{"id":22982,"date":"2011-05-25T09:03:00","date_gmt":"2011-05-25T09:03:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/wp1\/?p=22982"},"modified":"2011-05-25T09:03:00","modified_gmt":"2011-05-25T09:03:00","slug":"temos-a-responsabilidade-do-servico-publico-local","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/temos-a-responsabilidade-do-servico-publico-local\/","title":{"rendered":"&#8220;Temos a responsabilidade do servi\u00e7o p\u00fablico local&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>A Terra Nova, prestes a completar 25 anos, assume-se, cada vez mais, como o principal \u00f3rg\u00e3o informativo da regi\u00e3o de Aveiro em termos radiof\u00f3nicos. \u00c0 frente deste projecto comunicacional est\u00e1, desde a primeira hora, o engenheiro Vasco Lagarto, que real\u00e7a que a r\u00e1dio presta servi\u00e7o p\u00fablico local. Entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira.<\/p>\n<p>CORREIO DO VOUGA &#8211; A r\u00e1dio Terra Nova (TN) recebeu no feriado de \u00cdlhavo, que este ano coincidiu com o 25 de Abril, uma medalha \u201cpelos seus 25 anos de trabalho, ao n\u00edvel da comunica\u00e7\u00e3o e promo\u00e7ao do munic\u00edpio de \u00cdlhavo\u201d, mas esta \u00e9 uma r\u00e1dio que se assume cada vez mais como regional\u2026<\/p>\n<p>VASCO LAGARTO &#8211; N\u00f3s de facto consideramos que pertencemos \u00e0 regi\u00e3o de Aveiro. Estamos sedeados no concelho de \u00cdlhavo, somos uma r\u00e1dio local, segundo o que est\u00e1 estipulado legalmente, mas cada vez mais o que acontece extravasa os limites do concelho e procurarmos estar enquadrados com o que vai acontecendo \u00e0 nossa volta.<\/p>\n<p>At\u00e9 onde chega a r\u00e1dio?<\/p>\n<p>A qualquer parte do mundo, atrav\u00e9s da Internet. Mas em termos radiof\u00f3nicos, chega a um raio de cinquenta quil\u00f3metros.<\/p>\n<p>Que balan\u00e7o faz destes 25 anos? Chegou aonde esperava?<\/p>\n<p>Quando inici\u00e1mos um projecto desta natureza, n\u00e3o definimos metas. \u00c9 um projecto, tem sempre algo de novo em cada dia e temos de estar atentos \u00e0quilo que o futuro nos vai mostrando. \u00c9 evidente que ao princ\u00edpio nunca pens\u00e1mos que a TN pudesse ter o impacto que tem hoje, at\u00e9 pelo projecto em si, pela vertente em que nos concentramos, que \u00e9 a componente mais informativa. Temos outras vertentes, mas a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 o que caracteriza a nossa r\u00e1dio. Esse \u00e9 o valor acrescentado que a comunica\u00e7\u00e3o social local pode dar. N\u00e3o s\u00e3o os meios de comunica\u00e7\u00e3o social nacionais que v\u00eam falar do que est\u00e1 a acontecer nos bombeiros daqui e dali ou o que se passa na assembleia municipal deste ou daquele concelho. Sentimos que existe essa responsabilidade. Existe a necessidade de um servi\u00e7o p\u00fablico. Infelizmente, esse \u00e9 um servi\u00e7o p\u00fablico que n\u00e3o \u00e9 pago. Foi uma das guerras que tive com a Secretaria de Estado h\u00e1 muitos anos. Infelizmente, n\u00e3o cheg\u00e1mos a bom porto. <\/p>\n<p>Considera uma injusti\u00e7a os portugueses pagarem a taxa [na factura da electricidade] para a r\u00e1dio p\u00fablica que