, mesmo do ponto de vista religioso). O conceito hebraico est\u00e1 mais pr\u00f3ximo do de \u00abrectid\u00e3o\u00bb e \u00abjusti\u00e7a\u00bb, e ainda de fiabilidade, firmeza, realidade, aus\u00eancia de d\u00favida \u2013 conceitos que se aplicam a Jesus como \u00abcaminho\u00bb. O \u00abEsp\u00edrito da Verdade\u00bb (o Esp\u00edrito Santo) \u00e9 que nos leva a discernir a rectid\u00e3o, a justi\u00e7a e o valor de Jesus.\t<\/p>\n<p>No Cristianismo primitivo, como nas religi\u00f5es antigas, \u00abvida\u00bb significa \u00absalva\u00e7\u00e3o\u00bb. Os conceitos de morte e vida, no Novo Testamento, ultrapassam muito o seu sentido comum. \u00abUltrapassar a morte\u00bb n\u00e3o significa imortalidade. Jesus n\u00e3o veio salvar-nos da morte f\u00edsica nem tornar-nos imortais, pois n\u00e3o \u00e9 o fen\u00f3meno da morte que est\u00e1 em jogo: Jesus veio revelar-nos a Vida verdadeira, que est\u00e1 para al\u00e9m do nosso entendimento, mas de que nos foi dado um vislumbre. \u00abUltrapassar a morte\u00bb significa estar perto de Deus, estar com a Vida. Jesus facilitou o acesso a esta Vida, apresentando-se como caminho. A Vida em que Jesus viveu e vive para sempre, porque \u00abeu estou no Pai e o Pai est\u00e1 em mim\u00bb. A morte faz parte da vida que conhecemos, mas somos chamados para uma Vida onde a morte est\u00e1 fora de quest\u00e3o.<\/p>\n<p>A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a express\u00e3o sens\u00edvel do fundamento de todas as religi\u00f5es: a liga\u00e7\u00e3o com o divino. \u00c9 um encontro com Deus, cujo amor nos fortalece na alegria e na tristeza. Jesus ensinou-nos a orar com a maior simplicidade poss\u00edvel, sem querermos dar nas vistas, falando dos nossos problemas e das nossas responsabilidades comunit\u00e1rias. Se n\u00e3o nos preocupamos com o bem comum, tamb\u00e9m Deus n\u00e3o nos reconhece como seus filhos. A ora\u00e7\u00e3o mais arrebatada tem que dar os seus frutos para bem da comunidade.<\/p>\n<p>Pela ora\u00e7\u00e3o, reconhecemos que a pedra rejeitada por muitos \u201cempreiteiros\u201d era afinal a que tinha mais valor (2.\u00aa leitura). Jesus referiu este prov\u00e9rbio ao falar dos \u00abvinhateiros homicidas\u00bb, que mataram o filho do dono da vinha, com a gan\u00e2ncia de se apoderarem de toda a heran\u00e7a (Mateus 21,33-44). Como eles, muitos \u201cempreiteiros\u201d do mais alto estatuto social, pol\u00edtico, financeiro ou religioso, s\u00f3 n\u00e3o rejeitam aqueles que se sujeitam a ser pedras de cal\u00e7ada, por cima das quais se pavoneia o cortejo dos perversos ou in\u00fateis. Os que se dedicam \u00e0 Justi\u00e7a e Rectid\u00e3o s\u00e3o facilmente e liminarmente postos de lado, como pedras que n\u00e3o interessam. Mas fazem trope\u00e7ar e at\u00e9 podem esmagar (Mateus 21, 42-44).<\/p>\n<p>Pela ora\u00e7\u00e3o, adquirimos o discernimento para n\u00e3o sermos deste cortejo e nos fortalecermos quer para o tempo de rejei\u00e7\u00e3o, quer para podermos ser pedras s\u00f3lidas da cidade humana onde habite o Esp\u00edrito da Rectid\u00e3o e Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Manuel Alte da Veiga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00c1rvore de Zaqueu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-22975","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22975","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22975"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22975\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22975"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22975"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22975"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}