n\u00e3o faz um servi\u00e7o p\u00fablico local\u2026<\/p>\n<p>Exactamente. A r\u00e1dio p\u00fablica n\u00e3o presta o servi\u00e7o p\u00fablico de cobertura local. N\u00e3o v\u00e3o a todas as regi\u00f5es. N\u00e3o se pede que o fa\u00e7am, porque isso era praticamente imposs\u00edvel, de qualquer forma, achamos que a comunica\u00e7\u00e3o local e regional tamb\u00e9m tem essa fun\u00e7\u00e3o e devia ser paga por esse servi\u00e7o, assim como s\u00e3o pagos outros servi\u00e7os universais.<\/p>\n<p>Quando esta r\u00e1dio come\u00e7ou, havia muitas outras nas regi\u00f5es, que estretando foram encerrando. A TN \u00e9 uma sobrevivente?<\/p>\n<p>Sim, em termos de projecto. H\u00e1 muitas que se mant\u00e9m vivas passando apenas m\u00fasica. A componente musical \u00e9 sempre mais barata. Para ter uma r\u00e1dio desse tipo basta ter equipamento e uma pessoa para fazer a gest\u00e3o da programa\u00e7\u00e3o e pouco mais. Realmente a TN, pelos recursos que t\u00eam, as pessoas que c\u00e1 est\u00e3o, pela orienta\u00e7\u00e3o que foi sendo dada, aposta na componente informativa. Mas a vida n\u00e3o tem de maneira nenhuma sido f\u00e1cil, pelo menos nos \u00faltimos anos. E estimo que nos pr\u00f3ximos continue dif\u00edcil. N\u00e3o passamos ao lado daquilo por que o pa\u00eds est\u00e1 a passar.<\/p>\n<p>Refere-se \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o de publicidade?<\/p>\n<p>Claro. A TN em grande parte vive da publicidade. Ora, a despesa com publicidade \u00e9 a primeira a ser cortada quando as empresas come\u00e7am a sentir dificuldades. Isso vai acontecer com maior intensidade nos pr\u00f3ximos tempos.<\/p>\n<p>Lembra-se do primeiro dia da TN?<\/p>\n<p>N\u00e3o foi um dia assim muito especial. T\u00ednhamos o sistema de antenas instalado, em frente \u00e0 sede, que continua a ser na Rua Gil Eanes, n.\u00ba 31, na Cooperativa Cultural e Recreativa da Gafanha da Nazar\u00e9. Numa manh\u00e3 s\u00e1bado, 12 de Julho de 1986, ligou-se um pequeno emissor e um gravador a passar m\u00fasica.<\/p>\n<p>Lembra-se da m\u00fasica?<\/p>\n<p>N\u00e3o me lembro. Liguei a meia d\u00fazia de pessoas, disse-lhes para sintonizar em 104.9 FM. Era a frequ\u00eancia planeada para o concelho de \u00cdlhavo. De tarde, nesse mesmo dia, a casa ficou cheia de gente procurando descobrir como ir mais al\u00e9m. Estivemos na Rua Gil Eanes at\u00e9 1997, altura em que mud\u00e1mos para o Centro Cultural da Gafanha da Nazar\u00e9, onde nos encontramos actualmente, mas a sede oficial oficial continua na Cooperativa.<\/p>\n<p>Quantas pessoas trabalham na TN?<\/p>\n<p>S\u00e3o sete os colaboradores formais. Depois h\u00e1 outros colaboradores que fazem programas e outro tipo de colabora\u00e7\u00e3o. S\u00e3o volunt\u00e1rios. N\u00e3o s\u00e3o pagos &#8211; gostava de real\u00e7a-los porque t\u00eam uma consci\u00eancia de servi\u00e7o \u00e0 comunidade que \u00e9 cada vez mais rara.<\/p>\n<p>Tem ideia de quantos ouvem a TN?<\/p>\n<p>N\u00e3o sabemos. Mas sabemos que quando algu\u00e9m c\u00e1 dentro \u201cp\u00f5e o p\u00e9 na argola\u201d, \u00e9 logo alertado por um ouvinte. H\u00e1 sempre algu\u00e9m que ouve. Fazer um estudo de audi\u00eancia seria interessante, mas n\u00e3o h\u00e1 meios financeiros para tal. Em termos de Internet, a nossa p\u00e1gina tem mais de 2 milh\u00f5es de \u201chits\u201d por m\u00eas, o que significa cerca de 500 mil visitantes \u00fanicos. Tanto por computador como atrav\u00e9s dos [telem\u00f3veis] smartphones.<\/p>\n<p>A r\u00e1dio \u00e9 seguida nas comunidades de emigrantes?<\/p>\n<p>Sim, sabemos at\u00e9 que na Costa Leste dos EUA muitas comunidade seguem o Beira-Mar pela Internet. Normalmente coincide com a hora do almo\u00e7o deles. Mesmo quando os jogos s\u00e3o transmitidos pela TV, muitas destas comunidades seguem-nos pela r\u00e1dio. H\u00e1 tempos tivemos uma falha de energia e a r\u00e1dio continuou a funcionar porque temos sistemas alternativos, mas n\u00e3o a Internet. De imediato tivemos telefonemas da Alemanha e dos EUA a perguntar o que estava acontecer.<\/p>\n<p>Ainda s\u00e3o a \u00fanica r\u00e1dio a acompanhar sempre o Beira-Mar?<\/p>\n<p>Actualmente, n\u00e3o. Fomos a \u00fanica que o acompanhou quando estava na m\u00f3 de baixo. Agora que est\u00e1 na primeira divis\u00e3o, h\u00e1 mais que o acompanham.<\/p>\n<p>Durante algum tempo alimentou o sonho de um jornal\u2026<\/p>\n<p>Neste momento a quest\u00e3o n\u00e3o se p\u00f5e. N\u00e3o quer dizer que no futuro n\u00e3o se venha a p\u00f4r. Seria sempre um complemento. H\u00e1 tr\u00eas ou quatro anos tivemos um percal\u00e7o que nos obrigou a fazer um investimento avultado e que levou a abandonar essa ideia. A quest\u00e3o \u00e9 que temos a r\u00e1dio, temos a Internet e muitas vezes nota-se que o complemento de um jornal seria interessante.<\/p>\n<p>O nome \u201cTerra Nova\u201d n\u00e3o tem tamb\u00e9m uma conota\u00e7\u00e3o religiosa?<\/p>\n<p>O nome \u201cTerra Nova\u201d \u00e9 muito feliz por v\u00e1rias raz\u00f5es. Primeiro, porque \u00e9 transversal \u00e0 regi\u00e3o e ao concelho, pelo que n\u00e3o motiva qualquer pequena trica entre as freguesias. Segundo, \u00e9 um nome que est\u00e1 bastante enraizado na hist\u00f3ria. \u00c9 uma esp\u00e9cie de homenagem a todos aqueles que constru\u00edram esta regi\u00e3o atrav\u00e9s da pesca long\u00ednqua, que foi a actividade que nos anos 50 e 60 fez com que a regi\u00e3o crescesse em termos econ\u00f3micos e humanos. Terceiro, na realidade, tamb\u00e9m se prende com o facto de considerar que um \u00f3rg\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o social deve ser um motor bastante activo na transforma\u00e7\u00e3o da terra nova. Podemos fazer essa liga\u00e7\u00e3o. Podemos, dar uma componente transcendente ao nome. Mas isso fica subjacente na cabe\u00e7a de cada um. Penso que \u00e9 um nome rico. Como uma pintura, sujeita-se a v\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terra Nova, prestes a completar 25 anos, assume-se, cada vez mais, como o principal \u00f3rg\u00e3o informativo da regi\u00e3o de Aveiro em termos radiof\u00f3nicos. \u00c0 frente deste projecto comunicacional est\u00e1, desde a primeira hora, o engenheiro Vasco Lagarto, que real\u00e7a que a r\u00e1dio presta servi\u00e7o p\u00fablico local. Entrevista conduzida por Jorge Pires Ferreira. 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